A Taesa (TAEE11) voltou a se destacar entre as empresas do setor elétrico ao divulgar um sólido resultado do terceiro trimestre de 2025, impulsionado por crescimento de receita e eficiência operacional. O lucro regulatório aumentou 16% no trimestre, e o EBITDA teve alta de 12,6% na comparação com o mesmo período de 2024, refletindo reajustes tarifários e novos reforços de rede.
Quem possuía ações da companhia até o dia 14 de novembro de 2025 garantiu direito ao recebimento dos dividendos em 28 de janeiro de 2026. O valor líquido será de R$ 0,88 por unit (TAEE11) e R$ 0,29 por ação ordinária (TAEE3) ou preferencial (TAEE4) — o que representa um yield aproximado de 2% por ação, consolidando a Taesa entre as líderes em distribuição no setor.
Ações acumulam alta de 33,5% e dividem opiniões no mercado
Mesmo com a forte valorização das ações — alta de 33,5% desde o fundo em agosto —, o consenso de mercado segue dividido. Dos 11 analistas que acompanham o papel, sete recomendam venda, enquanto os demais sugerem manter a posição. Nenhum indica compra no momento, refletindo preocupações com o valuation esticado.
O preço justo médio estimado gira em torno de R$ 41 por unit, o que implica downside de cerca de 21% frente à cotação atual. Apesar disso, muitos investidores mantêm posição pela previsibilidade do negócio e pela consistência dos dividendos, especialmente em um cenário de inflação elevada e contratos ajustados pelo IGP-M e IPCA.
Receita e eficiência em alta impulsionam margens
A receita líquida da transmissora cresceu 9,8% no trimestre, sustentada por reajustes tarifários — com o IGP-M subindo 7,1% e o IPCA, 5,3% — e pela entrada de novos empreendimentos, como Pitiguari e Tangará. O destaque foi o controle de custos: o OPEX aumentou apenas 4,2%, abaixo da inflação, o que permitiu melhora nas margens operacionais.
Essa eficiência operacional é considerada essencial em um momento de alta de juros, já que a companhia enfrenta pressões sobre o resultado financeiro por conta da dívida mais elevada e do impacto da Selic. Ainda assim, a Taesa já iniciou um processo de desalavancagem, que deve se consolidar ao longo de 2026.
Investimentos em queda e aumento de receita futura
Em 2025, a empresa manteve ritmo forte de investimentos — já somando R$ 1,3 bilhão, com previsão de chegar a R$ 1,7 bilhão até o fim do ano. A partir de 2026, contudo, o volume deve cair para cerca de R$ 500 milhões, o que aliviará o caixa e favorecerá a desalavancagem.
Além disso, novos projetos entram em operação no início do próximo ano, adicionando cerca de R$ 333 milhões em receita anual. Entre eles estão Sairá, Tangará e Anaí, que devem reforçar o fluxo de caixa e contribuir para novos aumentos de dividendos.
Com isso, a expectativa do mercado é de que os dividendos de 2026 sejam ainda maiores que os de 2025, podendo ultrapassar o patamar de 6% de yield anualizado.
Taesa mantém perfil defensivo e foco em longo prazo
Apesar da alta expressiva nas cotações, a Taesa continua sendo vista como uma empresa de perfil defensivo e previsível, ideal para investidores que buscam renda recorrente. Sua política de dividendos robusta e contratos ajustados pela inflação garantem estabilidade mesmo em períodos de incerteza econômica.
Por outro lado, o potencial de valorização no curto prazo parece limitado, com as ações já negociadas em múltiplos elevados. O mercado espera uma fase de lateralização, enquanto os resultados e a desalavancagem consolidam uma nova base de lucros sustentáveis.
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