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Início » Últimas Notícias » Romi (ROMI3) afunda após lucro despencar 76%, mas dividendos acima de 8% ainda atraem investidores
Ações

Romi (ROMI3) afunda após lucro despencar 76%, mas dividendos acima de 8% ainda atraem investidores

Ações da Romi seguem pressionadas em 2026 após forte queda no lucro e na receita, enquanto mercado avalia se valuation descontado pode representar oportunidade
Carlos MenezesPor Carlos Menezes6 de maio de 20264 minutos lidos
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A ação da Romi (ROMI3) voltou ao centro das atenções do mercado financeiro após a companhia divulgar resultados fracos no primeiro trimestre de 2026, aumentando as dúvidas sobre o futuro da fabricante de máquinas industriais.

A empresa registrou lucro líquido de apenas R$ 2,4 milhões no 1T26, uma queda expressiva de 76,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. A receita líquida também recuou fortemente, caindo 19,1% e fechando o trimestre em R$ 221 milhões.

Mesmo com os números pressionados, ROMI3 continua atraindo investidores interessados em dividendos elevados e valuation descontado, já que a ação segue negociada abaixo do valor patrimonial e com dividend yield acima de 8%.

Resultado do 1T26 aumenta pressão sobre ROMI3

Os resultados mais recentes mostraram deterioração operacional importante na companhia.

Além da forte queda do lucro líquido, o EBITDA da Romi somou apenas R$ 7,3 milhões no trimestre, recuo de quase 60% na comparação anual. A margem EBITDA caiu para 3,3%, refletindo o enfraquecimento operacional e a menor diluição de custos industriais.

Outro dado que chamou atenção foi o EBIT negativo em aproximadamente R$ 9,8 milhões, evidenciando um cenário mais desafiador para a empresa em meio ao ambiente de juros elevados no Brasil.

Analistas apontam que o setor industrial continua sofrendo forte impacto da Selic elevada, já que empresas acabam reduzindo investimentos em expansão e compra de máquinas.

Ação acumula queda e negocia abaixo do patrimônio

A pressão operacional acabou refletindo diretamente na Bolsa.

ROMI3 iniciou 2026 negociada próxima de R$ 8,00 e passou a operar perto da faixa de R$ 6,85 a R$ 7,50 recentemente.

Apesar da desvalorização, parte do mercado enxerga o papel como barato.

Segundo dados fundamentalistas atualizados, a ação apresenta:

IndicadorValor aproximado
Cotação recenteR$ 6,85 a R$ 7,50
P/LEntre 8 e 9
P/VPEntre 0,53 e 0,56
Dividend YieldEntre 7% e 8,9%
Valor de mercadoCerca de R$ 699 milhões
ROEAproximadamente 6%

O P/VP abaixo de 1 continua sendo um dos principais argumentos dos investidores otimistas, já que o mercado está precificando a companhia abaixo do valor do patrimônio líquido.

Dividendos continuam sendo principal atrativo

Mesmo com a desaceleração dos resultados, a Romi segue mantendo pagamentos recorrentes de proventos aos acionistas.

Os dados atualizados mostram que a companhia continua distribuindo juros sobre capital próprio trimestralmente, mantendo uma política relativamente consistente de remuneração.

Últimos proventos anunciados pela ROMI3

TipoValor por açãoData de pagamento
JCPR$ 0,1810/04/2026
JCPR$ 0,1823/10/2025
JCPR$ 0,1812/06/2025
JCPR$ 0,2226/02/2025

Segundo plataformas do mercado, o dividend yield atual da companhia permanece acima de 8% em alguns cálculos de 12 meses.

Mercado segue dividido sobre futuro da companhia

Apesar do valuation considerado descontado, o mercado ainda demonstra cautela em relação ao futuro da Romi.

A empresa vem enfrentando desaceleração no crescimento, pressão nas margens e redução de rentabilidade. Em análises recentes, especialistas destacaram que a companhia sofre diretamente com juros elevados e menor atividade industrial.

Por outro lado, investidores de perfil mais voltado ao value investing continuam observando o papel devido ao desconto patrimonial e à tradição da empresa no setor industrial brasileiro.

A Romi também permanece listada no Novo Mercado da B3, segmento de maior nível de governança corporativa da Bolsa brasileira. Dados anteriores apontam tag along de 100% e histórico consistente de distribuição de proventos.

Vale a pena investir em ROMI3 agora?

ROMI3 aparece atualmente como uma ação altamente dividida entre risco e oportunidade.

De um lado, a empresa apresenta forte deterioração operacional, lucro pressionado e crescimento fraco, fatores que aumentam a cautela do mercado.

Do outro, a ação segue negociada com desconto relevante sobre patrimônio, múltiplos considerados baixos e dividendos elevados, características que costumam atrair investidores focados em renda passiva e valuation.

O cenário para os próximos trimestres deve continuar dependendo diretamente da recuperação da atividade industrial brasileira e de uma possível redução dos juros no país. Enquanto isso, ROMI3 segue como uma das ações mais debatidas entre investidores que buscam empresas descontadas na Bolsa brasileira em 2026.

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Carlos Menezes
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Carlos Menezes é economista e analista de mercado, com MBA em Finanças pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e mais de 15 anos de experiência acompanhando indicadores econômicos e políticas públicas. Na A Revista, analisa juros, inflação, câmbio, economia e mercados, com atenção às fontes dos dados, ao período de referência e aos efeitos para empresas e investimentos.

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