A nova rodada de proventos que serão pagos nesta semana chamou a atenção dos investidores que acompanham o calendário de dividendos e juros sobre capital próprio (JCP) das principais empresas listadas na B3. No radar estão JHSF, Greendane, Odontoprev, Banco do Brasil e Gerdau, cada uma apresentando resultados, indicadores e perspectivas que podem influenciar o mercado nos próximos meses.
A análise levanta pontos fundamentais para quem investe com foco em renda passiva, incluindo yield, PL, valor patrimonial, desempenho histórico e os impactos possíveis da trajetória da Selic em 2024 e 2025.
JHSF (JHSF3): dividendos fortes em 12 meses e indicadores atrativos
A JHSF, empresa voltada para shopping centers, incorporação e ativos premium, pagou nos últimos 12 meses R$ 4,93 por ação, entregando um dividend yield próximo de 100% neste período desempenho que chama atenção, mesmo com o pagamento já realizado em 09/12.
Apesar do provento já ter sido creditado, os indicadores reforçam o interesse do mercado:
- Margens elevadas devido ao modelo de negócios concentrado em ativos de alta rentabilidade;
- ROE acima da média do setor;
- CAGR sólido nos últimos 5 anos;
- P/VP descontado e PL competitivo, sugerindo potencial para investidores que estudam fundamentos.
A JHSF segue como um case que divide analistas, mas números robustos reforçam a tese para estudo mais aprofundado.
Greendane (GRND3): dividendos consistentes e PL abaixo da média histórica
Nos últimos 12 meses, a Greendane distribuiu R$ 0,50 por ação, representando um yield em torno de 9,4% — atrativo para uma companhia do setor de calçados e consumo.
Os indicadores chamam atenção:
- PL atual abaixo da média histórica, sugerindo ativo descontado;
- Durante ciclos de Selic baixa, como em 2019–2020, a ação “bombou”, indicando correlação com apetite de risco do mercado.
Para esta semana, a companhia pagará R$ 0,06 de JCP em 10/12 (com retenção de IR), reforçando sua política consistente de distribuição.
Odontoprev (ODPV3): PL mais baixo da história e pagamentos frequentes
A Odontoprev apresentou um robusto yield de 6,5% nos últimos 12 meses, sustentado por um modelo de negócios enxuto e margens elevadas.
Pontos que se destacam no valuation:
- PL atual em 11x, o menor desde 2011;
- Média histórica do PL da empresa é 22,7 ou seja, a ação está negociada a um dos múltiplos mais descontados de sua história;
- ROE forte, mesmo com cenário macro desafiador.
A companhia confirmou o pagamento de JCP no dia 10/12, mantendo sua tradição de retornos previsíveis ao investidor.
Banco do Brasil (BBAS3): proventos menores, queda forte na cotação e PL ainda atrativo
O Banco do Brasil passou por meses sem distribuição de dividendos, o que afetou o yield dos últimos 12 meses. Porém, com a cotação caindo de R$ 29,30 para R$ 18,35, o banco passou a chamar atenção por valuation:
- PL atual de 7,74, alinhado à sua média histórica;
- ROE abaixo da Selic, reflexo da pressão na operação de crédito;
- Período recente oferece “janelas de compra” consideradas atrativas por analistas fundamentalistas.
O banco pagará dois proventos nesta semana:
- JCP em 11/12;
- JCP adicional em 12/12;
Totalizando R$ 0,10 por ação, já descontado o IR.
Gerdau (GGBR4): dividendos modestos, mas ativo segue barato no valor patrimonial
A Gerdau não teve um dos dividendos mais expressivos do ano, mas ainda assim permanece atrativa pelo conjunto de indicadores:
- Preço sobre valor patrimonial de 0,70 investidores “pagam R$ 0,70 por cada R$ 1 da empresa”;
- PL de 12,72, ligeiramente acima da média, mas ainda competitivo;
- Oportunidades de compra em abril permitiram que investidores acumulassem até 40% de valorização, além de dobrar o rendimento sobre dividendos.
O pagamento confirmado para esta semana é de R$ 0,28 por ação, equivalente a cerca de 1,5% de yield na cotação atual.
A semana promete movimentação relevante no fluxo de caixa dos investidores que buscam renda passiva. Embora os valores variem entre JCP e dividendos, o mais importante não é o pagamento isolado, mas sim:
- fundamentos consistentes,
- valuation justo,
- histórico de pagamentos,
- e a capacidade de crescimento no longo prazo.
Com Selic em tendência de queda, vários setores podem reagir de forma positiva elevando cotações e reduzindo yields, cenário que exige disciplina de compra e foco na estratégia.
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