Os principais bancos negociados na Bolsa brasileira chegam à temporada de balanços com perspectivas bastante diferentes para lucros, rentabilidade e distribuição de dividendos.
Enquanto Bradesco e Santander aparecem com rendimentos estimados próximos de 9%, o Itaú continua apresentando a maior capacidade de geração de lucro do setor. O Banco do Brasil, por outro lado, ainda enfrenta os efeitos da inadimplência no agronegócio, do aumento das provisões e da redução da rentabilidade.
Na última semana considerada pelo levantamento, as ações apresentaram oscilações moderadas: Itaú avançou 0,38%, Bradesco subiu 0,94%, Banco do Brasil recuou 0,44% e Santander caiu 0,37%.
Bradesco pode liderar os dividendos recorrentes
O Bradesco aparece como um dos principais destaques para investidores interessados em renda. Considerando um lucro anual próximo de R$ 26 bilhões e um payout estimado em 60%, o banco poderia distribuir cerca de R$ 1,47 por ação.
Com base na cotação utilizada na projeção, o dividend yield poderia superar 9%. O percentual colocaria o Bradesco à frente dos demais grandes bancos quando considerados apenas os pagamentos recorrentes.
A expectativa para o segundo trimestre também é positiva. As projeções apontam lucro entre R$ 6,80 bilhões e R$ 7,10 bilhões, com retorno sobre o patrimônio próximo de 16,10%.
Caso mantenha o ritmo de recuperação, o Bradesco poderia encerrar 2026 com lucro ao redor de R$ 27,80 bilhões, um dos melhores resultados de sua história recente.
Itaú pode distribuir dividendos extraordinários
O Itaú segue como o banco mais lucrativo e rentável entre as grandes instituições financeiras da Bolsa. A estimativa apresentada considera lucro anual próximo de R$ 52 bilhões e payout de 72%.
Nesse cenário, os proventos poderiam alcançar aproximadamente R$ 3,40 por ação, representando dividend yield recorrente de cerca de 7,54%.
O rendimento pode superar 10% caso o banco aprove uma distribuição extraordinária. Esse pagamento adicional, entretanto, ainda depende de decisão da administração e não deve ser tratado como garantido.
Para o segundo trimestre, o mercado trabalha com lucro entre R$ 12,33 bilhões e R$ 12,70 bilhões. A rentabilidade sobre o patrimônio pode se aproximar de 25%, mantendo o Itaú como referência operacional do setor.
Banco do Brasil ainda enfrenta cenário desafiador
O Banco do Brasil apresenta a menor projeção de dividendos entre os quatro bancos analisados. Com lucro estimado em R$ 17,80 bilhões e payout de 30%, o pagamento poderia ficar próximo de R$ 0,94 por ação.
O dividend yield projetado seria de aproximadamente 4,60%, bem abaixo dos níveis observados durante os anos de maior lucratividade.
Para o segundo trimestre, as previsões indicam lucro entre R$ 3,50 bilhões e R$ 3,90 bilhões. O resultado continuaria pressionado pela inadimplência rural, pelas provisões para perdas e pela menor rentabilidade das operações de crédito.
A recuperação pode ganhar força em 2027, conforme avancem as renegociações de dívidas do agronegócio. As projeções citadas apontam lucro de até R$ 24 bilhões, embora uma estimativa mais cautelosa fique próxima de R$ 22 bilhões.
Santander segue descontado e pode render quase 9%
O Santander também aparece entre os bancos com maior potencial de dividendos. Com lucro projetado de R$ 15,60 bilhões e payout estimado em 55%, o pagamento poderia atingir R$ 1,14 por ação.
O rendimento calculado com base na cotação analisada ficaria próximo de 9%.
Para o segundo trimestre, as estimativas variam entre R$ 3,30 bilhões e R$ 4,10 bilhões. Mesmo com uma possível desaceleração, o banco continuaria negociando por múltiplos inferiores aos de parte dos concorrentes.
Comparação das projeções para os bancos
| Banco | Lucro anual estimado | Payout estimado | Dividendo por ação | Dividend yield estimado |
|---|---|---|---|---|
| Itaú | R$ 52,00 bilhões | 72% | R$ 3,40 | 7,54% |
| Bradesco | R$ 26,00 bilhões | 60% | R$ 1,47 | Acima de 9% |
| Banco do Brasil | R$ 17,80 bilhões | 30% | R$ 0,94 | 4,60% |
| Santander | R$ 15,60 bilhões | 55% | R$ 1,14 | Próximo de 9% |
Endividamento pode pressionar o setor bancário
Apesar das oportunidades, o cenário macroeconômico exige cautela. O elevado comprometimento da renda das famílias, a inadimplência no agronegócio e o crescimento dos pedidos de recuperação judicial podem elevar as perdas com crédito.
Os bancos mais eficientes, bem capitalizados e capazes de controlar provisões tendem a atravessar esse período com maior segurança. Já as instituições mais expostas aos segmentos pressionados podem apresentar resultados abaixo do esperado.
As projeções de dividendos dependem da confirmação dos lucros, das decisões dos conselhos de administração e das condições econômicas. Portanto, os números apresentados são estimativas e não representam garantia de pagamento ou recomendação de investimento.
Quer saber tudo
o que está acontecendo?
Receba todas as notícias da A Revista no seu WhatsApp.
Entre em nosso grupo e fique bem informado.






