O Banco do Brasil entra em uma das semanas mais aguardadas do mercado financeiro. No dia 11 de fevereiro, a instituição divulga os resultados do quarto trimestre e do exercício completo do ano passado, com teleconferência marcada para o dia seguinte.
O balanço chega em um momento sensível: aumento expressivo da inadimplência, custo de crédito elevado e lucros bem abaixo dos anos anteriores. Com a ação negociada recentemente na faixa de R$ 24,33, investidores tentam responder à pergunta central: o pior já está no preço ou ainda há espaço para novas quedas?
Inadimplência elevada segue como principal risco
O ponto mais crítico do balanço continua sendo a inadimplência acima de 90 dias, que mostrou tendência clara de alta ao longo do ano. O problema não está concentrado em apenas um segmento:
Pessoa física: avanço consistente da inadimplência
Micro, pequenas e médias empresas: níveis historicamente elevados
Agronegócio: impacto de recuperações judiciais e dificuldades no crédito rural
Esse cenário pressiona diretamente o custo do crédito, que saltou de cerca de R$ 10 bilhões no início do ano para quase R$ 18 bilhões no terceiro trimestre, um dos maiores patamares da série recente. Para o mercado, a queda sustentável da inadimplência é condição essencial para que o lucro volte a crescer.
O que o mercado espera do lucro do 4º trimestre
As estimativas dos principais analistas convergem para números bastante próximos:
Lucro estimado no 4T: entre R$ 4,0 bilhões e R$ 4,1 bilhões
Queda de quase 60% em relação ao mesmo período do ano anterior
Caso esse cenário se confirme, o Banco do Brasil deve encerrar o exercício com cerca de R$ 19 bilhões de lucro, um tombo relevante frente aos ciclos anteriores. Para efeito de comparação, o banco havia lucrado mais de R$ 26 bilhões nos primeiros nove meses de 2023 e R$ 28 bilhões no mesmo período de 2024.
O impacto disso no preço da ação
Para muitos investidores, esse cenário já está amplamente precificado. O mercado costuma se antecipar, e lucros na casa dos R$ 4 bilhões já fazem parte das expectativas atuais.
O comportamento da ação após o balanço tende a seguir três caminhos claros:
Lucro acima do esperado: forte reação positiva
Lucro dentro da projeção: reação limitada ou neutra
Lucro abaixo do consenso: pressão vendedora e possível nova queda
Vale lembrar que, após uma desvalorização próxima de 40% no auge da crise, os papéis do banco já acumulam alta superior a 30%, refletindo a melhora parcial do humor do mercado.
Novo anúncio de dividendos já tem data marcada
Além do balanço, outro ponto de atenção é o novo anúncio de dividendos, previsto para 19 de fevereiro, referente ao primeiro trimestre do ano.
Já estão definidas:
Data-com: 2 de março
Pagamento: 11 de março
As projeções indicam um cenário mais conservador. Considerando um lucro anual estimado em R$ 24 bilhões e payout de 30%, o dividendo bruto projetado para o ano ficaria em torno de R$ 1,26 por ação.
Como o banco costuma pagar majoritariamente Juros sobre Capital Próprio (JCP), com tributação de 17,5%, o valor líquido anual cairia para aproximadamente R$ 1,04, o que diluído em oito anúncios ao longo do ano resultaria em algo entre R$ 0,12 e R$ 0,13 por pagamento — sempre lembrando que se trata de projeção, não garantia.
Expectativa é de melhora apenas no segundo semestre
O consenso do mercado aponta que:
1º trimestre: resultados ainda fracos
2º trimestre: início de estabilização
3º e 4º trimestres: melhora mais consistente nos números
Ou seja, os primeiros anúncios de dividendos tendem a ser mais modestos, com valores mais robustos apenas no segundo semestre, caso a inadimplência recue e o custo do crédito seja normalizado.
Risco elevado, mas assimetria segue no radar
O Banco do Brasil entra na divulgação do balanço em um ponto decisivo do ciclo. O lucro fraco já é esperado, mas qualquer surpresa — positiva ou negativa — pode gerar movimentos fortes na ação.
Para investidores de longo prazo, o momento segue sendo de atenção redobrada aos números, especialmente inadimplência, provisões e sinalizações da gestão sobre 2026. O balanço desta semana deve ditar o tom do papel nos próximos meses e pode ser determinante para a percepção de risco e oportunidade em BBAS3.
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