A CSN Mineração voltou ao centro das atenções na Bolsa depois de uma recuperação expressiva de suas ações. Depois de negociar próximo de R$ 4,14 no início de julho, CMIN3 chegou a tocar R$ 7,03 em 9 de setembro, aproximando-se novamente da região dos R$ 7.
No pregão de 10 de setembro, o papel encerrou próximo de R$ 7, segundo dados históricos de mercado. Isso representa uma recuperação superior a 60% em relação às mínimas recentes.
A valorização, porém, não depende apenas da expectativa por dividendos. Recompra de ações, melhora na percepção sobre o minério de ferro e uma estrutura de capital ainda pouco alavancada também ajudam a explicar por que CMIN3 recuperou espaço rapidamente.
CMIN3 saiu de R$ 4 para perto de R$ 7
A recuperação começou a ganhar força depois das mínimas registradas em julho. A transcrição utilizada como ponto de partida destaca aumento do volume comprador e redução das posições alugadas, indicadores frequentemente acompanhados por investidores para medir pressão vendedora sobre uma ação.
O movimento ganhou outro impulso com a política de recompra da própria mineradora.
A CSN Mineração iniciou em maio um programa para adquirir até 50 milhões de ações. Depois de consumir praticamente todo esse limite, o conselho ampliou o programa em julho para até 100 milhões de ações.
Uma recompra não garante valorização, mas reduz a quantidade potencial de papéis disponíveis no mercado e demonstra que a administração considera estratégico utilizar parte do caixa para adquirir ações da própria companhia.
Resultado mostra baixa alavancagem, mas margens pressionadas
Os números mais recentes ajudam a explicar por que o mercado permanece dividido.
No segundo trimestre, a CSN Mineração registrou lucro líquido de R$ 219,4 milhões, alta de 89% em relação ao mesmo período anterior. A alavancagem permaneceu baixa, em 0,23 vez, enquanto o Ebitda ajustado alcançou aproximadamente R$ 1 bilhão.
Ao mesmo tempo, alguns indicadores mostram que não existe espaço para assumir automaticamente que dividendos elevados serão mantidos.
| Indicador do 2T26 | Resultado |
|---|---|
| Lucro líquido | R$ 219,4 milhões |
| Ebitda ajustado | R$ 1,0 bilhão |
| Margem Ebitda ajustada | 35,5% |
| Receita líquida ajustada | R$ 2,87 bilhões |
| Vendas de minério | 11,85 milhões t |
| Alavancagem | 0,23x |
| Programa de recompra | até 100 milhões de ações |
A receita líquida ajustada caiu 15,8% na comparação anual, para R$ 2,87 bilhões, afetada principalmente pelo câmbio e pelo aumento do custo do frete marítimo. O lucro bruto caiu 25,9%, enquanto a margem bruta recuou para 26,6%.
Isso mostra que a empresa mantém um balanço relativamente confortável, mas continua exposta a variáveis que fogem de seu controle.
Dividendos de CMIN3 podem aumentar?
É justamente aqui que está o principal ponto de atenção.
O estatuto da companhia prevê dividendo obrigatório correspondente a 25% do lucro líquido ajustado, embora historicamente a CSN Mineração já tenha distribuído percentuais maiores. A transcrição usa esse piso para construir um cenário teórico de aproximadamente R$ 0,36 por ação, mas esse número não representa guidance nem dividendo anunciado pela companhia.
O histórico oficial confirma que os pagamentos podem variar bastante. Em abril, foram aprovados aproximadamente R$ 768,6 milhões, equivalentes a R$ 0,14149 por ação, referentes ao exercício de 2025.
Portanto, qualquer estimativa de novos proventos deve ser tratada apenas como cenário.
O resultado do 3T26 será a próxima grande referência
O próximo evento que pode alterar significativamente essa discussão já tem data.
A CSN Mineração programou a divulgação dos resultados do terceiro trimestre para 10 de novembro, seguida da teleconferência em 11 de novembro.
O balanço permitirá avaliar se a companhia conseguiu manter volumes elevados, recuperar margens e preservar caixa depois das recompras.
Esses números serão particularmente importantes porque CMIN3 já passou por forte valorização. Quanto mais a cotação sobe, menor tende a ser o dividend yield futuro para um mesmo valor distribuído.
Minério de ferro continua sendo peça central
A capacidade de pagamento também continuará diretamente relacionada ao minério de ferro.
No segundo trimestre, a referência internacional utilizada pela companhia teve preço médio de US$ 105,29 por tonelada, acima dos US$ 97,76 observados um ano antes. Em contrapartida, o frete marítimo subiu significativamente e reduziu parte do benefício obtido com a commodity.
A CSN Mineração vendeu 11,85 milhões de toneladas no trimestre, quarto maior volume de sua história, mesmo enfrentando parada programada de manutenção.
O que acompanhar agora em CMIN3
O cenário para CMIN3 reúne elementos positivos e riscos claros. A baixa alavancagem, o programa de recompra e o elevado volume operacional dão suporte à tese. Por outro lado, câmbio, frete, capex e preço do minério podem alterar rapidamente a geração de caixa.
Por isso, o principal gatilho agora deixa de ser apenas a recuperação da ação e passa a ser quanto caixa a mineradora conseguirá gerar no segundo semestre e quanto desse dinheiro efetivamente poderá chegar aos acionistas.
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