O Banco do Brasil voltou ao centro das atenções do mercado após suas ações recuarem para a região dos R$ 21, nível considerado atrativo por investidores que buscam exposição a grandes bancos com foco em dividendos e valor patrimonial.
Embora 2025 tenha sido um ano considerado fraco para a instituição, principalmente por conta do aumento das provisões para inadimplência, os números operacionais mostram que o banco segue rentável e financeiramente sólido. A estratégia de reforçar reservas impactou o lucro líquido no curto prazo, mas fortaleceu o balanço para os próximos ciclos.
Desconto relevante no valuation chama atenção do mercado
No atual patamar de preços, o Banco do Brasil negocia com indicadores historicamente baixos. O P/L em torno de 2,5 é um dos menores desde 2020, enquanto o P/VPA abaixo de 1 reforça o cenário de desconto frente ao valor patrimonial.
O valor patrimonial por ação (VPA) gira em torno de R$ 31,80, o que indica uma margem de segurança próxima de R$ 10 em relação à cotação atual. Para analistas fundamentalistas, esse nível de preço costuma atrair investidores de perfil mais paciente, focados em acumulação.
Lucro por ação segue elevado, apesar das provisões
Mesmo com um ano pressionado, o Banco do Brasil apresentou um lucro por ação (LPA) de R$ 8,41, o maior desde 2020. O dado reforça que a rentabilidade estrutural da instituição permanece forte, apesar do impacto contábil das provisões mais elevadas.
Além disso, o banco mantém números robustos em outros indicadores:
- Ativo por ação: R$ 43,12
- Receita por ação: R$ 85,56
Esses dados sustentam a visão de que o desempenho operacional não se deteriorou de forma estrutural.
Carteira de crédito diversificada sustenta perspectiva positiva
Embora o agronegócio siga como um dos principais pilares, o Banco do Brasil vem ampliando sua atuação em outros segmentos da carteira de crédito, incluindo operações corporativas e empresariais. A expectativa é que uma estabilização da inadimplência nesses setores contribua para a recuperação gradual do lucro.
Caso o banco reduza o nível de provisões ao longo de 2026, parte relevante desse lucro represado pode voltar a aparecer nos resultados, favorecendo tanto o desempenho financeiro quanto a distribuição de proventos.
Dividendos: 2026 pode marcar retomada gradual
Em 2025, o banco manteve pagamentos recorrentes, mas em patamar inferior ao observado em 2024. Considerando um lucro líquido projetado entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões em 2026 e um payout mínimo de 30%, as projeções indicam dividendos em torno de R$ 1,36 por ação, em um cenário conservador.
Caso o lucro supere as estimativas ou o banco reduza significativamente as provisões, esse valor pode ser maior, reacendendo o apelo da ação para investidores focados em renda passiva.
Oportunidade de longo prazo entra no radar dos investidores
Com mínima recente próxima dos R$ 18 e máxima em 52 semanas acima de R$ 30, a ação do Banco do Brasil volta a ser vista como uma possível “oportunidade de ouro” para quem investe com horizonte de longo prazo.
O consenso entre analistas é que 2026 pode marcar um ponto de inflexão, com melhora gradual da inadimplência, recuperação do lucro líquido e maior previsibilidade na distribuição de dividendos.
Cautela no curto prazo, otimismo no longo
Apesar dos desafios recentes, o Banco do Brasil segue apresentando fundamentos sólidos, forte geração de caixa e valuation descontado. Para investidores que aceitam volatilidade no curto prazo e buscam empresas rentáveis para compor carteira de longo prazo, a ação permanece no radar.
A decisão entre comprar agora ou aguardar novas quedas dependerá do perfil de risco, mas o cenário reforça que o banco continua sendo uma das principais referências do setor financeiro brasileiro.
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