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Início » Últimas Notícias » 5 ações que o mercado quase desistiu: quedas de até 60% escondem oportunidade ou armadilha?
Ações

5 ações que o mercado quase desistiu: quedas de até 60% escondem oportunidade ou armadilha?

Com juros elevados e crédito caro, varejo e petróleo sofrem na Bolsa — mas múltiplos comprimidos levantam a dúvida: é desconto real ou risco disfarçado?
Thailane OliveiraPor Thailane Oliveira26 de fevereiro de 20264 minutos lidos
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O atual ambiente de juros elevados pressiona o crédito, desacelera o consumo e aumenta o custo de capital das empresas. Em cenários assim, o mercado tende a penalizar primeiro setores mais sensíveis ao ciclo econômico, como:

  • Varejo

  • Empresas alavancadas

  • Petróleo independente

  • Negócios ligados ao consumo discricionário

Quando o dinheiro rende mais na renda fixa, o investidor exige desconto maior para assumir risco. E é justamente nesse ponto que surgem as chamadas ações baratas — mas nem toda queda significa oportunidade.

A seguir, a análise detalhada de cinco empresas que sofreram forte compressão de múltiplos e hoje negociam próximas a mínimas históricas.

Lojas Renner (LREN3): desconto por medo ou exagero?

A Lojas Renner já foi considerada uma das melhores varejistas do Brasil. Hoje negocia com múltiplos comprimidos.

Indicadores atuais

IndicadorValor
CotaçãoR$ 15,89
P/L11,57
P/VP1,54
Dividend Yield 12m5,28%
Margem Líquida8,92%
EV/EBITPróximo à mínima histórica
Liquidez Corrente1,76

Pontos relevantes

  • P/L no menor nível desde 2016

  • P/VP muito abaixo da média histórica (já chegou a negociar a quase 6x)

  • Margem líquida praticamente o dobro da média do setor

  • Forte geração de caixa

  • Programa de recompra ativo

  • Distribuição anunciada de até 80% do lucro nos próximos anos

A chamada “boca de jacaré” aparece clara: lucro estável, cotação pressionada. O desconto parece mais ligado ao receio com consumo do que à deterioração operacional.

C&A (CEAB3): precificada como estagnada?

A C&A Brasil negocia praticamente próxima ao valor patrimonial.

Indicadores

IndicadorValor
CotaçãoR$ 12,98
P/L6,82
P/VP1,08
Dividend Yield4,42%
Margem Líquida7,35%
ROIC 4T2521,8%

A empresa registrou lucro anual de R$ 470 milhões e melhor disciplina financeira.

O mercado parece não acreditar no crescimento estrutural, mas os números mostram:

  • Margem no maior nível desde 2018

  • EV/EBIT abaixo da média histórica

  • Endividamento controlado

Aqui o risco é execução e crescimento futuro. O mercado já embutiu pouca expectativa.

Grupo Mateus (GMAT3): IPO celebrado virou frustração?

O Grupo Mateus saiu de IPO comemorado para múltiplos mínimos históricos.

Indicadores

IndicadorValor
CotaçãoR$ 5,78
P/L7,13
P/VP1,32
Dividend Yield4,25%
ROE18,52%
Liquidez Corrente1,93

Destaques

  • Menor P/L desde a abertura de capital

  • Receita crescente

  • Lucro estável nos últimos 12 meses (~R$ 1,9 bi)

  • Margem líquida melhorando gradualmente

O mercado precifica desaceleração, mas a empresa mantém crescimento operacional. Caso volte a acelerar, o múltiplo pode expandir rapidamente.

Brava Energia (BRAV3): queda de 60% e alto risco

A Brava Energia sofreu forte queda após desafios operacionais e integração pós-fusão.

Indicadores

IndicadorValor
CotaçãoR$ 18,67
P/L8,9
P/VP0,70
DividendosNão distribui
Margem Líquida8,81%
AlavancagemElevada

Negocia abaixo do valor patrimonial.

O mercado exige prova de execução consistente antes de expandir múltiplo.

É a empresa com maior potencial de valorização — mas também com maior risco.

Valid (VLID3): yield alto e pouca atenção

A Valid atua em meios de pagamento, telecom e certificação digital.

Indicadores

IndicadorValor
CotaçãoR$ 22,36
P/L< 8
P/VP1,06
Dividend Yield13,56%
Margem Líquida11,30%
Liquidez Corrente3,14

Apesar do yield elevado, a média histórica de dividendos é menor. A empresa enfrenta:

  • Pressões regulatórias

  • Menor renovação de CNH

  • Receita pressionada em alguns segmentos

Ainda assim, apresenta balanço sólido e baixo endividamento.

Afinal: oportunidade ou armadilha?

Ações baratas carregam risco. Sempre.

Para considerar uma ação realmente descontada, é necessário observar:

  • EV/EBIT abaixo do histórico

  • Earnings Yield elevado

  • Geração de caixa consistente

  • Estrutura de capital saudável

  • Múltiplos deprimidos sem deterioração estrutural

Entre as cinco analisadas:

  • Perfil conservador: Lojas Renner ou Grupo Mateus

  • Perfil moderado: C&A

  • Perfil agressivo: Brava Energia

  • Perfil renda/dividendos: Valid

O mercado já precificou medo nessas empresas. Agora resta saber se o futuro será melhor do que o cenário pessimista já embutido.

A grande pergunta continua:
Se tivesse R$ 100 mil para investir em apenas uma delas, qual escolheria?

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Thailane Oliveira
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Thailane Oliveira é economista, pós-graduada em Finanças e certificada em Planejamento Financeiro. Na A Revista, produz conteúdos sobre economia, crédito, financiamento, renda fixa e decisões financeiras. Explica taxas, custos, prazos, premissas e riscos com foco na utilidade da informação para o leitor.

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