A Petrobras voltou a ganhar força no radar dos investidores após o Santander elevar a recomendação para as ações da companhia de neutra para outperform, classificação equivalente a compra. O banco também revisou o preço-alvo para R$ 60 por ação ordinária da Petrobras, citando melhora operacional, maior potencial de produção e uma tese ainda atrativa de geração de caixa.
A revisão reacende uma discussão importante para quem acompanha PETR4: a ação ainda está barata ou o mercado já precificou boa parte dos ganhos recentes? Para o Santander, a cotação atual ainda não refletiria totalmente a combinação de aumento de produção, menor risco no refino e possibilidade de retorno ao acionista por meio de dividendos.
Por que os analistas ficaram mais otimistas com a Petrobras
O ponto central da nova leitura está no desempenho operacional da Petrobras, especialmente no segmento de exploração e produção de petróleo e gás. Segundo a análise divulgada pelo mercado, a companhia pode entregar uma produção em 2026 próxima do topo das próprias projeções, impulsionada pelo avanço de novas plataformas e pela aceleração de FPSOs.
FPSOs são unidades flutuantes usadas para produzir, armazenar e transferir petróleo em alto-mar. Na prática, quando essas plataformas entram em operação e avançam no chamado “ramp-up”, a Petrobras consegue aumentar gradualmente sua produção, elevando o volume vendido e melhorando a geração de caixa.
Esse movimento ganhou força após a companhia antecipar o início da produção da plataforma P-79, no campo de Búzios, no pré-sal da Bacia de Santos. A operação começou em 1º de maio de 2026, três meses antes do previsto no Plano de Negócios 2026-2030, segundo a própria Petrobras.
Resultado do 1T26 mostra lucro alto, mas caixa ainda exige atenção
A Petrobras registrou lucro líquido de R$ 32,7 bilhões no primeiro trimestre de 2026. Excluindo eventos exclusivos, o lucro líquido ficou em R$ 23,8 bilhões, com queda de 7,2% em relação ao quarto trimestre de 2025. Já o EBITDA ajustado foi de R$ 61,7 bilhões, alta de 4,5% frente ao trimestre anterior.
Apesar do lucro elevado, o mercado olhou com cautela para o fluxo de caixa. Segundo dados divulgados após o balanço, o fluxo de caixa livre ficou em R$ 20 bilhões, queda de 22,9% na comparação anual, enquanto o fluxo de caixa operacional somou R$ 44 bilhões, pressionado pelo capital de giro.
Essa diferença é relevante porque os dividendos da Petrobras dependem diretamente da capacidade da empresa de transformar lucro em caixa. Ou seja, não basta lucrar: é preciso gerar caixa suficiente depois de investimentos, custos operacionais e necessidades de capital de giro.
Dividendos seguem como grande atrativo de PETR4
Mesmo com pressão no caixa, a Petrobras aprovou o pagamento de R$ 9 bilhões em remuneração aos acionistas referente ao 1T26. O valor equivale a R$ 0,70097272 por ação ordinária e preferencial, distribuído em duas parcelas: uma em 20 de agosto de 2026 e outra em 21 de setembro de 2026.
Para investidores de longo prazo, os dividendos continuam sendo um dos principais pontos de atenção em PETR4. A XP destacou que a distribuição anunciada representa dividend yield trimestral próximo de 1,4% a 1,5%, mas ficou abaixo de algumas expectativas do mercado.
