A empresa Klabin (KLBN11) apresentou no 3º trimestre de 2025 um lucro líquido de R$ 478 milhões, queda de 34% em relação ao mesmo período do ano anterior. Mesmo assim, a companhia surpreendeu com um EBITDA ajustado de R$ 2,117 bilhões, alta de 17% na comparação anual e resultado acima das estimativas de mercado. A receita líquida alcançou R$ 5,426 bilhões, crescimento de 9%.
A robustez operacional — com destaque para volumes mais elevados de papel e embalagens, bem como a venda de terras — reforça a tese de que Klabin está gerindo bem os custos e mantendo competitividade mesmo em ambiente desafiador.
Dividendos mantidos apesar do cenário mais difícil
Mesmo com o recuo no lucro, Klabin aprovou a distribuição de R$ 318 milhões em dividendos referentes ao trimestre, equivalente a R$ 0,2608 por Unit (KLBN11). O pagamento está marcado para 19 de novembro de 2025, com posição acionária válida até 7 de novembro e ex-dividendo a partir de 10 de novembro.
Na cotação atual (aproximadamente R$ 18,50 por Unit), esse valor implica um dividend yield projetado de cerca de 5,8% ao ano — ainda abaixo da meta tradicional de 6% ou mais para investidores focados em renda, mas dentro de uma faixa considerada atraente para o perfil de Klabin.
Eficiência operacional e desalavancagem continuam como pilares
Os analistas destacam dois pontos-chave: (i) volumes de vendas de papelão para embalagens cresceram ~10% a/a, impulsionados pela expansão no mercado externo e ramp-up de fábrica; (ii) embora os custos de produção de celulose tenham subido (+13% a/a), a companhia compensou com melhoria de margens (EBITDA ajustado com margem de ~39%, alta de ~3 p.p.).
Em termos de capital, a dívida líquida encerrou o trimestre em cerca de R$ 26,1 bilhões, com alavancagem (dívida líquida/EBITDA) de 3,3× em reais — mostrando avanço na trajetória de desalavancagem e menor risco financeiro.
Perspectivas e avaliação de mercado
Apesar da queda no lucro, o mercado reagiu bem ao conjunto de resultados e ao reforço da disciplina financeira. O banco analista BB-BI elevou recomendação para “Compra”, com novo preço-alvo para KLBN11 estimado em R$ 26,00 para 2026.
Para investidores orientados à renda passiva, o retorno de ~5,8% pode não se destacar frente a outras empresas com yields mais elevados. Porém, para quem busca combinação de valor e potencial de valorização, Klabin continua sendo uma opção interessante, especialmente se houver uma reversão na cotação da celulose ou recuperação nas margens de papel.
Atratividade relativa para renda moderada e valorização
Klabin mantém-se como uma empresa que entrega consistência em geração de caixa, disciplina de capital e compromisso com distribuição de proventos, mesmo em ambiente de pressões commodities e câmbio.
Embora o yield atual não atinja o patamar “ideal” (≥ 6%) para muitos investidores previdenciários, a regularidade dos pagamentos e a trajetória de desalavancagem tornam a ação uma alternativa válida para carteiras que combinam renda com crescimento. Para quem busca exclusivamente alta renda imediata, pode ainda haver espera por melhores preços ou yields mais atraentes.
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