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Início » Últimas Notícias » Vale ou Petrobras? Dividendos bilionários colocam VALE3 e PETR4 no radar
Ações

Vale ou Petrobras? Dividendos bilionários colocam VALE3 e PETR4 no radar

Produção recorde, avanço em projetos estratégicos e expectativa de novos proventos aumentam o interesse pelas ações das duas gigantes brasileiras
Eduardo MartinsPor Eduardo Martins21 de julho de 20264 minutos lidos
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Vale e Petrobras atravessam um momento de forte atenção na Bolsa. As duas companhias aumentaram a produção, apresentaram resultados operacionais relevantes e mantêm perspectivas de distribuir bilhões de reais aos acionistas.

Apesar das semelhanças, cada empresa oferece uma tese diferente. A Vale depende principalmente do comportamento do minério de ferro e da demanda chinesa, enquanto a Petrobras está exposta ao preço internacional do petróleo, ao câmbio, aos investimentos e às decisões de uma companhia controlada pelo governo.

A comparação ganhou força porque investidores procuram entender qual ação reúne o melhor equilíbrio entre dividendos, potencial de valorização e riscos no médio prazo.

Indicador operacionalValePetrobras
Principal ativoMinério de ferroPetróleo e gás
Produção em destaque no 1T2669,70 milhões de toneladas de minério3,23 milhões de boe por dia
Crescimento anualMinério: 3%Produção própria: 16,10%
Outros avançosCobre e níquelPré-sal e refino
Política de dividendosDepende de lucro, caixa e decisões do conselho45% do fluxo de caixa livre, sob determinadas condições
Risco centralChina e preço das commoditiesPetróleo, investimentos e interferência política

Produção da Vale reforça expectativa sobre VALE3

A Vale produziu 69,70 milhões de toneladas de minério de ferro no primeiro trimestre de 2026, avanço de 3% sobre o mesmo período do ano anterior. As vendas cresceram 4%, para 68,70 milhões de toneladas, alcançando o maior nível para um primeiro trimestre desde 2018.

O desempenho foi sustentado por recordes nas operações de S11D e Brucutu, além do aumento gradual da produção nos projetos Capanema e VGR1.

Outro ponto que fortalece a tese de longo prazo está nos metais básicos. A produção de cobre avançou 13%, chegando a 102,30 mil toneladas, enquanto a produção de níquel cresceu 12%, para 49,30 mil toneladas.

Cobre e níquel são usados em redes elétricas, veículos eletrificados, baterias e projetos de infraestrutura. Por isso, a expansão desses segmentos pode reduzir gradualmente a dependência da Vale em relação ao minério de ferro.

Nos resultados financeiros, a mineradora também informou crescimento das vendas nos três principais segmentos. O preço médio realizado do minério de ferro chegou a US$ 95,80 por tonelada, enquanto os preços do cobre e do níquel apresentaram avanço.

Para os dividendos, o principal desafio permanece sendo a volatilidade das commodities. Uma desaceleração maior da China ou uma queda expressiva do minério pode reduzir lucro, geração de caixa e capacidade de distribuição.

Petrobras combina produção recorde e dividendos

A Petrobras registrou produção própria recorde de 3,23 milhões de barris de óleo equivalente por dia no primeiro trimestre de 2026. O volume representa crescimento de 3,70% contra o trimestre anterior e de 16,10% na comparação anual.

A companhia também alcançou recordes na produção operada e na produção própria do pré-sal. O avanço foi impulsionado principalmente pelo aumento de capacidade de plataformas instaladas nos campos de Búzios, Mero, Marlim e Voador.

No período, a Petrobras apresentou lucro líquido de R$ 32,70 bilhões. Excluindo eventos extraordinários, o lucro foi de R$ 23,80 bilhões e o Ebitda ajustado alcançou R$ 61,70 bilhões. A dívida bruta encerrou o trimestre em US$ 71,20 bilhões, abaixo do limite de US$ 75 bilhões previsto no plano de negócios.

Em maio, o Conselho de Administração aprovou R$ 9,03 bilhões em remuneração aos acionistas, equivalentes a aproximadamente R$ 0,70 por ação. O pagamento foi declarado como antecipação dos resultados de 2026.

A política da Petrobras prevê a distribuição de 45% do fluxo de caixa livre quando o endividamento permanece dentro dos limites estabelecidos e as demais condições financeiras são atendidas.

Mercado vê espaço para valorização

O Santander elevou a recomendação da Petrobras de neutra para compra e aumentou o preço-alvo de R$ 35 para R$ 60. O banco projetou retorno com dividendos próximo de 9,50% em 2026, apoiado pela geração de caixa e pelos preços do petróleo.

O consenso divulgado pela própria Petrobras apontava preço-alvo médio de R$ 52,93 para PETR4, com projeções entre R$ 43 e R$ 65, conforme atualização de maio de 2026.

VALE3 ou PETR4: qual escolher?

A Petrobras aparece mais barata em múltiplos e conta com produção recorde, política objetiva de distribuição e perspectiva de novos pagamentos. Entretanto, exige atenção ao crescimento dos investimentos, à dívida, ao preço do petróleo e às decisões políticas.

A Vale oferece exposição ao minério de ferro e ao crescimento do cobre e do níquel. A companhia pode surpreender nos proventos caso mantenha volumes elevados, controle os custos e encontre um ambiente favorável para as commodities.

Para investidores focados em renda, as duas ações podem ser complementares. PETR4 tende a apresentar maior previsibilidade operacional no cenário atual, enquanto VALE3 oferece potencial ligado à recuperação das commodities e à expansão dos metais básicos.

Nenhuma projeção garante valorização ou dividendos. A decisão deve considerar preço de entrada, tolerância ao risco, diversificação e horizonte de investimento.

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Eduardo Martins
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Eduardo Martins é planejador financeiro certificado (CFP®) e consultor de investimentos, com mais de 10 anos de experiência no mercado financeiro. Na A Revista, explica renda fixa, fundos imobiliários, dividendos, simulações de quanto rende e planejamento financeiro. Apresenta premissas, custos, tributação e riscos, sem converter cenários em promessa de retorno.

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