A Marcopolo (POMO3; POMO4) aprovou o pagamento de R$ 0,13 por ação em dividendos, com distribuição prevista a partir de 9 de setembro de 2026. O anúncio ocorre em um momento de pressão sobre os papéis da fabricante de carrocerias de ônibus e após um segundo trimestre marcado por queda do lucro e redução da rentabilidade.
Os dividendos serão pagos aos investidores que mantinham ações da companhia no encerramento do pregão de 25 de agosto de 2026. Desde o dia 26, os papéis passaram a ser negociados “ex-dividendos”, ou seja, sem direito a esse pagamento.

O valor será imputado ao dividendo mínimo obrigatório referente ao exercício de 2026. Como se trata de dividendo, não há retenção de Imposto de Renda para pessoas físicas, conforme a legislação vigente.
Além dos proventos, o Conselho de Administração autorizou um programa para a recompra de até 49 milhões de ações preferenciais POMO4.
Quanto o investidor receberá em dividendos
O pagamento depende da quantidade de ações mantida pelo investidor na data de corte.
| Quantidade de ações | Dividendo por ação | Valor a receber |
| 100 | R$ 0,13 | R$ 13,00 |
| 500 | R$ 0,13 | R$ 65,00 |
| 1.000 | R$ 0,13 | R$ 130,00 |
| 5.000 | R$ 0,13 | R$ 650,00 |
| 10.000 | R$ 0,13 | R$ 1.300,00 |
O cálculo não considera eventuais custos operacionais relacionados à custódia ou aos serviços contratados pelo investidor.
Quem comprou ações a partir de 26 de agosto não terá direito ao pagamento de setembro. A mudança para a condição “ex-dividendos” também costuma provocar um ajuste técnico na cotação, aproximadamente equivalente ao valor distribuído, embora o preço continue sujeito às condições do mercado.
Marcopolo poderá recomprar 49 milhões de ações POMO4
O programa de recompra permite que a Marcopolo adquira até 49 milhões de ações preferenciais a preço de mercado. O prazo começou em 20 de agosto de 2026 e poderá seguir até 18 de fevereiro de 2028.
Segundo as informações divulgadas pela companhia, as ações adquiridas poderão ser utilizadas para:
- atendimento aos planos de remuneração baseados em ações;
- permanência em tesouraria;
- cancelamento;
- posterior alienação no mercado.
A autorização não obriga a Marcopolo a comprar todo o volume. As aquisições dependerão das condições de mercado, da disponibilidade financeira e das decisões da administração ao longo dos 18 meses.
Dados atualizados pela própria companhia em 12 de agosto mostravam 8,5 milhões de ações em tesouraria, sendo aproximadamente 8,49 milhões de papéis preferenciais. Esse volume representava 1,06% das ações PN emitidas pela empresa. A composição acionária pode ser consultada no site de Relações com Investidores da Marcopolo.
Recompra pode aumentar participação dos acionistas
Caso as ações recompradas sejam canceladas, o número de papéis em circulação diminui. Com isso, cada ação remanescente passa a representar uma parcela ligeiramente maior do capital da companhia.
A operação também pode elevar indicadores calculados por ação, desde que os resultados empresariais sejam mantidos. Entretanto, esses efeitos dependem da quantidade efetivamente adquirida e da destinação final dos papéis.
Se as ações permanecerem em tesouraria ou forem utilizadas em programas de remuneração, o resultado para os acionistas será diferente. Por isso, a simples aprovação do programa não representa garantia de valorização das ações.
Lucro recuou no segundo trimestre
O anúncio de dividendos e recompra veio após um balanço com resultados mistos. No segundo trimestre de 2026, a Marcopolo registrou lucro líquido de R$ 271,2 milhões, queda de 15,5% em comparação com o mesmo período de 2025.
A receita líquida aumentou 3%, alcançando R$ 2,373 bilhões, mas esse crescimento não se traduziu em expansão da rentabilidade.
O Ebitda indicador que mede o resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização caiu 15%, para R$ 338,6 milhões. A margem Ebitda passou de aproximadamente 17,3% para 14,3%, recuo de três pontos percentuais.
| Indicador | 2º trimestre de 2026 | Variação anual |
| Receita líquida | R$ 2,373 bilhões | +3,0% |
| Ebitda | R$ 338,6 milhões | -15,0% |
| Margem Ebitda | 14,3% | -3 p.p. |
| Lucro líquido | R$ 271,2 milhões | -15,5% |
| Receita no Brasil | R$ 1,462 bilhão | +11,3% |
| Exportações a partir do Brasil | R$ 289,9 milhões | +16,2% |
| Operações no exterior | R$ 621,3 milhões | -16,3% |
Conforme o relatório de resultados do segundo trimestre, a rentabilidade foi afetada pelo mix de entregas no Brasil, com maior participação de micro-ônibus e menor presença de modelos rodoviários, normalmente associados a maior valor agregado.
A valorização do real ante o dólar também pressionou as margens das exportações. No mercado internacional, pesaram principalmente os desempenhos das operações da Argentina e do México.
Mercado brasileiro avançou, mas exterior perdeu força
A receita obtida no Brasil cresceu 11,3%, para R$ 1,462 bilhão. As exportações realizadas pelas fábricas brasileiras também apresentaram desempenho positivo, com avanço de 16,2%, chegando a R$ 289,9 milhões.
Em sentido contrário, a receita das operações internacionais caiu 16,3%, para R$ 621,3 milhões.
A diferença mostra que o crescimento registrado no mercado brasileiro e nas exportações não foi suficiente para evitar a redução das margens consolidadas. O desempenho futuro dependerá, entre outros fatores, da recuperação dos modelos de maior valor agregado e da evolução das unidades internacionais.
Itaú BBA cortou preço-alvo, mas manteve recomendação
Após a divulgação do balanço, o Itaú BBA reduziu em 25% o preço-alvo para POMO4, de R$ 10 para R$ 7,50 ao final de 2026. Apesar da revisão, o banco manteve a recomendação “outperform”, equivalente a uma expectativa de desempenho superior à média do mercado.
Segundo a análise, o corte refletiu o resultado abaixo das projeções no segundo trimestre e a perspectiva de menor espaço para uma reprecificação das ações no curto prazo.
O preço-alvo representa uma estimativa da instituição financeira, não uma garantia de valorização. Mudanças nas vendas, nos custos, nos juros, no câmbio e no cenário econômico podem alterar as projeções.
Quais riscos precisam ser acompanhados
Embora os dividendos e a recompra possam aumentar o interesse pelos papéis, os investidores precisam considerar os riscos operacionais apresentados no último balanço.
Os principais pontos de atenção incluem:
- redução da margem Ebitda;
- queda do lucro líquido;
- desempenho mais fraco das operações internacionais;
- maior participação de veículos com menor valor agregado;
- juros elevados, que encarecem o financiamento de frotas;
- oscilações cambiais sobre exportações e resultados no exterior;
- caráter não obrigatório da execução integral da recompra.
A próxima divulgação de resultados da Marcopolo, referente ao terceiro trimestre, está prevista para 3 de novembro de 2026, segundo a agenda de Relações com Investidores. O balanço deverá mostrar se a recuperação das entregas domésticas conseguirá compensar a pressão sobre as margens e o desempenho internacional.
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