A Cemig voltou ao centro das atenções do mercado. Após um período de pressão nos resultados e incertezas regulatórias, a companhia energética mineira entra em 2026 com uma combinação que costuma atrair investidores: simplificação societária, controle maior sobre ativos estratégicos, recomendação construtiva de casas de análise e expectativa de dividendos elevados.
Mas o que, de fato, mudou na empresa? E principalmente: os dividendos acima de 15% são sustentáveis?
Simplificação societária: arrumando a casa para crescer
A estatal mineira anunciou a compra de 51% remanescentes de participação em uma hidrelétrica, assumindo controle integral do ativo. O movimento, embora de valor relativamente pequeno frente ao porte da companhia (cerca de R$ 36 milhões), foi interpretado como estratégico.
O objetivo é claro:
Reduzir estruturas societárias compartilhadas
Aumentar eficiência operacional
Centralizar decisões
Gerar valor para o acionista
No dia do anúncio, as ações chegaram a avançar mais de 2%, sinalizando leitura positiva do mercado.
A Cemig vem deixando claro que não pretende mais dividir decisões relevantes onde não possui controle total.
Quem é a Cemig hoje?
Fundada em 1952, a companhia atende mais de 9,5 milhões de clientes em 774 municípios mineiros, sendo uma das maiores distribuidoras do Brasil.
Atua em cinco frentes:
Distribuição
Geração
Transmissão
Comercialização de energia
Gás natural
É uma empresa regulada, com receitas previsíveis, mas também exposta a fatores hidrológicos, custos financeiros e revisões tarifárias.
Por que o lucro caiu e o mercado não penalizou tanto?
No 3º trimestre de 2025, o lucro recuou mais de 30% na comparação anual. Os principais fatores:
1. Mercado Livre de Energia
A empresa precisou honrar contratos de compra a preços elevados, enquanto a revenda não compensou, impactando negativamente o EBITDA.
2. GSF (Garantia Física)
A geração hidrelétrica foi afetada. O índice GSF caiu para 0,65, gerando custo adicional de aproximadamente R$ 96 milhões.
3. Juros elevados
Com a Selic em torno de 15%, o custo financeiro pressionou o resultado.
Mesmo assim, o mercado começou a precificar a melhora estrutural de médio e longo prazo.
Maior plano de investimentos da história
A Cemig anunciou um plano robusto:
R$ 44 bilhões até 2030
Apenas em 2026: R$ 6,7 bilhões
Distribuição dos investimentos em 2026:
R$ 5,2 bilhões em distribuição
R$ 375 milhões em geração distribuída
R$ 227 milhões em gás natural
R$ 25 milhões em outros projetos
No curto prazo, isso pressiona o fluxo de caixa.
No médio e longo prazo, amplia a base tarifária e aumenta receitas futuras.
A próxima revisão tarifária está prevista para maio de 2028 — ponto-chave para destravar valor.
Risco de alavancagem: ponto de atenção
A dívida líquida/EBITDA deve subir:
3,2x (2025)
3,5x (2026 e 2027)
Existe cláusula de covenant limitando a 3x até junho de 2026, com margem estreita. A empresa pretende alongar dívida e emitir debêntures para manter equilíbrio.
O fluxo de caixa livre deve permanecer negativo até 2027, voltando ao positivo apenas em 2028.
Concessões que vencem: risco ou oportunidade?
Três usinas importantes vencem:
Sá Carvalho (ago/2026)
Nova Ponte (ago/2027)
Emborcação (mai/2027)
Juntas, representam mais da metade da capacidade hidrelétrica e cerca de R$ 900 milhões de lucro operacional.
Há parecer técnico favorável à renovação, mas ainda depende de aprovação final.
Indicadores atualizados da ação CMIG4
Cotação aproximada: R$ 11,87
Valorização 12 meses: +17,17%
| Indicador | Valor |
|---|---|
| P/L | 8,45 |
| P/VP | +18% |
| Dividend Yield | 14,16% |
| Dividendos pagos 2025 | R$ 1,65 por ação |
| Média 5 anos | 11,93% ao ano |
Comparativo setor:
P/L médio setor: 8,19
DY médio setor: 4,16%
Cemig paga cerca de 10 pontos percentuais acima da média.
Análise técnica: tendência clara de alta
No gráfico semanal:
Rompimento confirmado em R$ 11,75
Próximo alvo: R$ 12,25
Suporte relevante: R$ 11,23
Perda de R$ 11,17 pode levar a R$ 10,62 – R$ 10,38
A tendência de médio prazo permanece altista, com fundo ascendente.
Projeção de dividendos para 2026
Lucro projetado: R$ 4,49 bilhões
Payout estimado: 65%
DPA estimado: R$ 1,71
Possibilidade de alcançar: R$ 1,80
Se confirmado, o dividend yield pode superar 15%.
Existe expectativa de anúncio complementar entre 10 e 15 centavos por ação nos próximos meses.
Preço teto (metodologia por faixa de yield)
| Yield Desejado | Preço Teto |
|---|---|
| 4% | R$ 42,88 |
| 6% | R$ 28,58 |
| 8% | R$ 21,44 |
| 10% | R$ 17,15 |
Pela fórmula de Graham, preço justo estimado: R$ 17,78, implicando potencial superior a 40%.
Recomendação do mercado
Antes da divulgação do 4T25, a recomendação predominante é manter, com preço-alvo em R$ 12,50.
Contudo, várias casas vêm adotando postura mais construtiva para 2026, especialmente diante do controle maior sobre ativos e do plano de expansão.
Cemig está em bom momento?
A companhia atravessa um período de transição:
Curto prazo: pressão de caixa e aumento da dívida
Médio prazo: expansão da base tarifária
Longo prazo: geração potencialmente maior de dividendos
Com P/L descontado, dividend yield elevado e tendência técnica favorável, a Cemig entra no radar como ação de renda com possibilidade de valorização adicional.
O mercado já começa a precificar esse novo ciclo.
Agora a pergunta que fica é: o investidor está preparado para aproveitar antes do próximo anúncio de dividendos?
Quer saber tudo
o que está acontecendo?
Receba todas as notícias da A Revista no seu WhatsApp.
Entre em nosso grupo e fique bem informado.






