A Itaúsa S.A. (ITSA4) divulgou lucro líquido recorrente de R$ 4,12 bilhões no terceiro trimestre de 2025, um crescimento de cerca de 6% em relação ao mesmo período do ano anterior. Esse resultado foi impulsionado, principalmente, pelo desempenho robusto do Banco Itaú, que continua sendo o pilar central da holding e representa cerca de 95% do resultado consolidado.
Apesar de possuir participações em empresas como Dexco, Alpargatas, Copa Energia e Aegea, a Itaúsa segue com forte dependência do setor financeiro. A diversificação existe no papel, mas o peso do Itaú é determinante para o sucesso dos resultados e para o pagamento de dividendos da holding.
Dívida sob controle e retorno ao acionista
A Itaúsa encerrou o trimestre com dívida líquida 26% menor em relação ao ano anterior, ampliando o prazo médio dos compromissos para 7,4 anos e reduzindo o custo médio de CDI + 1,54% para CDI + 1,11%.
Esse perfil financeiro mais leve reforça a capacidade da empresa de distribuir lucros sem comprometer o balanço, mantendo o índice de cobertura de juros em 15 vezes, nível considerado confortável e superior à média de outras holdings nacionais.
O caixa ao fim de setembro somava cerca de R$ 2,4 bilhões, e a companhia ainda reduziu a alavancagem para 0,4 vezes o valor dos ativos — um dos menores índices de sua história.
Dividendos, yield e projeções
No acumulado de 2025, a Itaúsa distribuiu aproximadamente R$ 3 bilhões em proventos, equivalente a um crescimento de 12% em relação ao ano anterior. O valor pago por ação ficou em torno de R$ 0,27, com expectativa de novos anúncios após a divulgação do quarto trimestre.
Com base no lucro projetado e no histórico de distribuição, o dividend yield estimado para o ano é de 8,5% a 8,8%, considerando um payout em torno de 65% do lucro líquido.
Ao somar dividendos e crescimento potencial, o retorno total embutido nas ações ITSA4 é calculado em cerca de 15,6% ao ano, equivalente a um retorno real de IPCA + 9,1% — patamar expressivo para uma empresa de perfil conservador e resultados consistentes.
Desconto e potencial de valorização
O valor de mercado da Itaúsa está próximo de R$ 126 bilhões, enquanto o portfólio das empresas investidas ultrapassa R$ 168 bilhões. Esse cenário reflete um desconto de cerca de 25% em relação ao valor patrimonial líquido, índice acima da média histórica e que pode representar uma oportunidade de compra.
A expectativa é que parte desse desconto diminua nos próximos anos, principalmente após a reforma tributária de 2025, que tende a reduzir a carga sobre juros sobre capital próprio (JCP) recebidos pelas holdings a partir de 2027.
Histórico e desempenho de longo prazo
Nos últimos dez anos, a Itaúsa entregou retorno médio anual de 17,6%, superando o Ibovespa, o CDI e o S&P 500 no mesmo período.
Desde o início do Plano Real, o retorno acumulado ultrapassa 44.000%, o equivalente a 21,4% ao ano, consolidando-a como uma das ações mais consistentes da Bolsa brasileira.
Mesmo após a valorização recente — de R$ 8 para cerca de R$ 12, uma alta de 46% no ano —, as ações ainda negociam abaixo da média histórica e permanecem atrativas para investidores de longo prazo focados em dividendos.
Com resultados sólidos, baixo endividamento e dividendos crescentes, a Itaúsa reforça seu papel como uma das principais ações de renda passiva da B3.
O investidor que mantém ITSA4 em carteira deve acompanhar de perto o desempenho do Banco Itaú, pois o lucro e os proventos da holding dependem diretamente da performance da instituição financeira.
Ainda assim, os números indicam que a Itaúsa segue sendo uma opção segura e rentável para quem busca estabilidade, previsibilidade de dividendos e valorização no longo prazo.
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