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Início » Últimas Notícias » Ibovespa em recorde histórico: por que ainda existem ações “baratas” e esquecidas no topo da Bolsa?
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Ibovespa em recorde histórico: por que ainda existem ações “baratas” e esquecidas no topo da Bolsa?

Mesmo com o Ibovespa superando os 153 mil pontos, empresas sólidas como Petrobras, Klabin, Banco do Brasil, BB Seguridade e Vale seguem negociadas a preços atrativos — e pagando dividendos generosos
André CarvalhoPor André Carvalho12 de novembro de 20254 minutos lidos
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O Ibovespa acaba de romper a barreira dos 153 mil pontos, o maior patamar da história, impulsionado pelo apetite do investidor estrangeiro e pelo alívio na curva de juros. O cenário é de otimismo — mas, curiosamente, a alta do índice esconde várias ações de primeira linha que seguem baratas, algumas até com forte desconto em relação ao seu valor justo.

Enquanto boa parte do mercado comemora novos recordes, investidores atentos observam o outro lado: o das empresas sólidas e lucrativas que ficaram para trás. São companhias que, por fatores momentâneos, ainda negociam a preços atraentes e oferecem dividend yields de dois dígitos — um prato cheio para quem busca renda e potencial de valorização no médio prazo.

Petrobras (PETR4): gigante do petróleo e dos dividendos

A Petrobras é o exemplo clássico de uma ação cíclica que continua chamando atenção mesmo após anos de lucros expressivos. A empresa segue com forte geração de caixa, controlando endividamento e mantendo a política de distribuição robusta.

Nos últimos 12 meses, o dividend yield gira em torno de 17%, muito acima da média do mercado. Mesmo que os pagamentos caiam para a faixa de dois dígitos em 2025, ainda será um dos retornos mais altos da B3. Além disso, a receita dolarizada funciona como proteção natural para o investidor em um cenário de câmbio volátil.

Klabin (KLBN11): uma modernização ignorada pelo mercado

Com mais de 120 anos de história, a Klabin é uma das empresas mais inovadoras do setor de papel e celulose. Após investimentos bilionários na ampliação e modernização de suas plantas, a companhia consegue produzir mais com custos menores, elevando margens e eficiência.

Apesar da melhora operacional, o mercado ainda precifica a ação como se o ciclo da celulose estivesse em crise permanente. O preço da commodity e a queda do dólar afetaram momentaneamente o resultado, mas quem enxerga o longo prazo vê uma empresa bem posicionada para capturar o próximo ciclo de alta — hoje negociada perto de R$ 18, abaixo do potencial projetado por várias casas de análise.

Banco do Brasil (BBAS3): rentável, resiliente e subavaliado

Mesmo sendo um dos bancos mais lucrativos do país, o Banco do Brasil viu suas ações recuarem cerca de 22% nos últimos seis meses, pressionadas pela crise de inadimplência no agronegócio.

No entanto, os fundamentos seguem sólidos. O banco possui uma das maiores rentabilidades sobre patrimônio (ROE) do setor financeiro e mantém dividend yield superior a 9%, além de múltiplos bem abaixo da média histórica.

Para quem busca valor, é um exemplo claro de ação injustamente penalizada, com potencial de recuperação à medida que a inadimplência no agro for normalizada.

BB Seguridade (BBSE3): queda sem fundamento e oportunidade disfarçada

A BB Seguridade caiu junto com o Banco do Brasil, mas sem motivo real. A empresa não sofreu impacto relevante em seus resultados, continua registrando lucros crescentes e pagando dividendos consistentes trimestre após trimestre.

A desvalorização recente parece ter vindo por associação equivocada do mercado — o que abre espaço para investidores que buscam ações previsíveis e boas pagadoras em um setor de risco controlado e margens elevadas.

Vale (VALE3): uma gigante cíclica com desconto histórico

A Vale é outra campeã de dividendos e eficiência. Mesmo com a queda do minério de ferro e o dólar mais fraco, a companhia mantém um dos menores custos de extração do mundo, com forte geração de caixa e dividend yield ainda atrativo.

A ação segue descontada, refletindo pessimismo com o mercado global de commodities, mas esse é justamente o ponto: comprar Vale quando o minério está barato sempre foi uma estratégia vencedora de longo prazo.

Por que ainda há ações baratas com o Ibovespa nas alturas?

O fenômeno é explicado pela natureza concentrada do índice. A alta do Ibovespa é puxada por poucos setores — bancos, energia e commodities — enquanto diversas ações de empresas sólidas, mas momentaneamente fora dos holofotes, ainda não acompanharam o movimento.

Além disso, muitos investidores institucionais focam em curto prazo, deixando oportunidades abertas para quem tem paciência e visão de longo prazo. Em um cenário de juros cadentes e estabilidade cambial, essas empresas podem liderar o próximo ciclo de valorização.

Oportunidades escondidas no topo do mercado

O recorde do Ibovespa não significa o fim das oportunidades — pelo contrário. Ações de qualidade como PETR4, KLBN11, BBAS3, BBSE3 e VALE3 ainda apresentam margens de segurança, alto dividendo e potencial de valorização.

Para quem investe com foco em fundamentos, este pode ser um dos momentos mais estratégicos dos últimos anos: o mercado celebra o recorde, enquanto as melhores oportunidades permanecem disfarçadas sob o brilho do índice.

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André Carvalho
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André Luís Carvalho é jornalista formado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), fundador e editor-chefe da A Revista, com mais de dez anos de experiência em jornalismo digital. Coordena a cobertura de ações, dividendos, fundos imobiliários, renda fixa, petróleo, economia e mercados. Na direção editorial, orienta a apuração em documentos primários, a contextualização de riscos e a separação entre fatos, projeções e opiniões. Conteúdos informativos não constituem recomendação individual de investimento.

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