O Banco do Brasil voltou ao centro das discussões entre investidores de longo prazo. Depois de anos de forte rentabilidade, dividendos relevantes e valorização expressiva na Bolsa, a ação BBAS3 passou a enfrentar um cenário mais difícil, marcado por queda no lucro, aumento das provisões e pressão da inadimplência no agronegócio.
No primeiro trimestre de 2026, o Banco do Brasil registrou lucro líquido ajustado de R$ 3,4 bilhões, queda de 53,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. O retorno sobre o patrimônio líquido, o ROE, recuou para 7,3%, um patamar bem abaixo do que o banco costumava entregar em ciclos mais favoráveis.
Esse resultado reacendeu uma pergunta comum entre investidores: Banco do Brasil é uma ação para vender ou para manter em carteira?
A resposta não é simples. BBAS3 continua sendo uma das maiores instituições financeiras do país, com presença dominante no crédito rural, forte base de clientes e histórico relevante de pagamento de proventos. Ao mesmo tempo, o momento exige cautela, porque a piora da carteira agro pode continuar pressionando lucros, dividendos e percepção de risco.
Por que BBAS3 caiu tanto?
A queda recente das ações do Banco do Brasil está ligada, principalmente, à piora do risco de crédito. Como o banco tem forte exposição ao agronegócio, o aumento da inadimplência no setor obrigou a instituição a elevar provisões, ou seja, reservar mais dinheiro para possíveis perdas com calotes.
Esse movimento reduz o lucro no curto prazo e afeta diretamente a rentabilidade. Em 2025, o banco já havia revisado para baixo suas projeções de lucro e dividendos, em meio ao aumento dos problemas na carteira agro. A Reuters informou que o BB cortou sua estimativa de lucro em 2025 após alta dos calotes de produtores rurais e elevação do custo de crédito.
Na prática, o mercado passou a cobrar um desconto maior para BBAS3. A ação pode parecer barata em múltiplos tradicionais, mas parte desse desconto reflete dúvidas sobre a velocidade de recuperação dos resultados.
BBAS3 ainda é uma ação de longo prazo?
Para investidores de longo prazo, o Banco do Brasil continua sendo uma empresa relevante. O banco tem escala, marca forte, presença nacional, papel estratégico no crédito agrícola e histórico de lucro consistente após a reestruturação dos anos 1990.
O ponto central é que ação boa também cai. E, no caso de bancos, quedas fortes costumam aparecer quando há dúvidas sobre inadimplência, provisões e qualidade da carteira de crédito.
A tese de longo prazo em BBAS3 depende de alguns fatores:
| Ponto de análise | Situação atual | Impacto para o investidor |
| Lucro ajustado no 1T26 | R$ 3,4 bilhões | Mostra forte queda anual |
| ROE no 1T26 | 7,3% | Rentabilidade bem abaixo do padrão histórico |
| Principal pressão | Inadimplência no agro | Aumenta provisões e reduz lucro |
| Dividendos | Mais limitados no curto prazo | Menor lucro tende a reduzir proventos |
| Tese de longo prazo | Banco grande e lucrativo | Depende da normalização do crédito |
O investidor que compra BBAS3 apenas pelo dividendo recente pode se frustrar se o lucro continuar pressionado. Já quem olha para ciclos longos precisa entender que bancos passam por fases de expansão e contração de crédito.
O alerta histórico: Banco do Brasil já viveu crise grave nos anos 1990
Uma das partes mais importantes dessa discussão é lembrar que a ideia de que “estatal não quebra” pode levar a uma falsa sensação de segurança. O Banco do Brasil passou por uma crise profunda nos anos 1990, especialmente após o Plano Real.
Estudo da Unicamp aponta que a queda da inflação, a valorização do real e o aumento da inadimplência deixaram clara a situação de insolvência de bancos públicos e privados, incluindo o Banco do Brasil, que tinha uma carteira de ativos problemática naquele período.
O banco precisou passar por capitalização, ajustes e mudanças na gestão de crédito. Depois disso, voltou a gerar lucro e entrou em uma nova fase, mais voltada à eficiência, rentabilidade e governança. O próprio estudo destaca que os resultados positivos dos anos seguintes refletiram a reversão dos prejuízos de 1995 e 1996 e uma gestão de crédito mais eficiente.
