A Ambev (ABEV3) voltou a chamar atenção do mercado após divulgar lucro líquido ajustado de R$ 3,8 bilhões no primeiro trimestre de 2026, uma leve alta de 0,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. O número mostrou resiliência operacional, mas também reforçou uma preocupação recorrente entre analistas e investidores: a dificuldade da companhia em crescer de forma consistente em volume.
O resultado veio em um momento em que o mercado observa se a dona de marcas como Brahma, Skol, Antarctica, Budweiser e Corona conseguirá transformar sua força de marca em crescimento mais acelerado. A crítica presente no esboço é justamente que a empresa segue sólida, mas parece mais dependente de eficiência, preço e recuperação do mercado do que de novas frentes relevantes de expansão.
Volume melhora, mas ainda não resolve a principal dúvida
No 1T26, a Ambev conseguiu reduzir o ritmo de queda no volume consolidado. A retração foi de 0,8%, bem menor que a queda de 3,3% registrada em 2025 e abaixo da baixa de 3,8% no 4T25. O destaque positivo ficou com Cerveja Brasil, que cresceu 1,2% no trimestre.
Dentro desse desempenho, as cervejas premium avançaram cerca de 20%, as opções consideradas mais saudáveis cresceram aproximadamente 70%, e as cervejas sem álcool subiram perto de 10%. Esses segmentos ajudaram a compensar a fraqueza das marcas mais tradicionais, conhecidas como core.
| Indicador | Resultado recente |
|---|---|
| Lucro líquido ajustado 1T26 | R$ 3,8 bilhões |
| Crescimento do lucro ajustado | +0,3% |
| Volume consolidado | -0,8% |
| Volume Cerveja Brasil | +1,2% |
| Receita líquida 2025 | R$ 88,2 bilhões |
| Ebitda ajustado 2025 | R$ 29,5 bilhões |
Empresa segue forte, mas tese de crescimento perdeu brilho
A Ambev ainda é uma companhia com vantagens competitivas claras: marcas fortes, presença nacional, distribuição robusta, caixa relevante e histórico de margens elevadas. No entanto, o ponto central para ABEV3 é saber se a empresa conseguirá voltar a crescer com mais força.
Em 2025, a receita líquida da companhia foi de R$ 88,2 bilhões, abaixo dos R$ 89,4 bilhões de 2024, segundo dados financeiros divulgados pela própria empresa.
Isso mostra que a Ambev continua lucrativa, mas enfrenta um cenário em que preço, mix e eficiência operacional precisam compensar a dificuldade de ampliar volumes. Para investidores de longo prazo, esse é o principal alerta.
Dividendos e caixa ainda sustentam interesse por ABEV3
Mesmo com crescimento mais limitado, a Ambev segue sendo observada por investidores que buscam empresas defensivas e pagadoras de proventos. O perfil de baixo endividamento, geração de caixa e marcas consolidadas ajuda a sustentar a atratividade da ação para quem prioriza estabilidade.
O problema é que estabilidade não significa necessariamente alto potencial de valorização. Para voltar a empolgar o mercado, a Ambev precisará provar que consegue crescer além da premiumização, do reajuste de preços e do controle de custos.
ABEV3 ainda é sólida, mas precisa mostrar mais crescimento
A Ambev não é uma empresa fraca. Pelo contrário, segue como uma das companhias mais robustas da Bolsa brasileira. Mas o resultado recente mostra uma divisão clara: os números de lucro e margem continuam respeitáveis, enquanto o crescimento em volume ainda deixa dúvidas.
Para investidores conservadores, ABEV3 pode continuar fazendo sentido como uma ação defensiva. Para quem busca crescimento mais forte no longo prazo, a companhia precisa mostrar que ainda tem capacidade de inovar, expandir categorias e gerar valor além do negócio tradicional de cerveja.
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