A ação da Romi (ROMI3) voltou ao centro das atenções do mercado financeiro após a companhia divulgar resultados fracos no primeiro trimestre de 2026, aumentando as dúvidas sobre o futuro da fabricante de máquinas industriais.
A empresa registrou lucro líquido de apenas R$ 2,4 milhões no 1T26, uma queda expressiva de 76,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. A receita líquida também recuou fortemente, caindo 19,1% e fechando o trimestre em R$ 221 milhões.
Mesmo com os números pressionados, ROMI3 continua atraindo investidores interessados em dividendos elevados e valuation descontado, já que a ação segue negociada abaixo do valor patrimonial e com dividend yield acima de 8%.
Resultado do 1T26 aumenta pressão sobre ROMI3
Os resultados mais recentes mostraram deterioração operacional importante na companhia.
Além da forte queda do lucro líquido, o EBITDA da Romi somou apenas R$ 7,3 milhões no trimestre, recuo de quase 60% na comparação anual. A margem EBITDA caiu para 3,3%, refletindo o enfraquecimento operacional e a menor diluição de custos industriais.
Outro dado que chamou atenção foi o EBIT negativo em aproximadamente R$ 9,8 milhões, evidenciando um cenário mais desafiador para a empresa em meio ao ambiente de juros elevados no Brasil.
Analistas apontam que o setor industrial continua sofrendo forte impacto da Selic elevada, já que empresas acabam reduzindo investimentos em expansão e compra de máquinas.
Ação acumula queda e negocia abaixo do patrimônio
A pressão operacional acabou refletindo diretamente na Bolsa.
ROMI3 iniciou 2026 negociada próxima de R$ 8,00 e passou a operar perto da faixa de R$ 6,85 a R$ 7,50 recentemente.
Apesar da desvalorização, parte do mercado enxerga o papel como barato.
Segundo dados fundamentalistas atualizados, a ação apresenta:
| Indicador | Valor aproximado |
|---|---|
| Cotação recente | R$ 6,85 a R$ 7,50 |
| P/L | Entre 8 e 9 |
| P/VP | Entre 0,53 e 0,56 |
| Dividend Yield | Entre 7% e 8,9% |
| Valor de mercado | Cerca de R$ 699 milhões |
| ROE | Aproximadamente 6% |
O P/VP abaixo de 1 continua sendo um dos principais argumentos dos investidores otimistas, já que o mercado está precificando a companhia abaixo do valor do patrimônio líquido.
Dividendos continuam sendo principal atrativo
Mesmo com a desaceleração dos resultados, a Romi segue mantendo pagamentos recorrentes de proventos aos acionistas.
Os dados atualizados mostram que a companhia continua distribuindo juros sobre capital próprio trimestralmente, mantendo uma política relativamente consistente de remuneração.
Últimos proventos anunciados pela ROMI3
| Tipo | Valor por ação | Data de pagamento |
|---|---|---|
| JCP | R$ 0,18 | 10/04/2026 |
| JCP | R$ 0,18 | 23/10/2025 |
| JCP | R$ 0,18 | 12/06/2025 |
| JCP | R$ 0,22 | 26/02/2025 |
Segundo plataformas do mercado, o dividend yield atual da companhia permanece acima de 8% em alguns cálculos de 12 meses.
Mercado segue dividido sobre futuro da companhia
Apesar do valuation considerado descontado, o mercado ainda demonstra cautela em relação ao futuro da Romi.
A empresa vem enfrentando desaceleração no crescimento, pressão nas margens e redução de rentabilidade. Em análises recentes, especialistas destacaram que a companhia sofre diretamente com juros elevados e menor atividade industrial.
Por outro lado, investidores de perfil mais voltado ao value investing continuam observando o papel devido ao desconto patrimonial e à tradição da empresa no setor industrial brasileiro.
A Romi também permanece listada no Novo Mercado da B3, segmento de maior nível de governança corporativa da Bolsa brasileira. Dados anteriores apontam tag along de 100% e histórico consistente de distribuição de proventos.
Vale a pena investir em ROMI3 agora?
ROMI3 aparece atualmente como uma ação altamente dividida entre risco e oportunidade.
De um lado, a empresa apresenta forte deterioração operacional, lucro pressionado e crescimento fraco, fatores que aumentam a cautela do mercado.
Do outro, a ação segue negociada com desconto relevante sobre patrimônio, múltiplos considerados baixos e dividendos elevados, características que costumam atrair investidores focados em renda passiva e valuation.
O cenário para os próximos trimestres deve continuar dependendo diretamente da recuperação da atividade industrial brasileira e de uma possível redução dos juros no país. Enquanto isso, ROMI3 segue como uma das ações mais debatidas entre investidores que buscam empresas descontadas na Bolsa brasileira em 2026.
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