O Bradesco voltou ao radar dos investidores que buscam dividendos após divulgar lucro líquido recorrente de R$ 6,811 bilhões no primeiro trimestre de 2026. O resultado representa alta de 16,1% em relação ao mesmo período de 2025 e avanço de 4,5% frente ao trimestre anterior.
O desempenho veio acompanhado de melhora no retorno sobre o patrimônio líquido, que chegou a 15,8%. A margem financeira bruta também avançou, alcançando R$ 20 bilhões no trimestre, sinalizando recuperação gradual da rentabilidade do banco.
Além do lucro, outro ponto chamou atenção: o Bradesco aprovou R$ 3 bilhões em juros sobre capital próprio intermediários. O valor bruto será de R$ 0,270307086 por ação ordinária BBDC3 e R$ 0,297337795 por ação preferencial BBDC4, com pagamento previsto até 30 de outubro de 2026.
Bradesco mantém tradição de pagamentos mensais
Mesmo sem uma nova bonificação recente, o Bradesco segue como uma das empresas mais previsíveis da Bolsa em remuneração aos acionistas. O banco mantém pagamentos mensais de JCP, embora os valores sejam pequenos.
Segundo a área de Relações com Investidores do Bradesco, os JCP mensais de 2026 seguem em R$ 0,017249826 por BBDC3 e R$ 0,018974809 por BBDC4. Para quem busca renda recorrente, esses pagamentos funcionam como complemento, enquanto os JCP intermediários costumam ter impacto maior no bolso do acionista.
BBDC3 ou BBDC4: qual ação faz mais sentido?
A BBDC4 paga proventos 10% maiores que a BBDC3. Porém, isso não significa que ela seja sempre a melhor opção para dividendos.
O investidor precisa comparar o valor pago por ação com o preço de mercado. Se a BBDC4 estiver muito mais cara que a BBDC3, a ação ordinária pode oferecer melhor retorno proporcional.
| Ação | Tipo | JCP intermediário bruto aprovado | JCP mensal 2026 | Ponto de atenção |
|---|---|---|---|---|
| BBDC3 | Ordinária | R$ 0,270307086 | R$ 0,017249826 | Pode ser mais atrativa se estiver descontada |
| BBDC4 | Preferencial | R$ 0,297337795 | R$ 0,018974809 | Paga 10% a mais, mas pode custar proporcionalmente mais |
| Bradesco | Banco | R$ 3 bilhões no total | Pagamento mensal recorrente | Resultado ainda depende de crédito e provisões |
Resultado melhora, mas mercado ainda olha para riscos
O lucro maior reforça a tese de recuperação do Bradesco, mas o cenário ainda exige cautela. Bancos dependem diretamente da qualidade da carteira de crédito, do controle da inadimplência e do nível de provisões.
Para o investidor de curto prazo, esses fatores podem manter as ações pressionadas. Para quem pensa no longo prazo, a queda recente dos papéis pode abrir uma janela de entrada, especialmente se o foco estiver em renda e recuperação gradual dos lucros.
Bonificações ainda pesam na tese de longo prazo
Historicamente, o Bradesco também chamou atenção pelas bonificações em ações. Esse mecanismo aumenta a quantidade de papéis na carteira do investidor, o que pode ampliar o efeito dos dividendos futuros.
Embora não haja nova bonificação anunciada até o momento, o histórico ajuda a explicar por que muitos investidores de longo prazo continuam acompanhando o banco. A combinação entre bonificações passadas, JCP mensais e pagamentos intermediários cria uma tese de renda recorrente, desde que o preço de entrada seja bem avaliado.
O Bradesco mostra sinais mais consistentes de recuperação em 2026. O lucro cresceu, o banco aprovou R$ 3 bilhões em JCP e segue mantendo pagamentos mensais aos acionistas.
A dúvida principal não é apenas se Bradesco paga dividendos, mas qual ação oferece melhor relação entre preço e renda: BBDC3 ou BBDC4. Neste ponto, a escolha depende do desconto de cada papel no mercado.
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