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Ações

Ações da Grendene (GRND3) caem após balanço fraco do 4º trimestre, mas dividendos elevados ainda chamam atenção do mercado

Fabricante de calçados registra queda nas vendas, lucro e receita no último trimestre, pressionando a cotação em mais de 10%, enquanto dividendos continuam atraindo investidores.
Eduardo MartinsPor Eduardo Martins9 de março de 20265 minutos lidos
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Ações da Grendene (GRND3) caem após balanço fraco do 4º trimestre, mas dividendos elevados ainda chamam atenção do mercado
Ações da Grendene (GRND3) caem após balanço fraco do 4º trimestre, mas dividendos elevados ainda chamam atenção do mercado

A fabricante brasileira de calçados Grendene (GRND3) divulgou seus resultados financeiros mais recentes e acabou provocando uma reação negativa no mercado. Após a divulgação do balanço, as ações da companhia registraram forte queda na bolsa, acumulando desvalorização superior a 10% nos últimos cinco dias, com um único pregão chegando a registrar queda próxima de 8%.

Mesmo com o desempenho recente desfavorável na cotação, a empresa ainda figura entre os principais pagadores de dividendos da bolsa brasileira, fator que continua despertando o interesse de investidores focados em renda passiva.

O resultado do quarto trimestre de 2025 (4T25), comparado ao mesmo período de 2024, revelou uma deterioração relevante em vários indicadores operacionais da companhia.

Resultados do trimestre mostram queda nas vendas e no lucro

Os números divulgados pela empresa indicam uma retração significativa em praticamente todas as linhas do balanço.

Entre os principais indicadores apresentados pela companhia, destacam-se:

  • Volume de vendas: queda de aproximadamente 20%

  • Receita bruta: recuo de cerca de 12%

  • Lucro bruto: redução de aproximadamente 27%

  • EBIT: queda expressiva de 43%

  • Lucro líquido recorrente: retração de cerca de 17%

Segundo a companhia, parte desse desempenho mais fraco foi influenciado por fatores específicos do período, como readaptação de máquinas e equipamentos, além de custos não recorrentes relacionados a ajustes operacionais.

Outro fator relevante apontado foi a fraqueza do mercado interno, que impactou diretamente a demanda por produtos da marca.

Desempenho das ações fica atrás de concorrentes

Apesar da Grendene ser tradicionalmente conhecida por sua solidez financeira e geração de caixa consistente, o desempenho das ações tem ficado abaixo de alguns concorrentes diretos do setor.

Um exemplo frequentemente citado pelos analistas é a Vulcabras, que apresentou desempenho superior no mercado.

Nos últimos 12 meses:

  • Vulcabras: valorização aproximada de 10%

  • Grendene: queda superior a 20%

Essa diferença gera um descompasso de quase 30% entre as empresas, o que chama a atenção de investidores que acompanham o setor de consumo e varejo.

Empresa segue sólida e com caixa elevado

Mesmo com a queda recente nos resultados e na cotação das ações, a Grendene continua apresentando fundamentos financeiros considerados sólidos.

Entre os pontos positivos da companhia estão:

Baixo endividamento
Posição de caixa robusta
Elevadas margens de lucro
Alta rentabilidade operacional

Na prática, isso significa que a empresa possui estrutura financeira suficiente para enfrentar períodos de desaceleração econômica, algo que nem todas as companhias do setor conseguem fazer com facilidade.

Outro destaque é que a empresa mantém margens operacionais próximas de 20%, demonstrando que o negócio continua altamente rentável.

Dividendos seguem sendo grande atrativo da ação

Mesmo com o balanço pressionado, um dos principais pontos positivos da Grendene continua sendo sua política de distribuição de dividendos.

Recentemente, a empresa aprovou novos pagamentos que incluem dividendos e juros sobre capital próprio (JCP).

Entre os eventos anunciados:

  • Data de aprovação: 5 de abril

  • Data ex-dividendos: 24 de abril

  • Pagamento previsto: 13 de maio

Somando os proventos programados ao longo de 2026, os investidores podem receber aproximadamente R$ 1,80 por ação.

Considerando que a ação está cotada próxima de R$ 4,50, o rendimento potencial em dividendos pode se tornar bastante expressivo.

Esse fator ajuda a explicar por que muitos investidores ainda mantêm posição na companhia, mesmo com o desempenho mais fraco das ações no curto prazo.

Histórico mostra distribuição elevada, mas com limites

Apesar dos dividendos elevados recentes, especialistas alertam que o nível de pagamentos pode não se repetir nos próximos anos.

Historicamente, a média anual de dividendos da companhia gira em torno de:

R$ 0,50 por ação

Em alguns anos excepcionais, como 2023, a empresa chegou a pagar cerca de R$ 1,38 por ação, mas esse nível não é considerado recorrente.

A política da companhia costuma manter um payout entre 50% e 70% do lucro líquido ajustado, o que limita distribuições muito acima desse patamar.

Controladores seguem comprando ações

Outro fator observado recentemente é o comportamento dos próprios controladores da empresa.

Dados de mercado indicam que:

  • Controladores têm aumentado posição nas ações

  • Executivos da companhia também realizaram compras

  • Existe um programa de recompra de ações ativo até novembro de 2026

O programa prevê a recompra de aproximadamente 1,9% a 2% das ações em circulação.

Esse tipo de movimento costuma ser interpretado pelo mercado como um sinal de confiança da administração nos fundamentos da empresa.

Além disso, a recompra tende a reduzir a quantidade de ações em circulação, aumentando potencialmente o valor distribuído em dividendos por ação no futuro.

Perspectivas para a Grendene

Apesar da queda recente no desempenho operacional, a Grendene continua sendo vista como uma empresa sólida e lucrativa, com forte geração de caixa.

Por outro lado, o principal desafio da companhia nos próximos anos pode ser o crescimento limitado das receitas, que têm permanecido praticamente estáveis nos últimos cinco anos.

Para investidores, a ação pode continuar sendo interessante principalmente para quem busca:

  • Dividendos consistentes

  • Baixo risco financeiro

  • Empresa com caixa elevado

No entanto, analistas alertam que o potencial de valorização pode depender da capacidade da companhia de retomar o crescimento das vendas, especialmente no mercado interno.

Enquanto isso, o papel segue no radar do mercado como uma das ações tradicionais da bolsa brasileira voltadas para renda passiva.

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Eduardo Martins
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Eduardo Martins é planejador financeiro certificado (CFP®) e consultor de investimentos, com mais de 10 anos de experiência no mercado financeiro. Na A Revista, explica renda fixa, fundos imobiliários, dividendos, simulações de quanto rende e planejamento financeiro. Apresenta premissas, custos, tributação e riscos, sem converter cenários em promessa de retorno.

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