A Minerva Foods (BEEF3) voltou ao radar dos investidores após divulgar um resultado que trouxe sinais mistos ao mercado. A companhia registrou receita líquida de R$ 13,4 bilhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 19,8% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Apesar do avanço nas vendas, o lucro líquido caiu 52,8%, para R$ 87,3 milhões. O contraste mostra que a empresa conseguiu vender mais, mas enfrentou pressão sobre rentabilidade, custos e margens.
O Ebitda ficou próximo de R$ 1,1 bilhão, com crescimento anual, mas a margem seguiu apertada diante de um ambiente mais desafiador para o setor de proteína bovina.
Exportações sustentam o negócio, mas aumentam a dependência externa
A Minerva é uma das empresas brasileiras mais expostas ao mercado internacional de carne bovina. No trimestre, as exportações representaram cerca de 55% da receita bruta.
Esse perfil ajuda a companhia em momentos de demanda externa aquecida, mas também aumenta a sensibilidade a fatores como câmbio, demanda chinesa, mercado americano, tarifas, cotas de exportação e eventuais restrições comerciais.
China e Estados Unidos seguem como mercados importantes para a empresa. Por isso, qualquer sinal de desaceleração da demanda ou mudança nas regras de importação pode afetar diretamente a percepção dos investidores sobre BEEF3.
Principais dados da Minerva no 1T26
| Indicador | Resultado |
|---|---|
| Receita líquida | R$ 13,4 bilhões |
| Crescimento da receita líquida | 19,8% |
| Lucro líquido | R$ 87,3 milhões |
| Queda do lucro líquido | 52,8% |
| Ebitda aproximado | R$ 1,1 bilhão |
| Exportações na receita bruta | cerca de 55% |
| Alavancagem dívida líquida/Ebitda | cerca de 2,7 vezes |
Safra vê potencial forte para BEEF3
Mesmo com a queda no lucro, o Safra manteve visão positiva para Minerva. O banco destacou que o resultado operacional veio acima do esperado e manteve recomendação de compra para BEEF3.
O preço-alvo do Safra é de R$ 8,50 por ação, o que indica potencial relevante de valorização em relação aos níveis recentes de negociação.
A tese positiva considera que a Minerva pode capturar ganhos com integração de ativos, melhora operacional e manutenção da demanda internacional por carne bovina.
Itaú BBA adota cautela e corta preço-alvo
Na outra ponta, o Itaú BBA reduziu a recomendação da Minerva para visão neutra e cortou o preço-alvo de R$ 9 para R$ 5,50.
O banco citou menor visibilidade para o mercado de carne bovina no Brasil, risco de alta no custo do gado, dúvidas sobre a demanda chinesa e impacto do câmbio.
A XP também adotou tom mais cauteloso, apesar de reconhecer que os números do trimestre vieram acima das estimativas em receita e margem. O ponto de atenção está no fluxo de caixa livre negativo e nas incertezas para os próximos trimestres.
BEEF3 está barata ou virou risco?
A ação da Minerva chama atenção porque negocia descontada em relação a parte dos preços-alvo do mercado. Porém, o desconto não vem sem motivo.
O investidor precisa considerar que frigoríficos são empresas cíclicas, sensíveis ao preço do gado, ao câmbio, às exportações e à demanda global. No caso da Minerva, a forte exposição internacional pode ser vantagem em um cenário favorável, mas também amplia os riscos em momentos de incerteza.
A Minerva (BEEF3) vive um momento de disputa entre potencial e cautela. A receita cresceu, o Ebitda avançou e as exportações continuam fortes, mas a queda de mais de 50% no lucro líquido mostra que a rentabilidade ainda preocupa.
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