O Santander, por sua vez, trabalha com uma visão mais otimista para o retorno ao acionista, estimando potencial de rendimento com dividendos em torno de 9,5% em 2026, além de espaço para discussão sobre dividendos extraordinários em ciclos futuros, especialmente com o próximo plano estratégico da companhia.
| Indicador recente da Petrobras | Dado informado |
| Lucro líquido no 1T26 | R$ 32,7 bilhões |
| Lucro líquido recorrente no 1T26 | R$ 23,8 bilhões |
| EBITDA ajustado no 1T26 | R$ 61,7 bilhões |
| Fluxo de caixa livre no 1T26 | R$ 20 bilhões |
| Proventos aprovados no 1T26 | R$ 9 bilhões |
| Valor por ação | R$ 0,70097272 |
| Preço-alvo citado pelo Santander | R$ 60 |
O que pode levar PETR4 a buscar os R$ 60
A tese positiva para Petrobras combina três fatores principais: produção maior, petróleo ainda em patamar favorável e geração de caixa capaz de sustentar dividendos. Na visão do Santander, a melhora na área de exploração e produção pode compensar parte dos riscos no refino, especialmente em um ambiente no qual a política de preços dos combustíveis segue sendo observada de perto pelo mercado.
Outro ponto importante é o Plano de Negócios 2026-2030. A Petrobras prevê investimentos relevantes em exploração e produção, com foco em projetos capazes de sustentar a curva de produção nos próximos anos. Segundo a Reuters, o plano aprovado prevê US$ 109 bilhões em investimentos, com US$ 78 bilhões voltados para exploração e produção, além de expectativa de pico de produção de óleo em 2028.
Se a companhia conseguir entregar produção acima do esperado e manter disciplina de custos, a geração de caixa pode melhorar. Esse cenário reforçaria a tese de dividendos e poderia sustentar uma reprecificação das ações.
Mas os riscos continuam relevantes
Apesar do tom mais otimista, PETR4 segue sendo uma ação exposta a riscos importantes. O primeiro deles é o preço do petróleo. Como a Petrobras é uma produtora de commodities, uma queda forte do Brent pode reduzir receitas, margens e fluxo de caixa.
Outro risco é político. A Petrobras tem participação relevante do governo federal, e decisões sobre combustíveis, investimentos, refino, dividendos e aquisições podem afetar a percepção dos investidores. A própria discussão sobre rentabilidade da gasolina e do diesel mostra que a tese não depende apenas de produção, mas também da política comercial da companhia.
Além disso, o aumento de investimentos pode pressionar o caixa no curto prazo. O Banco do Brasil Investimentos destacou que o capex da Petrobras no 1T26 avançou, com forte concentração em exploração e produção, o que ajuda o crescimento futuro, mas pode limitar a geração de caixa imediata.
PETR4 está em momento de compra?
A nova recomendação do Santander melhora o humor em torno da Petrobras, mas não elimina a necessidade de cautela. Para investidores focados em dividendos, PETR4 continua sendo uma das ações mais acompanhadas da Bolsa, justamente pela combinação de lucro alto, escala operacional e histórico de remuneração ao acionista.
O ponto de atenção é o preço de entrada. Quando o petróleo está valorizado e a ação já teve forte recuperação, parte do otimismo pode estar refletida na cotação. Por isso, a decisão de compra depende do perfil do investidor, do horizonte de prazo e da margem de segurança exigida.
A leitura mais equilibrada é que a Petrobras segue com fundamentos relevantes, mas não é uma tese sem risco. O potencial de chegar a R$ 60 existe dentro do cenário projetado pelos analistas, principalmente se a produção crescer e o caixa continuar forte. Ainda assim, quedas no petróleo, interferência em preços e investimentos maiores que o esperado podem mudar rapidamente essa conta.
A Petrobras voltou ao centro das atenções porque o mercado passou a enxergar mais valor na combinação de produção crescente, dividendos e possível geração adicional de caixa. A recomendação do Santander reforça a tese de que PETR4 pode estar descontada, com preço-alvo de R$ 60 em um cenário positivo.
Para o investidor, a questão principal não é apenas se a ação pode subir, mas se o retorno esperado compensa os riscos. PETR4 continua sendo uma ação forte em dividendos e relevante para carteiras de longo prazo, mas exige acompanhamento constante do petróleo, da política de preços e da capacidade da companhia de transformar produção em caixa.
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