A disputa entre Irani (RANI3), Klabin (KLBN11/KLBN4) e Suzano (SUZB3) voltou a ganhar força entre investidores que buscam empresas ligadas ao setor de papel, celulose e embalagens. O movimento foi impulsionado pelo novo ciclo de investimentos anunciado pela Irani, que pretende ampliar sua capacidade produtiva e dobrar sua participação de mercado até 2034.
Apesar do entusiasmo, a leitura para o investidor precisa ser cuidadosa. Trata-se de um setor intensivo em capital, com projetos longos, alto investimento, exposição ao ciclo econômico e forte influência de juros, câmbio e preços internacionais da celulose.
Irani aposta em crescimento, mas resultado não vem de imediato
A Irani anunciou o Projeto Gaia XII, com investimento de R$ 514 milhões na unidade de Santa Luzia, em Minas Gerais. O plano inclui modernização da máquina de papel, nova caldeira de biomassa e revitalização industrial.
Além disso, a companhia apresentou a Plataforma Neos, voltada à expansão de capacidade em embalagens. A meta é aumentar o market share de cerca de 4% para 8% até 2034.
O ponto central é o prazo. O impacto relevante nos resultados deve aparecer gradualmente, e não de forma imediata. Para quem busca valorização rápida ou dividendos elevados no curto prazo, o ciclo pode frustrar expectativas.
Klabin segue como opção mais equilibrada
A Klabin continua sendo vista como uma empresa mais diversificada. A companhia combina exposição à celulose, papéis e embalagens, o que reduz a dependência de um único segmento.
Em 2025, a Klabin registrou receita líquida de R$ 20,7 bilhões e EBITDA ajustado de R$ 7,848 bilhões, mostrando escala, geração operacional e presença consolidada no setor.
A desvantagem está na alavancagem e no menor potencial proporcional de crescimento quando comparada à Irani. Por outro lado, para grandes investidores, Klabin tende a ter mais liquidez e previsibilidade.
Suzano é a mais exposta ao ciclo da celulose
A Suzano é a principal escolha para quem busca exposição direta à celulose. A empresa tem escala global, forte presença internacional e maior sensibilidade ao dólar e aos preços da commodity.
Quando o ciclo da celulose melhora, Suzano costuma capturar esse movimento com mais força. Porém, o contrário também é verdadeiro: queda nos preços internacionais, câmbio desfavorável ou pressão de custos podem afetar rapidamente o desempenho das ações.
Comparativo entre as empresas
| Empresa | Principal força | Principal risco | Perfil mais indicado |
| Irani (RANI3) | Maior potencial proporcional de crescimento | Projetos longos e possível queda nos dividendos | Investidor de longo prazo |
| Klabin (KLBN11/KLBN4) | Diversificação e escala | Dívida elevada e crescimento mais gradual | Perfil equilibrado |
| Suzano (SUZB3) | Exposição global à celulose | Volatilidade da commodity e câmbio | Investidor que aceita mais oscilação |
Dividendos podem perder força?
Um dos pontos de atenção está nos dividendos. No caso da Irani, o novo ciclo de expansão pode reduzir a distribuição no curto e médio prazo, já que parte do caixa tende a ser direcionada para investimentos.
Isso não significa necessariamente piora da empresa. Em ciclos de crescimento, companhias podem pagar menos dividendos hoje para tentar gerar mais lucro no futuro. O investidor precisa avaliar se prefere renda imediata ou valorização de longo prazo.
Afinal, qual é a melhor ação do setor?
Não há uma resposta única. Para quem busca maior potencial de crescimento em 5 a 10 anos, Irani pode ser a tese mais interessante, justamente por ainda ser menor e ter espaço para dobrar capacidade.
Para quem prefere equilíbrio, liquidez e diversificação, Klabin aparece como alternativa mais conservadora dentro do setor. Já Suzano é a opção mais ligada ao ciclo global da celulose, com maior exposição a câmbio e commodity.
O ponto mais importante é que nenhuma das três deve ser comprada apenas porque caiu ou porque anunciou investimentos. O investidor precisa entender o negócio, o prazo dos projetos, a dívida, a política de dividendos e o preço pago pela ação.
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