Os Estados Unidos ainda mantêm em operação pelo menos nove modelos de aeronaves militares capazes de ultrapassar a velocidade do som. A lista vai do bombardeiro B-1B Lancer, limitado a aproximadamente Mach 1,2, ao F-15 Eagle, que pode superar Mach 2,5 — mais de duas vezes a velocidade do som.
O levantamento, publicado originalmente pelo portal norte-americano Interesting Engineering, mostra que essa capacidade não está restrita aos caças mais modernos. Ela aparece também em um avião de treinamento desenvolvido há mais de seis décadas, em uma plataforma de guerra eletrônica e no F-5 Tiger II, utilizado para simular aeronaves inimigas.
A capacidade supersônica, entretanto, não significa que esses aviões permaneçam constantemente acima de Mach 1. O uso de pós-combustores aumenta drasticamente o consumo de combustível, enquanto velocidades extremas impõem maiores cargas térmicas e aerodinâmicas à estrutura.
F-15 Eagle passa de Mach 2,5 e lidera a lista
O F-15 Eagle permanece como a aeronave operacional mais rápida da relação. Segundo a Força Aérea dos Estados Unidos, o F-15E Strike Eagle pode superar Mach 2,5, equivalente a aproximadamente 3.000 km/h, dependendo da altitude e das condições de voo.
Desenvolvido originalmente como caça de superioridade aérea, o F-15 ganhou diferentes versões ao longo de mais de cinco décadas. O F-15E foi adaptado para missões de ataque ao solo, enquanto o novo F-15EX Eagle II incorpora radares, sistemas eletrônicos, aviônicos e capacidade de transporte de armamentos mais modernos.
Mesmo com a chegada de caças furtivos, a combinação de velocidade, alcance e elevada carga de armas mantém a família F-15 relevante para a aviação militar norte-americana.
F-16 Fighting Falcon alcança Mach 2
Menor e mais leve que o F-15, o F-16 Fighting Falcon pode atingir Mach 2 em altitude. A aeronave monomotora entrou em operação no final da década de 1970 e continua sendo um dos caças mais numerosos do arsenal dos Estados Unidos.
A ficha oficial da Força Aérea define o F-16 como um caça multifuncional compacto, empregado tanto em combates aéreos quanto em ataques contra alvos terrestres.
O modelo também se tornou um dos projetos militares norte-americanos mais difundidos internacionalmente, com versões operadas por diferentes países e sucessivas modernizações de radar, armamentos e sistemas eletrônicos.
F-22 rompe a barreira do som sem pós-combustor contínuo
O F-22 Raptor oferece uma capacidade particularmente importante: o supercruzeiro. Isso permite que o caça mantenha velocidade superior a Mach 1 sem depender continuamente dos pós-combustores, responsáveis por elevar o empuxo dos motores, mas também por aumentar significativamente o consumo de combustível.
De acordo com a Força Aérea dos Estados Unidos, o F-22 pode voar acima de Mach 1,5 nessa condição. Sua velocidade máxima divulgada é superior a Mach 2.
A vantagem não está apenas no número registrado no velocímetro. O supercruzeiro permite que a aeronave atravesse rapidamente áreas de combate sem comprometer tanto o alcance. O Raptor combina essa característica com baixa detecção por radar, sensores integrados e alta manobrabilidade.
F-35 sacrifica velocidade máxima por furtividade e sensores
As três versões norte-americanas do F-35 Lightning II — F-35A, F-35B e F-35C — são capazes de alcançar cerca de Mach 1,6.
A velocidade fica abaixo da registrada por caças como F-15, F-16 e F-22 porque o projeto do F-35 prioriza outros elementos: furtividade, coleta de informações, compartilhamento de dados e integração de sensores.
A variante F-35B apresenta uma combinação especialmente incomum. Além de ultrapassar a velocidade do som, pode realizar decolagens curtas e pousos verticais. Essa capacidade permite sua operação pelo Corpo de Fuzileiros Navais em navios de assalto anfíbio e pistas com infraestrutura limitada.
Super Hornet leva velocidade supersônica aos porta-aviões
O F/A-18E/F Super Hornet é o principal caça multifuncional embarcado da Marinha dos Estados Unidos. Capaz de superar Mach 1,8, o avião foi projetado para decolar e pousar em porta-aviões, suportando as elevadas cargas estruturais dessas operações.
