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Início » Últimas Notícias » BYD instala 10 mil carregadores de 1.500 kW que levam bateria de 10% a 70% em 5 minutos
Consumo

BYD instala 10 mil carregadores de 1.500 kW que levam bateria de 10% a 70% em 5 minutos

BYD alcança 10 mil carregadores de 1.500 kW na China, capazes de levar baterias compatíveis de 10% a 70% em apenas cinco minutos.
André JúniorPor André Júnior30 de agosto de 20265 minutos lidos
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BYD instala 10 mil carregadores de 1.500 kW que levam bateria de 10% a 70% em 5 minutos

A BYD atingiu a marca de 10 mil estações com carregadores ultrarrápidos de 1.500 kW na China. O sistema, chamado FLASH Charging, pode elevar a carga de uma bateria compatível de 10% para 70% em cinco minutos — tempo próximo ao necessário para abastecer um automóvel a gasolina.

A marca representa metade da meta anunciada pela fabricante para 2026. Até o fim do ano, a companhia pretende operar 20 mil estações no mercado chinês, sendo 18 mil em áreas urbanas e 2 mil instaladas ao longo de rodovias.

A rede já está presente em 325 cidades, segundo informações divulgadas pela empresa e repercutidas pelo site especializado Electrek. A expansão começou após a apresentação oficial da tecnologia, realizada em março de 2026.

Como funciona o carregador de 1.500 kW da BYD

O FLASH Charger consegue entregar até 1.500 kW — ou 1,5 megawatt — por meio de um único conector. A potência supera significativamente a encontrada na maioria dos carregadores públicos rápidos disponíveis atualmente.

Entretanto, o número máximo da estação não significa que qualquer carro elétrico possa receber essa potência. O veículo precisa contar com arquitetura elétrica, bateria, sistema de refrigeração e gerenciamento eletrônico preparados para suportar a transferência de energia.

O carregador foi desenvolvido para trabalhar em conjunto com a segunda geração da Blade Battery. Segundo a BYD, o conjunto permite os seguintes tempos de recarga:

  • De 10% a 70% em cinco minutos;
  • De 10% a 97% em nove minutos;
  • De 20% a 97% em 12 minutos sob temperatura de até 30 graus Celsius negativos.

Esses resultados foram divulgados pela própria fabricante e se aplicam a veículos compatíveis, em condições controladas. O tempo real pode variar conforme temperatura, estado da bateria, modelo utilizado e capacidade da estação.

A tecnologia incorpora armazenamento de energia de alta capacidade na própria estação. A solução ajuda a reduzir o impacto dos picos de potência sobre a rede elétrica local, embora a instalação continue exigindo uma infraestrutura muito mais robusta do que a necessária para carregadores convencionais.

E os 400 quilômetros em cinco minutos?

A promessa de recuperar aproximadamente 400 quilômetros de autonomia em cinco minutos surgiu em 2025, quando a BYD apresentou a primeira geração de sua tecnologia de recarga de 1.000 kW.

No sistema de 1.500 kW anunciado em 2026, a fabricante passou a divulgar principalmente a variação percentual da bateria: de 10% a 70% no mesmo intervalo de cinco minutos.

Portanto, não é correto afirmar que todos os carros conectados ao novo carregador receberão exatamente 400 quilômetros de alcance. A autonomia recuperada depende da capacidade da bateria, do consumo do veículo e do ciclo de medição utilizado.

A própria BYD informa que determinados automóveis equipados com a Blade Battery 2.0 podem superar 1.000 quilômetros de autonomia no ciclo chinês CLTC. Esse padrão costuma produzir números diferentes dos ciclos adotados na Europa e no Brasil, o que impede uma comparação direta.

Carregamento rápido depende também da bateria

Entregar 1.500 kW pelo carregador é apenas uma parte do desafio. A bateria precisa absorver a energia sem ultrapassar limites de temperatura, tensão e segurança.

A Blade Battery 2.0 utiliza química de fosfato de ferro-lítio, conhecida pela sigla LFP. De acordo com a BYD, a nova geração ganhou 5% em densidade energética e recebeu mudanças no cátodo, no eletrólito e no ânodo para facilitar o deslocamento dos íons de lítio.

A fabricante também afirma ter desenvolvido um sistema de gerenciamento térmico específico para controlar o calor gerado durante a recarga. Apesar das declarações da companhia, desempenho, degradação e durabilidade deverão ser acompanhados durante o uso prolongado e em diferentes condições climáticas.

Entre os veículos apresentados com a nova bateria estão modelos das marcas BYD, Denza e Yangwang. O Denza Z9GT é um dos automóveis preparados para utilizar a potência máxima do sistema.

Rede cresce com apoio da Sinopec

Parte da expansão está sendo realizada em colaboração com a Sinopec, companhia estatal chinesa do setor de energia. Os carregadores podem ser instalados em postos já existentes, aproveitando locais frequentados por motoristas de veículos a combustão.

Essa integração aproxima a experiência de recarga do modelo tradicional de abastecimento. Em vez de permanecer dezenas de minutos conectado, o motorista de um veículo compatível pode recuperar a maior parte da bateria durante uma parada curta.

A BYD informou que também pretende expandir o FLASH Charging para outros mercados. A companhia anunciou planos para instalar 3 mil pontos na Europa e outros 3 mil fora do continente europeu.

Tecnologia ainda não está confirmada para o Brasil

Até o momento, não há anúncio oficial de implantação dos carregadores de 1.500 kW da BYD no Brasil. Também não foi confirmado quais veículos vendidos no país seriam compatíveis com a potência máxima.

A adoção brasileira exigiria investimentos não apenas nos equipamentos, mas também em sistemas de armazenamento, conexão à rede, subestações e licenciamento. Uma única estação operando na potência máxima pode demandar energia comparável à utilizada por instalações comerciais ou industriais.

Além disso, os modelos elétricos atuais possuem limites individuais de recarga. Conectar um automóvel que aceite 150 kW a uma estação de 1.500 kW não fará com que ele carregue dez vezes mais rápido: o sistema respeitará a capacidade máxima determinada pelo veículo.

A tecnologia da BYD demonstra que a recarga próxima ao tempo de um abastecimento convencional já é tecnicamente possível. Sua popularização, porém, dependerá da chegada de carros compatíveis e da construção de uma rede capaz de oferecer essa potência fora da China.

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Blade Battery 2.0 BYD carregadores elétricos carros elétricos Destaque recarga ultrarrápida
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André Júnior
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André Júnior é economista e especialista em Finanças e Mercado de Capitais. Na A Revista, acompanha ações, empresas, juros, economia e mercados. Contextualiza indicadores e resultados corporativos, distingue fatos de projeções e explica seus possíveis efeitos para investidores, sem recomendações individuais.

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