O Ibovespa perdeu força após se aproximar dos 176 mil pontos e encerrou a quarta-feira, 26 de agosto, aos 174.586,26 pontos, com leve alta de 0,01%. Apesar da perda de fôlego durante a sessão, o resultado garantiu ao principal índice da B3 o sexto fechamento positivo consecutivo.
Na máxima do dia, o indicador chegou aos 176.296,49 pontos, avanço próximo de 1%. Depois, a cautela nos mercados internacionais reduziu o apetite por ativos de risco e levou a Bolsa brasileira a devolver praticamente todo o ganho.
O volume financeiro negociado alcançou R$ 29,8 bilhões, segundo dados divulgados pela Reuters. O dólar comercial avançou e terminou próximo de R$ 5,15.
Deflação ajudou a Bolsa no início do dia
O pregão começou com reação positiva ao IPCA-15. A prévia da inflação brasileira caiu 0,40% em agosto, após avançar 0,06% em julho, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
O resultado ficou abaixo das projeções predominantes no mercado e foi influenciado principalmente pela queda de 4,93% na energia elétrica residencial. Com isso, o IPCA-15 acumula alta de 3,09% em 2026 e de 4,24% nos últimos 12 meses.
A deflação fortaleceu inicialmente as expectativas de continuidade do ciclo de redução da Selic. A perspectiva de juros menores tende a favorecer empresas dependentes de crédito e setores mais sensíveis ao custo do dinheiro, como varejo, construção e tecnologia.
Esse movimento ajudou a levar o Ibovespa acima dos 176 mil pontos durante a manhã. O efeito, entretanto, não resistiu ao aumento da cautela no exterior.
Inflação americana limita apetite por risco
Nos Estados Unidos, os dados econômicos produziram sinais conflitantes. O Produto Interno Bruto cresceu a uma taxa anualizada de 1,5% no segundo trimestre, conforme a segunda estimativa do Bureau of Economic Analysis.
O resultado mostrou uma desaceleração em relação à expansão anualizada de 2,1% registrada no primeiro trimestre. Um crescimento mais moderado pode reduzir parte da pressão para elevações adicionais dos juros americanos.
Por outro lado, o índice de preços dos gastos com consumo pessoal, conhecido como PCE, acumulou alta de 3,7% nos 12 meses encerrados em julho. O indicador permanece distante da meta de 2% perseguida pelo Federal Reserve.
A combinação de atividade mais fraca com inflação ainda elevada aumentou a incerteza sobre os próximos passos da política monetária americana. Juros elevados nos Estados Unidos tornam os títulos do Tesouro americano mais atraentes e podem reduzir o fluxo de recursos para mercados emergentes, como o Brasil.
Nvidia concentrou as atenções dos investidores
Outro fator que limitou as negociações foi a expectativa pelo balanço da Nvidia, divulgado somente depois do fechamento das bolsas.
Em entrevista ao Times Brasil, David Martins, diretor de investimentos da Brasil Wealth, avaliou que o mercado acompanhava não apenas os resultados financeiros da fabricante de chips, mas principalmente suas projeções para os próximos trimestres.
A preocupação era saber se os investimentos globais em infraestrutura de inteligência artificial continuariam crescendo no mesmo ritmo. Uma desaceleração poderia provocar redução da exposição a empresas de tecnologia e uma rotação de recursos para setores mais tradicionais.
Depois do encerramento do pregão, a Nvidia informou receita de US$ 96,2 bilhões no segundo trimestre fiscal de 2027, crescimento de 106% na comparação anual. Para o trimestre seguinte, a companhia projetou faturamento de aproximadamente US$ 108 bilhões, com margem de variação de 2%.
Os números e as projeções da empresa devem influenciar o comportamento das ações de tecnologia e o apetite global por risco na sessão seguinte.
O que o investidor deve acompanhar
A perda de força do Ibovespa mostra que a deflação brasileira, embora favorável às expectativas para a Selic, não foi suficiente para neutralizar a influência do cenário externo.
Nos próximos pregões, o mercado deve acompanhar a reação internacional ao balanço da Nvidia, o comportamento dos rendimentos dos títulos americanos e novas sinalizações do Federal Reserve.
No Brasil, a trajetória da inflação continuará relevante para determinar a velocidade dos próximos cortes de juros. A queda de agosto teve contribuição importante da energia elétrica, fator que pode não se repetir com a mesma intensidade nos meses seguintes.
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