No mundo dos investimentos, poucas situações despertam tanta atenção quanto uma ação que alia fundamentos sólidos, forte geração de caixa e dividendos elevados. Esse é o caso da Grendene (GRND3). Apesar de suas ações terem se valorizado apenas 1,5% nos últimos 12 meses, a empresa distribui dividend yield superior a 11%, mantém dívida líquida negativa e ostenta marcas icônicas como Melissa, Rider e Ipanema.
Do outro lado, temos a Vulcabras (VULC3), que acumula alta de mais de 30% no mesmo período, impulsionada por estratégias de crescimento e valorização de mercado. A comparação entre as duas levanta uma questão crucial: será que o mercado está ignorando uma oportunidade em Grendene?
Dividendos: Grendene é mais consistente
A Grendene se destaca como uma das maiores pagadoras de dividendos da bolsa brasileira. Com dividend yield acima de 11% em 2025, a companhia mantém uma política conservadora, distribuindo cerca de 60% de seu lucro líquido (payout).
Nos últimos cinco anos, apresentou uma média histórica de dividendos superior à Vulcabras, que só recentemente iniciou uma distribuição mais robusta. Essa consistência faz diferença para quem busca renda passiva de longo prazo.
Dividend yield Grendene 2025: acima de 11%
Dividend yield Vulcabras 2025: cerca de 9%
Histórico: Grendene distribui dividendos relevantes há décadas; Vulcabras ainda é iniciante nesse caminho
Precificação: ação barata frente aos fundamentos
Apesar do desempenho modesto em bolsa, a Grendene aparece entre as ações mais baratas da B3 quando analisada por indicadores de valuation.
Preço/Lucro (P/L): abaixo do mercado e inferior ao da Vulcabras
Preço/Valor Patrimonial (P/VP): negociada com desconto, enquanto a concorrente já reflete múltiplos mais elevados
Ranking B3: 13ª entre as ações mais baratas para dividendos
Esse descompasso mostra que a Grendene ainda tem margem para valorização. O mercado precifica seus riscos de curto prazo, mas ignora o potencial de longo prazo.
Resultados e crescimento operacional
Os números da Grendene reforçam o contraste entre preço e fundamentos. A empresa apresenta crescimento consistente em receitas e lucros.
Lucro líquido trimestral: R$ 143 milhões, alta de 244% frente ao ano anterior
Resultado financeiro: positivo em R$ 84 milhões, avanço de 166%
Lucro semestral: crescimento de 42% nos dois primeiros trimestres de 2025
Parte desse avanço veio de ganhos em equivalência patrimonial, revertendo prejuízo no ano anterior, além de geração operacional sólida.
Enquanto isso, a Vulcabras tem mostrado valorização em bolsa, mas sem a mesma expansão consistente nos resultados financeiros.
Diversificação e marcas fortes
A Grendene conta com um portfólio de mais de 50 marcas, sendo dona de ícones como Melissa, Rider e Ipanema. Essa diversificação permite atingir diferentes públicos e mitiga riscos de concentração em um único segmento.
Já a Vulcabras foca mais no mercado esportivo, com marcas conhecidas, mas menos diversificação.
Além disso, a Grendene tem presença internacional:
Brasil: 82% da receita
América do Sul, Europa, Ásia e América do Norte: fatias menores, mas em expansão
Esse alcance global amplia as oportunidades de crescimento.
Endividamento: o trunfo da Grendene
Enquanto muitas empresas do varejo sofrem com dívidas elevadas em um cenário de juros altos, a Grendene se destaca pela solidez financeira:
Caixa disponível: R$ 1,4 bilhão
Dívida bruta: R$ 86 milhões
Dívida líquida: negativa em mais de R$ 1,3 bilhão
Essa estrutura garante não apenas segurança, mas também receitas financeiras extras. Em um cenário de Selic alta, a empresa ganha com aplicações de caixa, reduzindo custos financeiros.
A Vulcabras, por sua vez, planeja aumentar o endividamento para financiar investimentos. Essa estratégia pode gerar crescimento, mas também adiciona riscos.
Por que o mercado ignora a Grendene?
Apesar de seus números robustos, a ação da Grendene não acompanha o desempenho da companhia. O motivo está ligado ao cenário macroeconômico: empresas de varejo são sensíveis à inflação alta e à Selic em patamares elevados.
Investidores, no curto prazo, tendem a preferir empresas de crescimento acelerado, como a Vulcabras, em vez de companhias mais estáveis. O resultado é um descompasso entre fundamentos e preço de mercado, que pode representar janela de oportunidade para quem busca ativos subavaliados.
Tabela comparativa: Grendene x Vulcabras
| Indicador | Grendene (GRND3) | Vulcabras (VULC3) |
|---|---|---|
| Valorização 12 meses | +1,5% | +34% |
| Dividend yield projetado | 11% | 9% |
| Payout | 60% (conservador) | Mais recente |
| Caixa líquido | R$ 1,4 bi | Menor que dívida |
| Endividamento | Dívida líquida negativa | Em expansão |
| Lucro líquido trimestral | R$ 143 milhões (+244%) | Crescimento moderado |
| Diversificação | Mais de 50 marcas | Foco em esportivos |
Ao comparar Grendene e Vulcabras, vemos duas estratégias distintas. A Vulcabras cresce em valorização de mercado e busca acelerar com endividamento e expansão. Já a Grendene entrega fundamentos sólidos, dividendos elevados, dívida negativa e marcas fortes, mas é ignorada pelo mercado no curto prazo.
Para o investidor que busca renda passiva, segurança financeira e potencial de valorização futura, a Grendene parece ser uma escolha mais atrativa. A atual discrepância entre resultados e preço das ações pode ser justamente a oportunidade que diferencia quem investe com foco em fundamentos de quem segue apenas o movimento de mercado.
Quer saber tudo
o que está acontecendo?
Receba todas as notícias da A Revista no seu WhatsApp.
Entre em nosso grupo e fique bem informado.