Esse histórico não significa que a situação atual seja igual à dos anos 1990. Hoje, o banco tem patrimônio muito maior, regras prudenciais mais rígidas e um sistema financeiro mais regulado. Mas o passado mostra que até grandes bancos públicos podem enfrentar crises severas quando a carteira de crédito se deteriora.
O erro de vender no pânico — e o erro de comprar na euforia
A queda de BBAS3 pode gerar dois comportamentos perigosos. O primeiro é vender no pânico, sem analisar os fundamentos. O segundo é comprar pesado apenas porque a ação caiu.
No mercado, preço baixo não significa, automaticamente, oportunidade. Uma ação pode cair porque ficou descontada demais, mas também pode cair porque o lucro futuro será menor do que o mercado imaginava.
No caso do Banco do Brasil, o investidor precisa observar se a queda é apenas uma fase do ciclo ou se os problemas no crédito rural podem se prolongar. A resposta virá dos próximos balanços, especialmente nos indicadores de inadimplência, provisões, margem financeira e ROE.
Banco do Brasil é ação para vender?
A pergunta mais correta talvez não seja “BBAS3 é para vender?”, mas sim: o motivo original para ter BBAS3 na carteira continua válido?
Para quem comprou Banco do Brasil buscando dividendos elevados e crescimento consistente do lucro, o momento exige revisão das expectativas. Os dividendos podem continuar existindo, mas dificilmente terão o mesmo brilho se o lucro permanecer pressionado.
Para quem comprou pensando em longo prazo, a decisão passa por avaliar exposição. Ter BBAS3 em carteira pode fazer sentido para alguns investidores, mas concentrar demais em uma ação estatal, cíclica e exposta ao agronegócio aumenta o risco.
O Banco do Brasil não deixou de ser uma instituição relevante. Mas também não está em um momento confortável. A ação pode continuar descontada enquanto o mercado não enxergar melhora clara na inadimplência e na rentabilidade.
Melhor época para comprar ações: o que BBAS3 ensina
A discussão sobre BBAS3 também traz uma lição maior para quem investe: a melhor época para comprar ações costuma aparecer em momentos de estresse, mas isso exige análise, paciência e controle emocional.
Comprar ações de boas empresas em fases difíceis pode gerar bons retornos no longo prazo. Porém, isso só funciona quando o investidor entende o risco, aceita volatilidade e evita apostar tudo em uma única tese.
No caso de bancos, alguns sinais ajudam a avaliar se o pior ficou para trás:
| Indicador | O que observar |
| Inadimplência | Se os atrasos começam a estabilizar ou cair |
| Provisões | Se o custo de crédito para de subir |
| ROE | Se a rentabilidade volta a melhorar |
| Lucro recorrente | Se há recuperação sustentável |
| Dividendos | Se o payout permanece saudável |
| Guidance | Se as projeções param de ser revisadas para baixo |
Enquanto esses sinais não aparecem com clareza, BBAS3 segue como uma ação que pode atrair investidores pacientes, mas que exige cautela maior do que em períodos de lucro recorde.
Veredito: BBAS3 ainda tem força, mas o risco aumentou
O Banco do Brasil continua sendo uma das ações mais acompanhadas por investidores de dividendos no Brasil. A empresa tem histórico, escala, presença no agronegócio e capacidade de geração de lucro. Mas o cenário atual é mais desafiador.
A queda do lucro, o ROE baixo e a pressão da inadimplência no agro mostram que BBAS3 vive um ciclo de ajuste. Isso não significa que a ação perdeu sua tese de longo prazo, mas indica que o investidor precisa evitar decisões extremas.
Vender apenas porque caiu pode ser precipitado. Comprar apenas porque caiu também pode ser arriscado.
O ponto mais importante é acompanhar os próximos balanços. Se o Banco do Brasil conseguir estabilizar a inadimplência, reduzir provisões e recuperar rentabilidade, BBAS3 pode voltar a ganhar força. Caso contrário, a ação pode continuar pressionada, mesmo negociando a múltiplos baixos.
Quer saber tudo
o que está acontecendo?
Receba todas as notícias da A Revista no seu WhatsApp.
Entre em nosso grupo e fique bem informado.







Deixe o Seu Comentário