Duas empresas de setores bastante distintos ganharam espaço no radar dos investidores: a Unipar, uma das principais produtoras de cloro, soda cáustica e PVC da América do Sul, e a Marcopolo, referência na fabricação de carrocerias de ônibus.
Enquanto a Unipar enfrenta um cenário mais desafiador para os preços de seus produtos, a companhia tenta preservar valor para o acionista por meio de investimentos, controle da liquidez e um novo programa de recompra de ações.
A Marcopolo, por sua vez, apresentou crescimento do lucro e expansão das margens mesmo diante de uma leve retração da receita no primeiro trimestre de 2026.
Unipar aprova recompra de até 4,68 milhões de ações
O Conselho de Administração da Unipar aprovou, em 17 de junho de 2026, seu sexto programa de recompra. A operação permite a aquisição de até aproximadamente 4,68 milhões de ações das classes UNIP3, UNIP5 e UNIP6.
As compras poderão ser realizadas no mercado à vista durante um período de 18 meses, com encerramento previsto para 17 de dezembro de 2027.
A recompra reduz a quantidade de ações em circulação quando os papéis são mantidos em tesouraria ou posteriormente cancelados. Isso não garante valorização nem aumento automático dos dividendos, mas pode elevar a participação proporcional dos acionistas que permanecem na empresa.

Resultado da Unipar ainda exige cautela
No primeiro trimestre de 2026, a Unipar registrou receita líquida próxima de R$ 1,2 bilhão, queda de cerca de 10% na comparação anual. O lucro líquido somou R$ 37 milhões, revertendo o prejuízo de R$ 7 milhões observado no quarto trimestre de 2025, mas ficando abaixo do resultado apurado um ano antes.
O desempenho foi pressionado, entre outros fatores, pelos preços internacionais do PVC e da soda cáustica e pelo menor volume de venda de determinados produtos. A companhia também mantém investimentos em eficiência operacional e modernização de suas unidades.
A Unipar encerrou 2025 com receita líquida de R$ 5,1 bilhões e EBITDA de R$ 1,1 bilhão. A empresa afirma que 88% de sua dívida possui vencimentos a partir dos próximos anos, reduzindo a pressão de curto prazo sobre o caixa.
Marcopolo aumenta lucro apesar da queda na receita
A Marcopolo apresentou números mais fortes em rentabilidade. No primeiro trimestre de 2026, a receita líquida consolidada atingiu R$ 1,66 bilhão, recuo de 1,3% diante do mesmo período de 2025.
Mesmo assim, o EBITDA avançou 16,3%, alcançando R$ 304,8 milhões. A margem EBITDA subiu de 15,6% para 18,4%. Já o lucro líquido cresceu 8,8%, para R$ 264,6 milhões, com margem líquida de 16%.
Principais números do primeiro trimestre
| Indicador | Unipar | Marcopolo |
|---|---|---|
| Receita líquida | R$ 1,2 bilhão | R$ 1,66 bilhão |
| Lucro líquido | R$ 37 milhões | R$ 264,6 milhões |
| Variação anual da receita | -10% | -1,3% |
| Destaque | Recompra de ações | EBITDA cresce 16,3% |
Dividendos da Marcopolo continuam em destaque
A Marcopolo distribuiu R$ 0,936 por ação em dividendos e juros sobre capital próprio referentes a 2025. Considerando o preço de R$ 5,97 registrado no último pregão daquele ano, o dividend yield informado pela própria companhia chegou a 15,7%.
O indicador, porém, representa o desempenho passado e não garante que o mesmo nível de proventos será repetido em 2026. A continuidade dos pagamentos dependerá dos lucros, da geração de caixa, dos investimentos e das decisões do conselho.
Qual ação apresenta o melhor momento?
A Marcopolo chega ao segundo semestre com crescimento do lucro, margens maiores e desempenho operacional mais consistente. A Unipar apresenta resultados mais pressionados, mas seu programa de recompra pode funcionar como sinal de confiança da administração no valor de longo prazo da companhia.
Para o investidor, o principal cuidado é não analisar as empresas somente pelo dividend yield. Endividamento, geração de caixa, perspectivas do setor e sustentabilidade dos lucros também devem ser considerados antes de qualquer decisão.
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