O Super Hornet pode executar missões de combate aéreo, ataque contra alvos terrestres, reconhecimento e apoio a outras aeronaves. Sua velocidade precisa ser equilibrada com alcance, quantidade de armamentos e capacidade de retornar com segurança ao convés de um navio em movimento.
O modelo também deu origem a uma das aeronaves mais peculiares da lista.
EA-18G Growler transforma um caça em arma eletrônica
O EA-18G Growler utiliza a plataforma do F/A-18F, mas sua missão principal não é enfrentar outras aeronaves em combates convencionais. O avião foi desenvolvido para detectar, interferir e atacar radares, sistemas de defesa aérea e redes de comunicação do adversário.
A Naval Air Systems Command informa que o Growler combina a estrutura do Super Hornet com um conjunto especializado de guerra eletrônica. Mesmo carregando equipamentos e pods de interferência, a aeronave preserva desempenho supersônico próximo ao da plataforma que lhe deu origem.
Na prática, o Growler pode abrir caminho para outros aviões ao dificultar que radares inimigos detectem, acompanhem e ataquem as forças norte-americanas.
B-1B é um bombardeiro de 216 toneladas capaz de superar Mach 1
O B-1B Lancer mostra que a velocidade supersônica não pertence apenas aos caças. Com peso máximo de decolagem superior a 216 toneladas, o bombardeiro estratégico pode atingir aproximadamente Mach 1,2.
Suas asas de geometria variável mudam de posição conforme a fase da missão. Elas ficam mais abertas durante decolagens, pousos e determinadas operações em baixa velocidade, mas podem ser recolhidas para voos mais rápidos.
Conforme a ficha técnica da Força Aérea norte-americana, o B-1B pode transportar até 75 mil libras — cerca de 34 toneladas — de armamentos convencionais.
A versão B-1B é mais lenta que o protótipo B-1A, projetado para alcançar Mach 2,2. Alterações realizadas para reduzir sua assinatura de radar limitaram a velocidade máxima a Mach 1,2, mas aumentaram sua capacidade de penetrar defesas em voos de baixa altitude.
T-38 treina pilotos em velocidades supersônicas desde os anos 1960
O T-38 Talon não é uma aeronave de combate da linha de frente. Trata-se de um treinador supersônico utilizado para preparar pilotos destinados a aviões militares de alto desempenho.
O projeto realizou seu primeiro voo em 1959 e entrou em serviço no início da década seguinte. Mesmo com sua origem nos anos 1950, o T-38 continuou relevante graças ao custo operacional relativamente baixo, à agilidade e à capacidade de expor alunos às exigências de um voo supersônico.
A Força Aérea dos Estados Unidos classifica o T-38 como um treinador bimotor supersônico de grande altitude. O modelo pode alcançar aproximadamente Mach 1,3.
Sua permanência em operação por tantas décadas é uma das maiores surpresas da frota norte-americana.
F-5 Tiger II representa o inimigo nos treinamentos
O F-5N/F Tiger II ocupa uma função pouco convencional. Exemplares modernizados são utilizados pela Marinha e pelo Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos como aeronaves adversárias.
Nesses exercícios, pilotos de F-5 simulam táticas, comportamento e características de aviões inimigos para treinar tripulações de caças norte-americanos. Seu tamanho compacto, agilidade e custo operacional relativamente baixo ajudam a reproduzir combates aéreos sem empregar modelos mais caros em todas as missões.
A família F-5 pode alcançar aproximadamente Mach 1,6. Isso significa que os Estados Unidos ainda operam um caça supersônico concebido há décadas cuja missão atual é representar a ameaça durante confrontos simulados.
Velocidade máxima não define sozinha o poder de um caça
A comparação revela uma mudança importante na aviação militar. Os projetos mais rápidos não são necessariamente os mais novos.
O F-15, desenvolvido durante a Guerra Fria, supera a velocidade máxima declarada de aeronaves furtivas mais recentes, como o F-35. Isso ocorre porque os projetos modernos precisam equilibrar velocidade com baixa detecção por radar, autonomia, sensores, capacidade de processamento e conexão com outras forças.
Por essa razão, atingir Mach 2,5 não torna automaticamente uma aeronave superior a outra. A velocidade máxima representa apenas uma parte do desempenho e pode ser utilizada raramente em operações reais devido ao consumo de combustível, à configuração de armamentos e às limitações de cada missão.
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