O cenário atual do mercado de petróleo reacendeu uma dúvida recorrente entre investidores que buscam renda passiva e proteção cambial: vale mais a pena investir na Petrobras ou na PRIO (antiga PetroRio)?
Com o barril do petróleo negociado próximo dos US$ 59,75, ambas as companhias enfrentam um ambiente desafiador no curto prazo. Ainda assim, por serem exportadoras, mantêm uma característica relevante dentro de uma carteira diversificada: proteção contra o câmbio e geração robusta de caixa em ciclos favoráveis.
Apesar de atuarem no mesmo setor, Petrobras e PRIO estão em momentos completamente diferentes de maturidade, estratégia e remuneração ao acionista, o que torna a comparação essencial antes de qualquer decisão de aporte.
Valuation: Petrobras negocia com desconto maior
Quando o assunto é valuation, os números chamam atenção.
Atualmente, a Petrobras negocia a cerca de 4 vezes EV/EBITDA (últimos 12 meses), enquanto a PRIO é negociada em torno de 6,8 vezes EV/EBITDA. Esse indicador é amplamente utilizado no setor de commodities por suavizar distorções causadas por ciclos de lucro algo comum em empresas de petróleo.
Interpretação prática:
Quanto menor o múltiplo, maior tende a ser a margem de segurança e mais rápido, teoricamente, o investidor recupera o capital investido.
Nesse quesito, a Petrobras aparece como mais barata, refletindo não apenas seu tamanho, mas também fatores como controle estatal e previsibilidade de crescimento.
Dividendos: política clara versus promessa futura
Petrobras: previsibilidade e recorrência
A Petrobras possui hoje uma política de dividendos clara e formalizada:
- Distribuição mínima de 45% do fluxo de caixa livre
- Pagamentos quatro vezes ao ano
- Possibilidade adicional de dividendos extraordinários, embora não recorrentes
Essa previsibilidade permite que o investidor calcule com relativa precisão o preço-teto e o retorno esperado, algo fundamental para quem segue estratégias clássicas de renda passiva.
PRIO: geração de caixa alta, mas sem política definida
A PRIO, por outro lado, ainda não possui uma política formal de dividendos. No estatuto, a obrigação mínima é praticamente simbólica, o que dificulta projeções mais conservadoras.
No entanto, a própria companhia já sinalizou que pretende anunciar uma política clara de dividendos no primeiro semestre de 2026 movimento que pode mudar completamente a percepção do mercado sobre o papel.
Hoje, a PRIO já apresenta forte geração de caixa livre, o que abre espaço para distribuições futuras relevantes, mesmo que em percentuais menores que os da Petrobras.
Tese de investimento: renda madura versus crescimento acelerado
Petrobras: renda passiva e estabilidade
A tese da Petrobras é clara:
- Empresa madura
- Produção crescente, porém mais linear
- Forte foco em dividendos
- Exposição a projetos estratégicos, como a Margem Equatorial
É uma ação voltada para quem busca previsibilidade, geração de caixa consistente e retorno recorrente, mesmo em cenários de maior volatilidade política.
PRIO: crescimento agressivo e expansão
Já a PRIO representa uma tese diferente:
- Crescimento acelerado da produção
- Aquisição de campos maduros
- Possibilidade de fusões e aquisições
- Foco em eficiência operacional
Aqui, o investidor aposta em expansão exponencial, com dividendos ganhando protagonismo ao longo do tempo especialmente após a formalização da nova política.
Riscos e pontos de atenção
- Petrobras: influência estatal e decisões políticas podem impactar resultados, embora isso não seja necessariamente negativo para todos os perfis.
- PRIO: estrutura acionária e ausência atual de política de dividendos exigem maior tolerância a risco e visão de longo prazo.
É Petrobras ou PRIO?
A resposta mais honesta é: não precisa ser uma ou outra.
- Para o presente, Petrobras oferece maior margem de segurança, valuation descontado e dividendos previsíveis.
- Para o futuro, PRIO surge como uma candidata forte a integrar carteiras diversificadas, especialmente se confirmar uma política consistente de dividendos a partir de 2026.
Dentro de uma carteira equilibrada, com exposição internacional e diferentes setores, a PRIO pode ocupar algo entre 4% e 6% do portfólio, complementando a renda gerada por empresas mais maduras como a Petrobras.
2026 tende a ser um ano-chave para essa decisão, e investidores atentos podem se posicionar antes que o mercado antecipe completamente esse movimento.
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