A possibilidade real de que os dividendos passem a ser tributados em 2026 está movimentando as empresas listadas na Bolsa de Valores. Segundo relatório do BTG Pactual, várias companhias estudam anunciar dividendos extraordinários, antecipando pagamentos que seriam realizados nos próximos anos — em alguns casos, esses proventos podem chegar a 20% do valor investido.
A estratégia visa aproveitar a isenção vigente até o fim de 2025, quando lucros acumulados e reservas de lucro ainda seguem sob a regra anterior. Para isso, as empresas precisam anunciar os dividendos neste exercício, garantindo que o pagamento, mesmo que ocorra em 2026, continue isento de tributação.
ISA Energia é o exemplo mais emblemático
Entre as empresas com maior potencial para antecipar proventos, a ISA Energia se destaca. A companhia apresenta fluxo de caixa previsível, reservas de lucro robustas e baixo risco operacional, o que permite antecipar parte dos dividendos futuros.
Mesmo com níveis moderados de alavancagem e projetos de expansão em andamento, o BTG considera que a ISA Energia poderia distribuir até 13% em dividendos extraordinários, além do pagamento regular referente ao lucro de 2025.
Esse movimento, segundo analistas, não comprometeria o balanço da companhia, já que parte dos recursos viria das reservas acumuladas — uma prática permitida pela legislação vigente.
Setor elétrico lidera lista de potenciais pagadoras
O relatório do BTG indica que o setor de utilidade pública (energia e saneamento) está entre os mais propensos a anunciar dividendos adicionais, devido à previsibilidade de receitas e margens estáveis.
As quatro principais empresas com potencial elevado são:
Copel (CPLE6): até 14% em dividendos extraordinários;
ISA Energia: cerca de 13%;
Energisa (ENGI11): 11%;
Eletrobras (ELET3): 10%.
Essas companhias possuem baixo endividamento relativo, reservas consistentes e planos de investimentos sob controle, fatores que aumentam a capacidade de distribuir lucros sem comprometer a saúde financeira.
Telecomunicações e indústria também entram na corrida
Além do setor elétrico, o BTG destaca empresas de telecomunicações e tecnologia com potencial de pagamentos elevados.
A TIM (TIMS3), por exemplo, pode distribuir até 12%, enquanto a Unifique (FIQE3) pode chegar a 19%. Ambas contam com endividamento controlado e resultados crescentes, sustentando dividendos regulares e extras.
No segmento industrial, a Intelbras (INTB3) aparece com projeção de 13%, reforçando o otimismo entre investidores de longo prazo.
Construção civil, siderurgia e celulose completam o grupo
O relatório ainda menciona empresas do setor de construção civil — como Direcional (DIRR3), Cirela (CYRE3), Lavvi (LAVV3) e EZTEC (EZTC3) — com dividendos entre 9% e 17%, embora o setor apresente maior volatilidade e ciclos curtos de alta.
Na siderurgia, Gerdau (GGBR4) e Usiminas (USIM5) também figuram entre as potenciais pagadoras. A holding da Gerdau (Gerdau Metais) pode chegar a 20% em proventos, aproveitando seu caixa e posição estratégica no mercado externo. Já no setor de papel e celulose, a Irani (RANI3) vem se destacando com crescimento de lucros e expectativa de 10% em dividendos.
Dividendos extraordinários: oportunidade e risco
O movimento de antecipação de dividendos traz um duplo impacto ao mercado. No curto prazo, o pagamento extra tende a estimular o apetite dos investidores e valorizar as ações. Contudo, a distribuição antecipada pode reduzir os proventos de 2026, já que parte do caixa será consumida em 2025.
Ainda assim, analistas avaliam que o momento é favorável para quem busca renda passiva, especialmente em companhias com histórico consistente de lucros, baixa alavancagem e forte geração de caixa.
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