O setor de papel e celulose brasileiro vive uma fase de ajustes marcada pela volatilidade do dólar e pela expectativa de cortes na taxa Selic. Klabin (KLBN) e Irani (RANI3), duas das principais empresas do segmento listadas na bolsa, enfrentam desafios distintos, mas ambas carregam oportunidades para investidores atentos a dividendos e ao potencial de valorização.
Enquanto a Klabin se destaca pelo porte e diversificação, a Irani ganha relevância como small cap com possibilidade de valorização mais acelerada em ciclos de queda de juros.
Klabin: balanço entre dívida e exportações
Dividendos e payout
Dividendos projetados podem alcançar entre 7% e 8% de dividend yield até 2027.
Política atual prevê distribuição de 10% a 20% do EBITDA ajustado, o que tende a melhorar com a desalavancagem.
Em valores absolutos, estimativas variam de R$ 1,2 bilhão a R$ 1,8 bilhão em dividendos anuais.
Efeito do câmbio
Dívida majoritariamente em dólar: câmbio baixo reduz endividamento em reais.
Exportações, por outro lado, sofrem com dólar fraco, comprimindo EBITDA.
Ações tendem a ter melhor desempenho quando o dólar se valoriza.
Preço justo
Modelos de avaliação indicam R$ 4,25 por ação preferencial, contra preços de tela em torno de R$ 3,70.
Irani: foco no mercado interno e custo das aparas
Impactos da queda do dólar
Menor exposição ao câmbio, já que a maior parte das vendas ocorre no mercado interno.
Pressão competitiva pode crescer com importados mais baratos e oferta da própria Klabin no Brasil.
Custos e margens
Aparas (papel reciclado) representam o principal custo e continuam em alta por oferta restrita.
A empresa conseguiu repassar parte dos custos, elevando o preço médio de venda em 13,4%.
Margem EBITDA caiu de 32% para 30,8%, mas lucro líquido se manteve positivo.
Dividendos e alavancagem
Payout médio em torno de 50%, superior ao da Klabin.
Projeção de dividend yield também em torno de 7% aos preços atuais.
Próxima data de pagamento pode ocorrer já em novembro.
Preço justo
Avaliação indica R$ 9,64 por ação, acima dos níveis atuais.
Comparativo rápido
| Indicador | Klabin (KLBN) | Irani (RANI3) |
|---|---|---|
| Exposição ao dólar | Alta (exportadora) | Baixa (mercado interno) |
| Política de dividendos | 10% a 20% do EBITDA | Payout médio 50% |
| Dividend Yield projetado | 7% a 8% até 2027 | 7% no curto prazo |
| Dívida | Alta, em dólar | Moderada, sensível à Selic |
| Preço justo estimado | R$ 4,25 | R$ 9,64 |
Perspectivas para investidores
Klabin: Tese sólida no longo prazo, sustentada pela diversificação de produtos e investimentos já realizados. Ponto de atenção é o câmbio, que pode reduzir receitas, apesar de aliviar a dívida.
Irani: Perfil de maior risco e volatilidade, mas com potencial de valorização mais rápido em cenários de queda de juros. Principal desafio continua sendo o custo das aparas.
Ambas podem se beneficiar da esperada redução da Selic em 2025, mas com impactos distintos: Klabin tende a ganhar em sustentabilidade financeira, enquanto a Irani pode acelerar crescimento e valorização como small cap.
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