As ações preferenciais da Petrobras voltaram a ganhar força na Bolsa com a escalada do petróleo e a expectativa de um resultado mais robusto no segundo trimestre de 2026. Depois de avançar mais de 14% em pouco mais de duas semanas, PETR4 passou a ser negociada na faixa de R$ 42,33 nesta sexta-feira, 24 de julho.
O movimento ocorre em um momento de elevada tensão no mercado internacional de energia. O petróleo Brent superou novamente os US$ 100 por barril, pressionado pelas restrições no Estreito de Ormuz e pelos riscos envolvendo outras rotas de exportação no Oriente Médio.
Para a Petrobras, preços mais altos do petróleo tendem a favorecer receitas, margens e geração de caixa. Entretanto, a permanência do barril nesses níveis dependerá principalmente da evolução dos conflitos e da normalização do transporte marítimo na região.
Resultado do segundo trimestre pode surpreender
As projeções apresentadas no esboço apontam para um crescimento expressivo dos indicadores financeiros da Petrobras no segundo trimestre.
Segundo estimativas atribuídas ao BTG Pactual, o Ebitda ajustado poderia avançar aproximadamente 67% em relação ao primeiro trimestre e 106% na comparação anual. O lucro líquido trimestral seria estimado em cerca de R$ 9,50 bilhões, diante de aproximadamente R$ 6 bilhões no período anterior.
Esses números ainda são projeções e podem ser alterados por fatores como câmbio, preço médio do petróleo, despesas financeiras, importações, investimentos e política de combustíveis.
| Indicador | Dado ou projeção |
|---|---|
| Cotação de PETR4 em 24 de julho | R$ 42,33 |
| Lucro projetado para o 2T26 | R$ 9,50 bilhões |
| Crescimento trimestral projetado do lucro | 53% |
| Crescimento anual da produção no 1T26 | 16,1% |
| Dividend yield projetado para 2026 | Cerca de 9% |
| Política ordinária de dividendos | 45% do fluxo de caixa livre |
Produção recorde sustenta a geração de caixa
A produção própria da Petrobras alcançou média recorde de 3,23 milhões de barris de óleo equivalente por dia no primeiro trimestre de 2026. O volume ficou 16,1% acima do registrado um ano antes e 3,7% superior ao quarto trimestre de 2025.
O crescimento foi impulsionado principalmente pelo avanço da produção em plataformas instaladas nos campos de Búzios, Mero, Marlim e Voador. O pré-sal continua sendo o principal motor operacional da companhia, com produção própria de 2,56 milhões de barris de óleo equivalente por dia em 2025.
No Plano de Negócios 2026-2030, a estatal prevê atingir pico de produção de petróleo de 2,7 milhões de barris diários em 2028. A produção total de óleo e gás poderá chegar a 3,4 milhões de barris de óleo equivalente por dia em 2028 e 2029.
Dividendos da Petrobras podem render cerca de 9%
A estimativa apresentada no esboço indica dividend yield próximo de 9% em 2026, considerando a cotação das ações na faixa de R$ 43. Essa projeção está relacionada à expectativa de maior geração de caixa, produção crescente e petróleo valorizado.
A Petrobras mantém uma política que prevê a distribuição de 45% do fluxo de caixa livre quando o endividamento permanece dentro dos limites estabelecidos no plano estratégico.
A companhia já aprovou R$ 9 bilhões em remuneração aos acionistas, equivalentes a aproximadamente R$ 0,70 por ação, com pagamentos programados para agosto e setembro de 2026.
Apesar disso, o BTG avalia que a administração deverá priorizar a redução da dívida bruta antes de ampliar dividendos extraordinários, diminuindo a probabilidade de pagamentos adicionais no curto prazo.
PETR4 ainda está barata?
Mesmo depois da recente valorização, as projeções indicam que PETR4 ainda pode negociar com múltiplos inferiores à sua média histórica. A combinação de produção recorde, petróleo valorizado e forte geração de caixa mantém a tese atrativa.
Por outro lado, a ação já perdeu parte da margem de segurança observada quando era negociada abaixo de R$ 40. Quedas do petróleo, aumento dos investimentos, crescimento da dívida ou mudanças na política de preços e dividendos podem limitar novas valorizações.
Assim, PETR4 continua com fundamentos relevantes e potencial de distribuição de renda, mas o investidor deve evitar decisões baseadas apenas no dividend yield projetado. Os resultados efetivos e a duração da alta do petróleo serão determinantes para definir se a ação ainda está barata nos preços atuais.
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