Com o corte de juros nos Estados Unidos e a manutenção da Selic no Brasil, investidores estrangeiros têm olhado para o mercado brasileiro em busca de retornos maiores. Esse movimento fortalece empresas mais ligadas ao mercado doméstico e deixa, em certa medida, de lado grandes companhias dolarizadas. Nesse cenário, algumas ações começam a apresentar assimetrias relevantes entre lucros e preços de mercado, abrindo espaço para oportunidades.
WEG (WEGE3): lucros em alta e ações em queda
A WEG, referência em máquinas e equipamentos elétricos, vive um momento de contraste. Enquanto os lucros estão em níveis recordes, as ações caíram significativamente, levando indicadores como o P/L a patamares próximos de 2016 e 2017.
Gatilho negativo: queda de receita no 1º trimestre de 2025, algo incomum na trajetória da companhia, gerou pessimismo.
Impacto externo: tarifa de importação de 50% nos EUA derrubou ainda mais a cotação.
Futuro próximo: no dia 3 de outubro, a empresa realizará um evento com investidores, onde deve detalhar estratégias para mitigar o impacto tarifário e apresentar perspectivas de crescimento.
Apesar da incerteza, a WEG mantém histórico de superar expectativas e segue como aposta de longo prazo, mesmo com dividend yield modesto.
Petrobras (PETR4): risco político, petróleo e dividendos no radar
A Petrobras continua sendo negociada a preços descontados, mesmo em um cenário de petróleo na faixa de US$ 65 a US$ 70 o barril. Segundo estudo do BTG, as ações deveriam valer em torno de R$ 44, mas seguem próximas de R$ 32.
Riscos: forte influência política e dependência do preço internacional do petróleo.
Possíveis gatilhos positivos:
corte de custos no próximo plano estratégico (2026–2030);
foco em exploração e produção;
venda de ativos não estratégicos.
Dividendos: estimativa de R$ 42 bilhões distribuídos em 2026, equivalente a yield próximo de 10% nos preços atuais.
O plano estratégico, previsto para novembro, pode ser decisivo para renovar a confiança do mercado.
JHSF (JHSF3): assimetria e novo veículo de investimento
A JHSF, atuante nos setores de shoppings, hotéis, imóveis de alto padrão e aeroporto executivo, também apresenta forte assimetria.
Indicadores atuais: P/L abaixo de 4 vezes e P/VPA de apenas 0,7.
Dividendos: projeção de yield em torno de 7%.
Fato novo: anúncio de um veículo de investimento de R$ 4,6 bilhões com capital externo para compra e venda de projetos, o que pode destravar valor dos ativos e reduzir a alavancagem.
Considerando que o valor de mercado da empresa é de cerca de R$ 4 bilhões, esse movimento pode representar um ponto de virada. Caso se concretize, as ações poderiam alcançar patamares de R$ 9 a R$ 10, segundo analistas.
Outras empresas no radar
Além de WEG, Petrobras e JHSF, analistas também apontam assimetrias em:
Klabin (KLBN11): setor de papel e celulose, dolarizada, mas com projetos de crescimento.
BB Seguridade (BBSE3) e Caixa Seguridade (CXSE3): lucros recordes e cotações em queda, boas pagadoras de dividendos.
O atual cenário de juros, câmbio e fluxo estrangeiro está criando distorções de preço na Bolsa brasileira. Para investidores atentos, empresas como WEG, Petrobras e JHSF oferecem pontos de entrada interessantes, ainda que envolvam riscos relevantes. O acompanhamento dos próximos eventos – especialmente o plano estratégico da Petrobras em novembro e o Investor Day da WEG em outubro – será fundamental para identificar se essas assimetrias se transformarão em ganhos concretos.
Quer saber tudo
o que está acontecendo?
Receba todas as notícias da A Revista no seu WhatsApp.
Entre em nosso grupo e fique bem informado.






