As ações preferenciais da Petrobras (PETR4) voltaram ao centro das atenções nesta segunda-feira, 31 de agosto. O Bradesco BBI elevou a recomendação dos papéis de neutra para compra e manteve o preço-alvo de R$ 53 para o fim de 2027.
Segundo os cálculos do banco, a valorização potencial das ações, somada aos dividendos projetados, pode representar um retorno total de aproximadamente 25%. Desse percentual, cerca de 10 pontos seriam provenientes da distribuição de proventos.
A recomendação não significa que PETR4 necessariamente alcançará o preço indicado. O preço-alvo representa a avaliação do Bradesco BBI com base nas premissas adotadas pelo banco e está sujeito às oscilações do petróleo, às decisões da companhia e aos riscos políticos envolvendo a estatal.
O que mudou na avaliação de PETR4
O Bradesco BBI considera que a recente queda das ações da Petrobras criou uma relação mais favorável entre risco e retorno. Ao mesmo tempo, a produção da companhia apresentou desempenho superior ao esperado pelos analistas.
De acordo com o relatório repercutido pelo Money Times, o banco não alterou suas principais estimativas para a empresa, mas passou a enxergar um desconto mais atraente na cotação.
O preço-alvo de R$ 53 refere-se às ações preferenciais PETR4 e tem como horizonte o encerramento de 2027. Portanto, não deve ser comparado como se fosse uma projeção para os próximos dias ou semanas.
A avaliação chega depois de um período de recuperação das ações. Na sexta-feira, PETR4 avançou aproximadamente 2%, figurando entre os destaques positivos do Ibovespa.
Petróleo acima de US$ 90 fortalece ações da Petrobras
O movimento do petróleo também ajuda a explicar o interesse renovado por PETR4. O barril do Brent era negociado próximo de US$ 91 nesta segunda-feira, em meio ao aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã.
Para uma produtora e exportadora como a Petrobras, preços internacionais mais elevados podem ampliar a geração de caixa, desde que não sejam anulados por custos maiores, mudanças na política de preços ou interferências sobre a estratégia da companhia.
A alta da commodity, contudo, possui dois efeitos sobre o mercado brasileiro. Enquanto pode beneficiar as ações do setor petrolífero, também aumenta o risco de pressão sobre combustíveis, inflação e juros.
A Petrobras informou, em seus comunicados oficiais ao mercado, que segue executando seus projetos de crescimento da produção. O desempenho operacional é justamente um dos fatores considerados pelo BBI na revisão da recomendação.
Na A Revista, os investidores também podem acompanhar a cobertura sobre os resultados e dividendos das principais empresas da Bolsa.
Dividendos continuam relevantes para a tese
Além da possibilidade de valorização, os proventos permanecem como parte importante da tese de investimento em Petrobras. O BBI calcula que os dividendos poderiam responder por aproximadamente 10% do retorno total estimado até o preço-alvo.
Essa projeção depende, porém, da geração de caixa, dos investimentos planejados, do endividamento e das decisões futuras do conselho de administração. Dividendos ainda não aprovados não devem ser tratados como pagamento garantido.
A companhia possui uma política de remuneração aos acionistas, mas cada distribuição depende dos resultados e das condições financeiras verificadas em cada período.
Banco do Brasil e Vale também ficam no radar
O pregão desta segunda-feira começou com outros ativos relevantes acompanhados pelo mercado. As ações do Banco do Brasil (BBAS3) ganharam um novo componente depois que o Grupo Casas Bahia retirou o pedido de ressarcimento de R$ 422 milhões contra a instituição.
Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, a varejista informou à Justiça que busca uma solução consensual com o banco. O BB havia negado que o débito tivesse sido efetivamente realizado. A desistência reduz uma fonte imediata de incerteza jurídica, mas não elimina os riscos de crédito enfrentados pela instituição.
O banco registrou lucro líquido ajustado de R$ 3,9 bilhões no segundo trimestre de 2026, enquanto a inadimplência e a exposição ao agronegócio continuam exigindo atenção. A A Revista detalhou por que o crédito ainda preocupa os investidores de BBAS3.
A Vale (VALE3), por sua vez, recebe apoio da valorização do minério de ferro na China. A commodity superou US$ 110 por tonelada, movimento que tende a favorecer a receita da mineradora. No Brasil, os investidores também acompanham a disputa tributária envolvendo lucros obtidos no exterior.
TRXF11 e Itaúsa apresentam novos pontos de atenção
Entre os fundos imobiliários, o TRXF11 permanece no radar após surgirem dúvidas sobre a negociação de um portfólio ligado à Cyrela. O acordo, anunciado inicialmente por aproximadamente R$ 2,14 bilhões, previa a aquisição de quatro galpões logísticos e um edifício corporativo.
A operação foi formalizada por meio de um memorando não vinculante, o que significa que sua conclusão nunca esteve garantida. A ausência desses imóveis na relação mais recente de possíveis aquisições da 13ª emissão levantou dúvidas sobre o andamento das tratativas.
A própria A Revista já mostrou como o TRXF11 encerrou outra negociação bilionária e passou a revisar seu plano de aquisições.
Já a Itaúsa (ITSA4) recebeu preço-alvo de R$ 18,50 do JPMorgan, com horizonte até dezembro de 2027. O banco manteve recomendação equivalente à compra, apoiado no desconto da holding em relação ao valor de suas participações e nas perspectivas de dividendos.
Considerando o fechamento de R$ 12,84 em 27 de agosto, o preço-alvo indicaria uma valorização potencial de aproximadamente 44%. Assim como no caso da Petrobras, trata-se de uma projeção da instituição financeira, e não de retorno assegurado.
O que acompanhar nos próximos pregões
O comportamento de PETR4 dependerá principalmente do preço internacional do petróleo, da produção da Petrobras e da percepção sobre possíveis interferências políticas na companhia. Tensões no Oriente Médio podem manter a commodity valorizada, mas também aumentam a volatilidade dos mercados.
O investidor deve acompanhar ainda as próximas divulgações operacionais da estatal, eventuais anúncios de dividendos e possíveis revisões das estimativas para o preço do petróleo.
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