O COIN11 voltou ao centro das discussões entre investidores da B3 após registrar forte volatilidade nas últimas semanas. O ETF, que combina exposição indireta ao Bitcoin com estratégia ativa de venda de opções para geração de renda, mantém pagamentos mensais relevantes, mas acumula desvalorização expressiva na cota em 12 meses.
A proposta do fundo é clara: gerar fluxo recorrente por meio da venda estruturada de opções sobre Bitcoin, distribuindo os prêmios como dividendos mensais. O objetivo gira em torno de aproximadamente 2% ao mês sobre o valor de mercado da cota, embora esse percentual varie conforme as condições do mercado.
Dados atualizados do COIN11
Abaixo, os principais números recentes do ETF:
| Indicador | Dado Atual |
|---|---|
| Cotação aproximada | R$ 47,00 – R$ 50,00 |
| Patrimônio líquido | ~R$ 285 milhões |
| Variação em 12 meses | -30% a -50% (dependendo do ponto de comparação) |
| Dividend yield anualizado | ~30% a 37% |
| Último dividendo mensal | ~R$ 1,40 por cota |
| Taxa de administração | 0,98% ao ano |
Os números mostram um contraste claro: rendimento elevado via dividendos, mas queda relevante na cotação.
Por que a cota caiu tanto?
O COIN11 foi lançado próximo ao topo de um ciclo do Bitcoin e em um período de dólar valorizado. Desde então, dois fatores pressionaram o desempenho:
Correção significativa do Bitcoin após forte ciclo de alta
Oscilações cambiais que reduziram o impacto positivo do ativo para investidores brasileiros
Como o ETF não replica o Bitcoin ponto a ponto, mas utiliza estratégia de venda de opções (calls e puts), o fundo capta prêmios em mercados laterais ou moderadamente voláteis. No entanto, quedas intensas do ativo base impactam diretamente o valor da cota.
Dividendos ajudam a amortecer o retorno total negativo, mas não impedem a desvalorização da cota.
O crescimento do patrimônio mesmo com queda
Mesmo com a queda na cotação, o patrimônio do fundo apresentou expansão ao longo do tempo, impulsionado principalmente por aportes institucionais. Investidores institucionais podem adquirir cotas diretamente com base no valor patrimonial diário, o que contribui para o aumento do patrimônio líquido independentemente da negociação no mercado secundário.
Porém, em dias de forte queda do Bitcoin, o impacto no valor dos ativos do fundo se reflete imediatamente no patrimônio, como já ocorreu em episódios recentes, quando o fundo registrou redução de mais de R$ 30 milhões em apenas um dia.
COIN11 x ETF tradicional de Bitcoin
Uma comparação prática ajuda a entender o cenário.
Simulação com aporte único de R$ 1.000 há 12 meses:
| Produto | Valor estimado atual |
|---|---|
| ETF tradicional de Bitcoin | ~R$ 800 |
| COIN11 (incluindo dividendos) | ~R$ 840 a R$ 880 |
Mesmo com queda relevante da cota, o COIN11 apresentou prejuízo total ligeiramente menor que ETFs tradicionais, devido à distribuição mensal de dividendos.
Isso não significa proteção contra perdas, mas redução parcial do impacto.
Estratégia de preço médio faz diferença
Investidores que optaram por aportes mensais diluíram o risco de comprar no topo. Considerando compras fracionadas ao longo de um ano:
Preço médio estimado: R$ 65 a R$ 70
Cotação recente: abaixo de R$ 50
Ainda há perda na cota, mas significativamente menor do que quem concentrou a compra próxima de R$ 90 ou R$ 100.
O fluxo de dividendos também ajuda no fator psicológico, mas não altera o risco estrutural do ativo.
Principais riscos do COIN11
Antes de investir ou aumentar posição, é essencial considerar:
Alta volatilidade do Bitcoin
Exposição cambial
Dividendos variáveis (caem quando a cota cai)
Limitação de ganhos em ciclos de forte alta do Bitcoin
Produto não é renda fixa
Para investidores mais arrojados, a exposição a criptomoedas costuma variar entre 1% e 5% do patrimônio total, justamente por conta do risco elevado.
Vale a pena investir no COIN11 agora?
O COIN11 não é um ETF tradicional de replicação passiva. Trata-se de uma estratégia híbrida: exposição ao Bitcoin combinada com geração de renda via derivativos.
O investidor precisa decidir se o objetivo é:
Renda mensal com alta volatilidade
Exposição especulativa ao Bitcoin
Diversificação alternativa dentro da carteira
A conclusão é clara: o COIN11 pode fazer sentido como posição complementar e limitada dentro do portfólio, mas não substitui renda fixa e não elimina o risco de perdas relevantes.
Entender o funcionamento da estratégia e o peso da posição na carteira é o que diferencia uma decisão consciente de uma aposta baseada apenas no dividendo mensal.
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