A Lide (ALID3), gigante brasileira na distribuição de eletrônicos, passou a chamar atenção de investidores após anunciar devoluções de capital, pagamentos expressivos de dividendos e forte melhora na geração de caixa. A empresa atua com marcas de peso internacional, como Apple, Microsoft, Samsung, LG, Lenovo, Acer e Epson, além de representar a Samsung em mais de 100 pontos físicos no país.
No varejo, a companhia detém cerca de 10% do mercado de smartphones, 10% no segmento de videogames e 7% no segmento de notebooks, consolidando presença relevante em setores de alto consumo e margem competitiva.
Base acionária reduzida impulsiona ganhos ao investidor
Um dos fatores que tornam ALID3 atrativa é sua pequena base acionária, com cerca de 94,7 milhões de ações. Isso significa que cada pagamento ao investidor tem impacto mais significativo do que em empresas com centenas de milhões ou bilhões de papéis emitidos.
Em sua última operação, a empresa anunciou redução de capital de R$ 180 milhões, equivalente a R$ 1,90 por ação, com data de corte em 14 de novembro. Embora não seja classificada como dividendo, essa operação funciona como restituição direta ao acionista, agindo como uma espécie de “dividendo extraordinário”.
Dividendos explosivos: mais de 24% em 12 meses
Além da redução de capital, ALID3 realizou duas distribuições de valores relevantes neste ano:
R$ 0,65 por ação, pago antecipadamente em 29 de agosto;
R$ 0,74 por ação em JCP, também pago em 29 de agosto.
Somados, os valores movimentaram cerca de R$ 130 milhões. Nos últimos 12 meses, considerando dividendos e JCP, a empresa distribuiu aproximadamente R$ 2,30 por ação. Quando incluído o valor da redução de capital (R$ 1,90), o total chega a R$ 3,93 por ação.
Com base na cotação aproximada de R$ 8,36, o dividend yield real atinge cerca de 47%, desempenho raro na Bolsa brasileira.
Venda de créditos tributários abre espaço para nova distribuição
A Lide possuía créditos tributários no valor de R$ 890 milhões, mas optou por vendê-los e antecipar os recursos, recebendo cerca de R$ 300 milhões em caixa. Por possuir baixa alavancagem e forte geração de caixa, cresce a expectativa de que parte deste montante seja usada em novas devoluções ao acionista.
Caso a empresa destinasse todo o valor aos investidores, corresponderia a cerca de R$ 3,80 adicionais por ação. Somando esse possível valor aos R$ 3,93 já distribuídos, o total poderia atingir R$ 7,73 por ação, representando potencial de 84% de retorno, considerando dividendos e devoluções.
Trata-se de uma projeção hipotética, mas com alto grau de probabilidade diante da atual saúde financeira da companhia.
ALID3 sobe mais de 37% e ainda está fora do radar de grandes fundos
Após o anúncio de devoluções e pagamentos, ALID3 subiu de cerca de R$ 6,30 para R$ 9,50, acumulando alta próxima de 37%. Mesmo assim, a ação ainda não é foco de grandes instituições financeiras. A liquidez é moderada, com cerca de mil negociações somadas entre lote padrão e fracionário por dia. A maioria dos negócios vem de corretoras popularmente usadas por investidores de varejo, enquanto grandes fundos globais permanecem praticamente ausentes da ação.
Oportunidade para investidores de renda passiva
ALID3 une características raras: forte caixa, baixa alavancagem, base acionária enxuta e histórico agressivo de distribuição. Por esses motivos, a empresa desponta como possível “mina de dividendos” para investidores que buscam renda passiva e retornos acima da média.
Resta agora acompanhar os próximos capítulos: a empresa manterá seu ritmo de devoluções? Novas distribuições extraordinárias virão? O mercado está atento, e tudo indica que os dividendos podem ser apenas o começo.
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