A Klabin anunciou uma nova rodada de dividendos que será paga em quatro parcelas ao longo do próximo ano, além de uma bonificação de 1% em ações aos acionistas posicionados até meados de dezembro. O movimento ocorre em um momento estratégico, marcado por preços ainda pressionados das commodities, forte disciplina de custos e início do processo de desalavancagem da companhia.
Apesar da recente recuperação das ações, que acumulam alta próxima de 9% nos últimos movimentos, a empresa ainda opera em patamares significativamente descontados em relação aos níveis anteriores. No acumulado do ano, o papel segue pressionado, refletindo ainda os impactos do elevado ciclo de investimentos que marcou os últimos anos.
Dividendos antecipados: quatro parcelas e bonificação já confirmada
Dentro da estratégia de antecipação diante das mudanças tributárias sobre dividendos, a Klabin confirmou que os proventos serão pagos em quatro parcelas ao longo do próximo ano, com a primeira distribuição prevista já para fevereiro. As demais ocorrerão em maio, agosto e novembro.
Os valores por ação, considerando a unit, somam aproximadamente R$ 0,91, enquanto as ações preferenciais receberão cerca de R$ 0,18 por papel. No total, o dividend yield projetado gira em torno de 4,7% a 4,8%, mantendo a Klabin entre as empresas com remuneração relevante ao acionista, mesmo em um período de margens pressionadas.
Além disso, foi confirmada uma bonificação de 1% em ações para quem estiver posicionado até a data-base estipulada em dezembro. Com isso, o acionista passa a receber novas ações sem desembolso adicional, ampliando naturalmente sua participação na empresa.
Por que as ações da Klabin ainda seguem descontadas
O principal fator que explica o atual nível de desconto das ações está diretamente ligado ao ciclo de alavancagem recente, provocado por uma sequência de grandes projetos de expansão industrial e florestal. Ao mesmo tempo, o cenário internacional trouxe queda nos preços da celulose, kraftliner e papéis, pressionando as margens.
Mesmo assim, a estrutura da empresa mostra resiliência. A Klabin opera hoje com múltiplas frentes de atuação:
Celulose (fibra curta e fibra longa)
Papéis para embalagem
Papel cartão
Embalagens industriais
Sacos industriais
Florestas e ativos florestais próprios
Essa verticalização elevada garante maior controle de custos, proteção contra oscilações de mercado e flexibilidade operacional para direcionar a produção aos segmentos mais rentáveis em cada momento do ciclo.
Custos sob controle mesmo com inflação elevada
Mesmo em um ambiente inflacionário, a Klabin conseguiu manter seu custo caixa praticamente estável nos últimos anos, oscilando entre R$ 3,1 e R$ 3,2, enquanto a inflação acumulada no período superou 14%.
A empresa projeta que 2026 marcará o quarto ano consecutivo de estabilidade nos custos, mesmo com pressão de fretes, mão de obra e contratos indexados. Esse resultado é sustentado por:
Expansão florestal própria
Ganho de eficiência operacional
Diluição de custos fixos com aumento de volume
Redução estrutural do custo de fibras
Essa disciplina operacional é considerada hoje uma das principais alavancas de valor da companhia.
Desalavancagem já começou e deve ganhar força
A política financeira da Klabin estabelece um limite de 3,9 vezes a relação dívida líquida/Ebitda. No terceiro trimestre de 2025, esse índice já começou a ceder, saindo de 3,9x para 3,6x, marcando oficialmente o início do processo de desalavancagem.
Com a redução gradual dos investimentos mais pesados, a tendência é de uma queda contínua desse indicador nos próximos trimestres, abrindo espaço para:
Maior geração de caixa livre
Fortalecimento dos dividendos
Capacidade de novos investimentos sem estresse financeiro
A própria administração já sinaliza que a empresa poderá realizar investimentos da ordem de até R$ 10 bilhões sem comprometer sua política de endividamento, graças à forte geração de caixa operacional.
Ciclo de investimentos entra em fase mais equilibrada
Após anos de capex elevado, impulsionado por modernizações industriais, ampliação florestal e aumento de capacidade produtiva, a Klabin agora entra em uma fase de normalização dos investimentos, com níveis mais baixos a partir de 2024 e trajetória ainda menor até 2028.
O capex segue concentrado em três frentes principais:
Continuidade operacional
Modernizações industriais
Expansão florestal e compra de terras
Esse ajuste permite que a empresa cresça de forma mais equilibrada, sem reproduzir os picos de alavancagem observados no ciclo anterior.
Portfólio diversificado protege a empresa em ciclos ruins
Mesmo com os preços de celulose e kraftliner ainda em níveis baixos, a Klabin mantém seu Ebitda resiliente, graças ao seu portfólio integrado e diversificado. A empresa consegue direcionar sua produção para os segmentos mais rentáveis conforme a dinâmica do mercado.
Essa flexibilidade operacional é vista como um dos maiores diferenciais estratégicos da companhia, garantindo proteção em cenários adversos e forte potencial de valorização em momentos de recuperação dos preços das commodities.
Pipeline de investimentos segue ativo e focado em crescimento
A direção da Klabin confirmou que o pipeline de novos projetos continua ativo, especialmente com foco na região Sul do Brasil, onde a empresa enxerga áreas de alta produtividade para expansão florestal e industrial.
A estratégia é clara: crescer com disciplina financeira, respeitando a política de endividamento e aproveitando oportunidades que ampliem a presença da empresa no mercado global de papel, celulose e embalagens.
Visão de longo prazo reforça tese de valorização
Nos últimos dez anos, a Klabin conseguiu multiplicar sua geração de caixa em mais de duas vezes, sem diluir acionistas, financiando seus investimentos com captações eficientes e projetos com alta taxa de retorno. Esse histórico reforça a percepção da companhia como um grande ativo industrial com visão de longo prazo.
Especialistas comparam a dinâmica da empresa a um verdadeiro modelo de private equity industrial, com foco em crescimento sustentável, geração de caixa e preservação de valor ao acionista.
Momento de baixa no ciclo reforça assimetria para o investidor
Com os preços dos principais produtos ainda pressionados e a empresa entrando em uma fase clara de desalavancagem, o cenário atual é visto como um típico momento de assimetria positiva para investidores de longo prazo — conceito frequentemente associado à máxima de Warren Buffett sobre comprar ativos em períodos de medo.
A combinação de:
Empresa altamente verticalizada
Portfólio diversificado
Custos controlados
Redução de dívida
Pipeline ativo de crescimento
Dividendos garantidos em quatro parcelas
coloca a Klabin novamente no radar de quem busca valorização estrutural com geração de renda.
Quer saber tudo
o que está acontecendo?
Receba todas as notícias da A Revista no seu WhatsApp.
Entre em nosso grupo e fique bem informado.






