A combinação entre produção recorde, petróleo valorizado e capacidade de geração de caixa voltou a fortalecer a tese de investimento da Petrobras. Em relatório atualizado em 22 de julho de 2026, o BB Investimentos elevou a recomendação para PETR4 de neutra para compra, mantendo preço-alvo de R$ 45,00 por ação.
Por volta das 11h17 desta terça-feira, 28 de julho, PETR4 era negociada perto de R$ 41,60. Nesse preço, o alvo do BB representava potencial de valorização de aproximadamente 8,17%, sem considerar os dividendos que poderão ser distribuídos no período.
A recomendação, contudo, não significa que a ação esteja livre de riscos. O desempenho continuará diretamente ligado ao preço internacional do petróleo, aos investimentos da estatal, à política de preços dos combustíveis e às decisões sobre distribuição de caixa.
Principais números da Petrobras
| Indicador | Dado atualizado |
|---|---|
| Cotação de PETR4 em 28/07/2026, por volta das 11h17 | R$ 41,60 |
| Preço-alvo do BB Investimentos | R$ 45,00 |
| Potencial de valorização até o alvo | 8,17% |
| Brent em 28/07/2026 | US$ 86,32 |
| Lucro líquido no 1T26 | R$ 32,70 bilhões |
| Lucro sem eventos exclusivos | R$ 23,80 bilhões |
| EBITDA ajustado | R$ 59,60 bilhões |
| EBITDA sem eventos exclusivos | R$ 61,70 bilhões |
| Fluxo de caixa operacional | R$ 44,00 bilhões |
| Investimentos no 1T26 | R$ 26,80 bilhões |
| Produção própria | 3,23 milhões de boed |
| Produção própria no pré-sal | 2,66 milhões de boed |
| Produção total operada | 4,65 milhões de boed |
| Dívida bruta | US$ 71,20 bilhões |
| Dívida líquida | US$ 62,10 bilhões |
| Dívida líquida/EBITDA ajustado | 1,43 vez |
| Proventos aprovados no 1T26 | R$ 9,03 bilhões |
| Valor aprovado por ação | R$ 0,70 |
| Capex previsto entre 2026 e 2030 | US$ 109 bilhões |
Petróleo continua favorecendo a geração de caixa
O petróleo Brent era negociado a US$ 86,32 nesta terça-feira, após cair 2,30% diante das expectativas de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã. A commodity chegou a superar US$ 90 nos dias anteriores, refletindo o temor de interrupções no Estreito de Ormuz e em outras rotas do Oriente Médio.
A queda recente mostra que o investidor não deve projetar os resultados da Petrobras considerando apenas um barril próximo de US$ 90. Caso o Estreito de Ormuz seja totalmente reaberto, o Goldman Sachs estima que o Brent poderá recuar para perto de US$ 80 até o fim de 2026.
Mesmo assim, um barril entre US$ 70 e US$ 80 ainda pode permitir resultados relevantes para a estatal, principalmente devido à elevada participação do pré-sal e ao baixo custo de extração de seus principais campos.
Produção recorde reduz dependência de novas altas do Brent
No primeiro trimestre de 2026, a produção própria da Petrobras alcançou o recorde de 3,23 milhões de barris de óleo equivalente por dia. O volume cresceu 16,10% em relação ao mesmo período de 2025 e 3,70% na comparação com o quarto trimestre.
A produção total operada chegou a 4,65 milhões de boed, enquanto a produção própria do pré-sal atingiu 2,66 milhões de boed. Somente o campo de Búzios superou 1,03 milhão de barris de petróleo em um único dia.
O crescimento foi impulsionado principalmente pelo avanço da produção das plataformas P-78, Alexandre de Gusmão, Anna Nery e Anita Garibaldi. A P-79 também amplia a perspectiva de expansão, com capacidade para processar até 180 mil barris de petróleo por dia.
Nas refinarias, o fator de utilização chegou a 95%. A produção de derivados cresceu 6,70% frente ao trimestre anterior e alcançou 1,82 milhão de barris por dia.
Lucro sobe para R$ 32,70 bilhões
A Petrobras registrou lucro líquido de R$ 32,70 bilhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 110% em relação ao quarto trimestre de 2025. O EBITDA ajustado somou R$ 59,60 bilhões e o fluxo de caixa operacional atingiu R$ 44,00 bilhões.
Parte do crescimento, entretanto, foi influenciada por efeitos cambiais e outros itens não recorrentes. Excluindo eventos exclusivos, o lucro ficou em R$ 23,80 bilhões, queda de 7,20% na comparação trimestral. O EBITDA ajustado sem esses efeitos alcançou R$ 61,70 bilhões.
Esse recorte mostra que o resultado foi forte, mas também alerta para o risco de interpretar todo o lucro contábil como caixa disponível para dividendos.
Petrobras aprovou R$ 0,70 por ação
A companhia aprovou R$ 9,03 bilhões em juros sobre capital próprio referentes ao primeiro trimestre, equivalentes a R$ 0,70097272 por ação ordinária ou preferencial.
O pagamento será dividido em duas parcelas:
- R$ 0,35048636 por ação em 20 de agosto de 2026;
- R$ 0,35048636 por ação em 21 de setembro de 2026.
Terão direito os investidores que possuíam as ações em 1º de junho. Desde 2 de junho, os papéis são negociados sem direito a esses proventos.
Considerando PETR4 a R$ 41,60, o pagamento de R$ 0,70 representa retorno bruto de aproximadamente 1,68%. Esse percentual corresponde apenas à remuneração aprovada com base no 1T26, e não ao rendimento projetado para todo o ano.
Investimentos podem limitar dividendos extraordinários
A política da Petrobras estabelece a distribuição de 45% do fluxo de caixa livre quando a dívida bruta permanece dentro do limite definido no plano estratégico e as demais condições financeiras são atendidas.
A dívida bruta encerrou março em US$ 71,20 bilhões, abaixo do limite de US$ 75 bilhões. A dívida líquida atingiu US$ 62,10 bilhões, com relação dívida líquida/EBITDA ajustado de 1,43 vez.
Por outro lado, o Plano de Negócios 2026–2030 prevê investimentos de US$ 109 bilhões. Desse total, US$ 69,20 bilhões serão direcionados à exploração e produção. A companhia pretende alcançar pico de 2,70 milhões de barris de petróleo por dia em 2028 e produção total de 3,40 milhões de boed em 2028 e 2029.
Quanto maior o investimento, menor tende a ser o fluxo de caixa livre disponível para distribuições extraordinárias.
PETR4 ainda vale a pena?
A Petrobras apresenta fundamentos favoráveis: produção crescente, ativos competitivos, dívida controlada e petróleo em patamar ainda elevado. Esses fatores sustentam a possibilidade de dividendos relevantes, mas não garantem retorno anual de dois dígitos.
O principal risco de curto prazo é uma queda rápida do Brent caso o conflito no Oriente Médio seja reduzido. Também devem ser acompanhados os investimentos, a política de combustíveis, a evolução da dívida e possíveis interferências nas decisões da companhia.
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