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Início » Últimas Notícias » Itaú, Vale e WEG puxam corrida bilionária para fugir da nova taxação
Dividendos

Itaú, Vale e WEG puxam corrida bilionária para fugir da nova taxação

Com a nova taxação de 10% sobre dividendos a partir de janeiro de 2026, empresas correm contra o relógio para distribuir bilhões ainda em 2025 e evitar o impacto tributário.
André CarvalhoPor André Carvalho4 de dezembro de 20254 minutos lidos
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Itaú, Vale e WEG puxam corrida bilionária para fugir da nova taxação
Itaú, Vale e WEG puxam corrida bilionária para fugir da nova taxação

A corrida pelos dividendos virou pauta urgente na Bolsa brasileira. Com a taxação de 10% sobre dividendos prevista para entrar em vigor em janeiro de 2026, grandes empresas passaram a antecipar pagamentos bilionários para evitar o impacto tributário. A mudança ocorre após o governo sancionar a atualização parcial da tabela do Imposto de Renda, criando uma contrapartida que atinge investidores com renda anual acima de R$ 600 mil soma que inclui salários, distribuição de lucros e rendimentos financeiros.

Embora hoje muitos investidores não ultrapassem esse limite, especialistas alertam: o valor não deve ser corrigido pela inflação, repetindo o que já aconteceu com outras faixas do IR. Ou seja, o que parece distante em 2025 pode alcançar grande parte da classe média em poucos anos.

A brecha fiscal que disparou a corrida

A legislação prevê uma regra de transição decisiva: todos os dividendos aprovados até 31 de dezembro de 2025 permanecerão isentos, mesmo que sejam pagos apenas em 2026, 2027 ou 2028. É, como chamam analistas, um “happy hour tributário”: as empresas têm poucos dias úteis para aprovar a distribuição e garantir isenção total.

O problema? Nenhuma companhia consegue fechar o balanço anual antes do ano terminar, o que cria um desafio jurídico e contábil gigantesco. Advogados e contadores já enfrentam uma enxurrada de atas, revisões extraordinárias e formalizações aceleradas.

Quem já antecipou dividendos bilionários

A movimentação entre as gigantes mostra a escala da corrida:

  • Itaú (ITUB4)

Aprovou uma distribuição colossal de R$ 23,4 bilhões, antecipando-se ao risco de saída de capital estrangeiro e garantindo isenção total aos acionistas.

  • Vale (VALE3)

Autorizou pagamentos de R$ 15,3 bilhões, reforçando sua tradição de forte remuneração ao investidor.

  • Eletrobras/Áxia (ELET3)

A empresa propôs uma capitalização que pode liberar R$ 40 bilhões, além de já anunciar R$ 4,3 bilhões em dividendos imediatos. Analistas apontam que o payout pode chegar a 16% até 2030.

  • WEG (WEGE3)

Queridinha dos investidores, liberou R$ 1,4 bilhão em dividendos complementares e sinalizou mais R$ 5,2 bilhões para o futuro.

  • São Carlos (SCAR3)

No setor imobiliário, surpreendeu com dividendos que geram yelds acima de 29%, segundo cálculos de analistas.

No total, a XP estima que o mercado pode receber até R$ 170 bilhões em dividendos até o fim de 2025.

Quem pode ser o próximo a anunciar dividendos extraordinários?

Para antecipar pagamentos, a empresa precisa de duas condições essenciais:

  • Caixa disponível

  • Reservas de lucro acumuladas

  • Baixa alavancagem

Segundo uma análise da Infomoney, diversas companhias ainda têm probabilidade alta de anunciar dividendos antes do fim de 2025:

Setor de siderurgia e mineração alta probabilidade

  • Gerdau (GGBR4)

  • Usiminas (USIM5)
    Setor historicamente forte em distribuição de proventos.

Construção civil: probabilidade relevante

  • Eztec (EZTC3)

  • Cyrela (CYRE3)

  • Lavvi (LAVV3)

Outros setores com chance elevada

  • Unipar (UNIP6): setor químico

  • Direcional (DIRR3): construção e incorporação

Esses nomes representam apenas probabilidade, não recomendação de compra. Comprar ações apenas por causa de dividendos extraordinários é considerado um erro clássico por analistas: o preço do papel ajusta automaticamente na data ex-dividendos, anulando a “vantagem imediata”.

Exemplo simples: por que não existe dinheiro fácil

Imagine uma ação de R$ 10 cujo conselho aprova dividendos de R$ 2 por papel.
Até a data de corte, ela segue cotada a R$ 10. No dia seguinte, na data ex, ela amanhece valendo R$ 8 exatamente o valor descontado do dividendo.

Não há ganho adicional: apenas transferência de valor.

A estratégia não acabou só ficou mais seletiva

A nova regra do IR não mata estratégias como buy and hold ou foco em dividendos, mas exige mais cuidado. Para quem ultrapassa o limite de renda e será taxado, fundos de ações ganham relevância, já que dividendos dentro do fundo continuam isentos, e o imposto só incide no resgate.

O dividendo antecipado de 2025 deve ser visto como bônus de liquidez, não como critério de seleção de ativos. Para uma carteira sólida, a recomendação segue clara: avaliar preço, qualidade, previsibilidade e estratégias consistentes e não correr atrás de anúncios pontuais.

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André Carvalho
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André Luís Carvalho é jornalista formado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), fundador e editor-chefe da A Revista, com mais de dez anos de experiência em jornalismo digital. Coordena a cobertura de ações, dividendos, fundos imobiliários, renda fixa, petróleo, economia e mercados. Na direção editorial, orienta a apuração em documentos primários, a contextualização de riscos e a separação entre fatos, projeções e opiniões. Conteúdos informativos não constituem recomendação individual de investimento.

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