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Início » Últimas Notícias » Ibovespa em alta histórica, mas 10 ações seguem baratas e fora do radar
Ações

Ibovespa em alta histórica, mas 10 ações seguem baratas e fora do radar

Mesmo com o Ibovespa acumulando forte alta nos últimos 12 meses, análise por fundamentos revela ações lucrativas, descontadas e fora do radar do mercado.
Luciana RibeiroPor Luciana Ribeiro27 de janeiro de 20264 minutos lidos
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O Ibovespa segue renovando máximas e já se aproxima da região dos 180 mil pontos, acumulando valorização próxima de 43% nos últimos 12 meses. O movimento reacendeu o debate no mercado: ainda existem ações baratas para investir ou o bull market já levou tudo para níveis esticados?

A resposta, segundo uma análise baseada em fundamentos, é que ainda há oportunidades relevantes — especialmente fora do grupo de grandes pesos do índice. A alta do Ibovespa é fortemente concentrada em commodities e bancos, o que faz com que várias empresas lucrativas, com bom histórico operacional e dividendos elevados, fiquem à margem do rali.

Como identificar ações baratas em um mercado em alta

Para encontrar empresas ainda descontadas, a análise partiu de filtros objetivos, focados em qualidade e geração de valor no longo prazo. O critério evitou ações apenas “baratas no preço”, priorizando companhias lucrativas e com boa eficiência operacional.

Filtros utilizados

  • Dividend Yield acima de 6%

  • Preço/Lucro (P/L) entre 3 e 10

  • Margem líquida acima de 5%

  • Retorno sobre patrimônio (ROE) acima de 15%

  • Liquidez média diária superior a R$ 1 milhão

A partir desses critérios, foram selecionadas as 10 ações mais baratas, ordenadas pelo menor P/L.

As 10 ações mais baratas do momento pelo valuation

Entre os papéis que passaram no filtro, destacam-se empresas de setores variados — consumo, indústria, energia, petróleo e construção — muitas delas com crescimento consistente de receita e lucro.

Destaques da lista

  • Vulcabras (VULC3) – Margem líquida acima de 30%, ROE elevado e forte geração de caixa no segmento esportivo. Mesmo com crescimento consistente, negocia a múltiplos típicos de empresas em dificuldade.

  • Irani (RANI3) – Papel e embalagens, com lucro recorrente, margens robustas e bom histórico de dividendos.

  • Petrobras (PETR4) – Mesmo após a valorização, segue com múltiplos baixos, forte geração de caixa e dividendos elevados, negociando a EV/EBIT abaixo da média histórica.

  • Dexus Participações (DEXP3) – Empresa industrial sem endividamento, caixa líquido positivo e exposição a setores como química, aço, energia e óleo & gás.

  • Marcopolo (POMO4) – Cíclica, mas com histórico de eficiência, boa posição competitiva e ROE acima da média do mercado.

  • Metal Leve (LEVE3) – Margens sólidas, baixa alavancagem e atuação global no setor automotivo.

  • TAESA (TAEE11) – Receita previsível, forte geração de caixa e dividendos recorrentes.

  • Lavvi (LAVV3) – Exposição ao mercado imobiliário de média e alta renda, com resultados resilientes.

  • Cury (CURY3) – Forte desempenho operacional e crescimento consistente de lançamentos.

  • Shopee Brasil Logística / setor industrial correlato – Empresas menos óbvias, com fundamentos sólidos e baixa exposição ao fluxo especulativo.

Por que essas ações ficaram para trás?

Mesmo com a Bolsa em alta, muitas dessas empresas não acompanharam o Ibovespa porque:

  • Não fazem parte do núcleo concentrado do índice

  • Estão fora do radar de investidores estrangeiros

  • Pertencem a setores menos “moda” no curto prazo

  • Já passaram por ciclos de correção recentes

Isso cria distorções importantes entre preço e valor, especialmente quando o lucro cresce, mas a cotação não acompanha na mesma proporção.

Ações parecem caras? O erro de olhar só a cotação

Um erro comum é avaliar se uma ação está cara ou barata apenas pelo preço nominal ou pela valorização recente. O correto é observar:

  • Crescimento do lucro

  • Evolução do ROE

  • Capacidade de geração de caixa

  • Múltiplos em relação ao histórico da própria empresa

Em vários casos, ações que “subiram muito” ainda seguem abaixo do preço justo quando analisadas por fluxo de caixa, lucro por ação e valor patrimonial.

Onde deixar o dinheiro se não quiser comprar agora

Para quem acredita em uma realização de lucros no curto prazo, manter uma reserva de oportunidade faz sentido. Entre as alternativas analisadas:

  • ETFs de renda fixa com tributação eficiente

  • Exposição ao Tesouro Selic e IPCA+

  • ETFs como o LFTB11, que combinam liquidez, risco soberano e menor impacto tributário

Essa estratégia permite preservar capital e aproveitar possíveis correções futuras sem ficar totalmente fora do mercado.

Mesmo com o Ibovespa em alta, oportunidades seguem abertas

A principal conclusão é clara: o bull market não elimina as barganhas. Ele apenas exige mais critério. Ao filtrar empresas lucrativas, com dividendos elevados, múltiplos baixos e boa liquidez, ainda é possível encontrar ações com potencial relevante de retorno no longo prazo.

Para investidores focados em fundamentos, o momento não é de euforia generalizada, mas de seleção cuidadosa — separando empresas realmente caras daquelas que apenas ficaram fora do rali.

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Luciana Ribeiro
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Luciana Ribeiro é contadora e consultora tributária, com mais de 12 anos de experiência no setor fiscal. Na A Revista, explica Imposto de Renda, tributação de investimentos, regras aplicáveis a pessoas e empresas e mudanças na legislação. Identifica o período de vigência das normas e ressalta quando casos individuais exigem orientação específica.

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