A BYD atingiu a marca de 10 mil estações com carregadores ultrarrápidos de 1.500 kW na China. O sistema, chamado FLASH Charging, pode elevar a carga de uma bateria compatível de 10% para 70% em cinco minutos — tempo próximo ao necessário para abastecer um automóvel a gasolina.
A marca representa metade da meta anunciada pela fabricante para 2026. Até o fim do ano, a companhia pretende operar 20 mil estações no mercado chinês, sendo 18 mil em áreas urbanas e 2 mil instaladas ao longo de rodovias.
A rede já está presente em 325 cidades, segundo informações divulgadas pela empresa e repercutidas pelo site especializado Electrek. A expansão começou após a apresentação oficial da tecnologia, realizada em março de 2026.
Como funciona o carregador de 1.500 kW da BYD
O FLASH Charger consegue entregar até 1.500 kW — ou 1,5 megawatt — por meio de um único conector. A potência supera significativamente a encontrada na maioria dos carregadores públicos rápidos disponíveis atualmente.
Entretanto, o número máximo da estação não significa que qualquer carro elétrico possa receber essa potência. O veículo precisa contar com arquitetura elétrica, bateria, sistema de refrigeração e gerenciamento eletrônico preparados para suportar a transferência de energia.
O carregador foi desenvolvido para trabalhar em conjunto com a segunda geração da Blade Battery. Segundo a BYD, o conjunto permite os seguintes tempos de recarga:
- De 10% a 70% em cinco minutos;
- De 10% a 97% em nove minutos;
- De 20% a 97% em 12 minutos sob temperatura de até 30 graus Celsius negativos.
Esses resultados foram divulgados pela própria fabricante e se aplicam a veículos compatíveis, em condições controladas. O tempo real pode variar conforme temperatura, estado da bateria, modelo utilizado e capacidade da estação.
A tecnologia incorpora armazenamento de energia de alta capacidade na própria estação. A solução ajuda a reduzir o impacto dos picos de potência sobre a rede elétrica local, embora a instalação continue exigindo uma infraestrutura muito mais robusta do que a necessária para carregadores convencionais.
E os 400 quilômetros em cinco minutos?
A promessa de recuperar aproximadamente 400 quilômetros de autonomia em cinco minutos surgiu em 2025, quando a BYD apresentou a primeira geração de sua tecnologia de recarga de 1.000 kW.
No sistema de 1.500 kW anunciado em 2026, a fabricante passou a divulgar principalmente a variação percentual da bateria: de 10% a 70% no mesmo intervalo de cinco minutos.
Portanto, não é correto afirmar que todos os carros conectados ao novo carregador receberão exatamente 400 quilômetros de alcance. A autonomia recuperada depende da capacidade da bateria, do consumo do veículo e do ciclo de medição utilizado.
A própria BYD informa que determinados automóveis equipados com a Blade Battery 2.0 podem superar 1.000 quilômetros de autonomia no ciclo chinês CLTC. Esse padrão costuma produzir números diferentes dos ciclos adotados na Europa e no Brasil, o que impede uma comparação direta.
Carregamento rápido depende também da bateria
Entregar 1.500 kW pelo carregador é apenas uma parte do desafio. A bateria precisa absorver a energia sem ultrapassar limites de temperatura, tensão e segurança.
A Blade Battery 2.0 utiliza química de fosfato de ferro-lítio, conhecida pela sigla LFP. De acordo com a BYD, a nova geração ganhou 5% em densidade energética e recebeu mudanças no cátodo, no eletrólito e no ânodo para facilitar o deslocamento dos íons de lítio.
A fabricante também afirma ter desenvolvido um sistema de gerenciamento térmico específico para controlar o calor gerado durante a recarga. Apesar das declarações da companhia, desempenho, degradação e durabilidade deverão ser acompanhados durante o uso prolongado e em diferentes condições climáticas.
Entre os veículos apresentados com a nova bateria estão modelos das marcas BYD, Denza e Yangwang. O Denza Z9GT é um dos automóveis preparados para utilizar a potência máxima do sistema.
Rede cresce com apoio da Sinopec
Parte da expansão está sendo realizada em colaboração com a Sinopec, companhia estatal chinesa do setor de energia. Os carregadores podem ser instalados em postos já existentes, aproveitando locais frequentados por motoristas de veículos a combustão.
Essa integração aproxima a experiência de recarga do modelo tradicional de abastecimento. Em vez de permanecer dezenas de minutos conectado, o motorista de um veículo compatível pode recuperar a maior parte da bateria durante uma parada curta.
A BYD informou que também pretende expandir o FLASH Charging para outros mercados. A companhia anunciou planos para instalar 3 mil pontos na Europa e outros 3 mil fora do continente europeu.
Tecnologia ainda não está confirmada para o Brasil
Até o momento, não há anúncio oficial de implantação dos carregadores de 1.500 kW da BYD no Brasil. Também não foi confirmado quais veículos vendidos no país seriam compatíveis com a potência máxima.
A adoção brasileira exigiria investimentos não apenas nos equipamentos, mas também em sistemas de armazenamento, conexão à rede, subestações e licenciamento. Uma única estação operando na potência máxima pode demandar energia comparável à utilizada por instalações comerciais ou industriais.
Além disso, os modelos elétricos atuais possuem limites individuais de recarga. Conectar um automóvel que aceite 150 kW a uma estação de 1.500 kW não fará com que ele carregue dez vezes mais rápido: o sistema respeitará a capacidade máxima determinada pelo veículo.
A tecnologia da BYD demonstra que a recarga próxima ao tempo de um abastecimento convencional já é tecnicamente possível. Sua popularização, porém, dependerá da chegada de carros compatíveis e da construção de uma rede capaz de oferecer essa potência fora da China.
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