A BYD apresentou no Brasil sua nova tecnologia de carregamento ultrarrápido chamada Flash Charging, um sistema desenvolvido para reduzir drasticamente o tempo necessário para abastecer veículos elétricos.
A solução promete entregar até 1.000 kW (1 MW) de potência ao veículo, permitindo que modelos compatíveis recebam aproximadamente 400 quilômetros de autonomia em apenas cinco minutos de recarga.
A apresentação ocorreu durante o Festival Interlagos e mostrou uma das maiores apostas da fabricante chinesa para acelerar a expansão dos carros elétricos no mercado brasileiro.
Diferentemente dos carregadores convencionais encontrados atualmente, que normalmente trabalham em faixas entre 60 kW e 200 kW, o sistema da BYD opera em outro patamar de potência.
Como funciona o Flash Charging da BYD
O segredo do sistema está na combinação entre baterias de alta tensão, armazenamento próprio de energia e gerenciamento inteligente de potência.
O carregador utiliza dois grandes bancos de baterias estacionárias, que funcionam como uma reserva energética. Cada unidade possui aproximadamente 190 kWh de capacidade, utilizando a mesma tecnologia da família de baterias Blade.
Na prática, o sistema funciona como um reservatório de energia:
- a rede elétrica abastece lentamente os bancos de armazenamento;
- quando um veículo chega para carregar, a energia acumulada é liberada rapidamente;
- o carro recebe uma grande quantidade de potência em poucos minutos.
Essa estratégia permite instalar carregadores extremamente potentes mesmo em locais onde a infraestrutura elétrica tradicional teria limitações.
Tecnologia permite até 1.500 kW de potência total
O sistema Flash Charging pode alcançar até 1.500 kW de potência combinada, permitindo a divisão da energia entre dois veículos simultaneamente.
Em uma operação com dois carros conectados, a potência pode ser distribuída conforme a capacidade de cada veículo.
A tecnologia foi desenvolvida para atender principalmente modelos de alta performance equipados com arquitetura elétrica avançada, como o Denza Z9 GT, veículo de luxo da BYD com bateria de 122 kWh e sistema de alta tensão.
O modelo utiliza uma bateria Blade de nova geração capaz de trabalhar com tensão próxima de 1.000 volts, característica essencial para suportar carregamentos extremamente rápidos.
Cabo refrigerado permite alta potência sem perder praticidade
Um dos desafios de carregadores de altíssima potência é controlar o calor gerado durante a transferência de energia.
Para resolver esse problema, a BYD utiliza um sistema de refrigeração líquida, presente nos cabos e nos componentes internos do carregador.
A tecnologia permite que o cabo permaneça mais leve e fácil de manusear, mesmo trabalhando com grandes níveis de corrente elétrica.
Além disso, o equipamento possui um sistema suspenso por polias, evitando que o cabo fique em contato com o chão e reduzindo desgaste do conector.
BYD pretende instalar 1.000 carregadores até 2027
Segundo a fabricante, o projeto Flash Charging faz parte de uma estratégia global para ampliar a infraestrutura de recarga rápida.
A meta divulgada é instalar aproximadamente 1.000 carregadores desse tipo até o final de 2027, criando uma rede capaz de acompanhar a evolução dos veículos elétricos.
O diferencial da proposta está no modelo de operação: em vez de depender apenas de grandes investimentos em redes elétricas locais, a própria BYD pretende instalar e administrar a infraestrutura.
Novo desafio para os carros elétricos no Brasil
A velocidade de recarga sempre foi apontada como uma das principais barreiras para a adoção dos veículos elétricos.
Enquanto carros tradicionais podem ser abastecidos em poucos minutos com combustíveis líquidos, modelos elétricos normalmente exigem períodos maiores conectados aos carregadores.
Com tecnologias como o Flash Charging, a indústria busca aproximar a experiência dos elétricos da praticidade dos veículos convencionais.
Ainda existem desafios relacionados ao custo de instalação, disponibilidade de veículos compatíveis e expansão da infraestrutura, mas a chegada de carregadores de megawatts indica uma nova fase para a mobilidade elétrica.
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