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Início » Últimas Notícias » Itaú ganha quase R$ 47 bi em um ano; veja o que isso muda para investidores
Dividendos

Itaú ganha quase R$ 47 bi em um ano; veja o que isso muda para investidores

Com lucro recorde, carteira de crédito trilionária e pagamentos recorrentes aos acionistas, Itaú volta ao radar de investidores; mas preço, Selic e riscos precisam entrar na conta.
Eduardo MartinsPor Eduardo Martins5 de julho de 20265 minutos lidos
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Itaú ganha quase R$ 47 bi em um ano; veja o que isso muda para investidores
Itaú ganha quase R$ 47 bi em um ano; veja o que isso muda para investidores

O Itaú voltou ao centro das atenções de investidores brasileiros. O motivo é direto: o banco fechou 2025 com R$ 46,8 bilhões de resultado recorrente gerencial, avanço de 13,1% sobre 2024, segundo dados divulgados pela própria instituição.

O número é grande até para o setor bancário, conhecido por margens elevadas, forte geração de caixa e presença direta no dia a dia do consumidor.

Para quem investe em ações, a pergunta volta a ganhar força: ITUB4 ainda faz sentido para quem busca dividendos e valorização no longo prazo?

A resposta exige cautela. O lucro chama atenção, mas ação de banco não é renda fixa. O preço muda todos os dias, dividendos podem variar e o cenário econômico pesa muito no desempenho do papel.

O que está acontecendo com o Itaú

O Itaú encerrou 2025 com crescimento forte em resultado, receitas e carteira de crédito. No quarto trimestre, o banco registrou R$ 12,3 bilhões de resultado recorrente gerencial, enquanto no ano fechado o número chegou a R$ 46,8 bilhões.

Já no primeiro trimestre de 2026, o banco manteve o ritmo: foram R$ 12,3 bilhões de lucro recorrente gerencial, com ROE de 24,8%. A carteira de crédito total chegou a R$ 1,48 trilhão, com inadimplência acima de 90 dias em 1,9%.

Na prática, isso mostra um banco grande, lucrativo e ainda em expansão, mesmo em um ambiente de juros elevados e crédito mais seletivo.

Por que isso importa para o bolso do investidor

O Itaú é um dos papéis mais acompanhados da Bolsa brasileira por três motivos principais: lucro recorrente, presença dominante no setor financeiro e histórico de pagamento de proventos.

Segundo a página de Relações com Investidores do banco, o Itaú remunera acionistas com pagamentos mensais e complementares desde julho de 1980. A instituição também informa que os dividendos e juros sobre capital próprio são distribuídos igualmente para acionistas ordinários e preferenciais.

Isso explica por que ITUB4 costuma atrair investidores que buscam renda passiva. Mas é importante lembrar: dividendo alto no passado não garante dividendo alto no futuro.

O ponto que chama mais atenção em ITUB4

A ação preferencial do Itaú, negociada como ITUB4, é uma das mais populares entre investidores pessoa física. Dados de mercado mostravam o papel na casa de R$ 42,74 no início de julho, com alta relevante em 12 meses, segundo plataformas de cotação.

Na análise usada como base para esta pauta, a tese apresentada considera que a ação estaria abaixo de um valor justo estimado por modelos próprios, mas esse tipo de cálculo depende de premissas sobre lucro, dividendos, Selic e crescimento futuro.

Por isso, o investidor deve tratar qualquer preço-alvo ou recomendação como opinião de análise, não como garantia de retorno.

Selic pode ajudar, mas também exige cuidado

Um dos fatores que entra na conta é a Selic. Juros altos costumam tornar a renda fixa mais atrativa e podem reduzir o apetite por ações. Já uma queda dos juros tende a melhorar o ambiente para a Bolsa, embora isso não aconteça de forma automática.

O Copom reduziu a Selic para 14,25% ao ano em junho, segundo a Agência Brasil. O mercado também projetava Selic em 14% no fim de 2026, 12% em 2027 e 10,25% em 2028, conforme levantamento citado pela agência.

Se os juros caírem nos próximos anos, ações de empresas lucrativas e pagadoras de dividendos podem ganhar mais atenção. Mas inflação, inadimplência, regulação bancária e cenário fiscal continuam sendo riscos importantes.

O que o consumidor comum deve entender

Mesmo quem não investe em ITUB4 é impactado pelo desempenho dos bancos. O lucro do Itaú vem, em grande parte, de crédito, serviços, seguros e operações financeiras.

Isso se conecta diretamente ao bolso do brasileiro: financiamento imobiliário, cartão de crédito, crédito pessoal, consignado, financiamento de veículos, tarifas, seguros e investimentos.

No primeiro trimestre de 2026, o Itaú destacou crescimento no crédito imobiliário, cartão de crédito e consignado. A carteira total somou quase R$ 1,5 trilhão, mostrando a força do banco no financiamento de famílias e empresas.

Ou seja, quando um banco desse porte cresce, isso diz muito sobre o comportamento do crédito, do consumo e da economia.

ITUB4 é para comprar agora?

A resposta honesta é: depende do perfil, do preço pago e do objetivo do investidor.

Para quem busca dividendos e exposição ao setor bancário, Itaú aparece como uma empresa sólida, lucrativa e com histórico consistente. Mas isso não elimina riscos.

Antes de comprar, o investidor precisa observar:

o preço atual da ação;

o dividend yield realista, sem depender apenas de pagamentos extraordinários;

o lucro recorrente;

a inadimplência;

o cenário da Selic;

a concorrência com bancos digitais;

e o peso de bancos na carteira.

Também é essencial comparar ITUB4 com outras alternativas, como renda fixa, fundos imobiliários, outras ações de bancos e investimentos mais conservadores.

O principal alerta

O erro mais comum é olhar apenas para o dividendo e esquecer o preço da ação. Se o investidor compra caro, pode receber bons proventos e ainda assim ter retorno abaixo do esperado no longo prazo.

Outro ponto: bancos são altamente regulados. Mudanças em impostos, exigências de capital, regras do Banco Central ou aumento da inadimplência podem afetar lucros e dividendos.

Por isso, ITUB4 pode até continuar no radar de quem busca renda e crescimento, mas não deve ser tratada como investimento sem risco.

Fechamento

O Itaú chega a 2026 com números fortes, lucro bilionário e carteira de crédito gigantesca. Isso reforça a imagem de uma empresa relevante para investidores e para a economia brasileira.

Mas a decisão de investir em ITUB4 precisa ir além do lucro recorde. O investidor deve olhar preço, dividendos recorrentes, cenário de juros e riscos do setor.

No fim, o dado de R$ 46,8 bilhões impressiona. Mas, para o bolso do brasileiro, o que realmente importa é saber se o retorno esperado compensa o risco assumido.

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Eduardo Martins
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Eduardo Martins é planejador financeiro certificado (CFP®) e consultor de investimentos, com mais de 10 anos de experiência no mercado financeiro. Na A Revista, explica renda fixa, fundos imobiliários, dividendos, simulações de quanto rende e planejamento financeiro. Apresenta premissas, custos, tributação e riscos, sem converter cenários em promessa de retorno.

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