As ações da Bradsaúde, negociadas pelo código SAUD3, acumulam queda próxima de 20% desde que começaram a ser negociadas na Bolsa, em maio. O recuo despertou o interesse de investidores que procuram ações descontadas e com potencial de pagar dividendos elevados.
A companhia nasceu da combinação entre os negócios de saúde do Bradesco e a Odontoprev, empresa que já possuía ações listadas na B3. Apesar do histórico conhecido da operação odontológica, cerca de 85% do resultado da nova empresa vem da Bradesco Saúde, negócio que ainda possui pouco histórico público como companhia independente.
Lucro de SAUD3 chama atenção
No primeiro trimestre de 2026, a Bradsaúde registrou lucro líquido de aproximadamente R$ 1,3 bilhão e rentabilidade próxima de 25%. O resultado foi considerado forte, mas ainda precisa ser confirmado nos próximos balanços.
A cautela ocorre porque o lucro anual da operação apresentou crescimento expressivo, passando de cerca de R$ 1,6 bilhão para R$ 3,3 bilhões. Parte desse avanço pode estar relacionada ao desempenho operacional, ao resultado financeiro ou a efeitos que não necessariamente serão repetidos.
A sinistralidade também merece acompanhamento. Nos planos de saúde, o indicador costuma ficar próximo de 80%, percentual superior ao observado em seguradoras tradicionais, pois consultas, exames e tratamentos são utilizados com maior frequência pelos clientes.
Dividendos podem superar 10%?
A política da companhia prevê a distribuição de pelo menos 50% do lucro líquido. Nesse cenário, considerando os resultados atuais e a cotação próxima de R$ 13, o dividend yield projetado ficaria ao redor de 6%.
Caso a empresa distribua uma parcela maior do lucro, como ocorria em alguns períodos da antiga Odontoprev, o retorno pode aumentar.
| Payout estimado | Dividend yield projetado |
| 50% | cerca de 6% |
| 60% | cerca de 7,3% |
| 70% | cerca de 8,5% |
| 85% | acima de 10% |
Os valores são apenas simulações. A Bradsaúde ainda não confirmou que adotará um payout de 60%, 70% ou 85%, nem anunciou um histórico de dividendos após a reorganização.
SAUD3 está barata?
A queda das ações tornou a avaliação mais atrativa, principalmente para quem acredita na manutenção do lucro bilionário. Entretanto, o preço atual não elimina os riscos.
A companhia ainda possui poucos balanços consolidados, e uma eventual redução do lucro pode diminuir os dividendos e pressionar novamente a cotação. O resultado também pode ser afetado pelo aumento dos custos médicos, pela sinistralidade e pela queda dos juros, que reduziria a rentabilidade das aplicações financeiras.
SAUD3 reúne pontos positivos, como atuação em um setor defensivo, milhões de beneficiários, marcas reconhecidas e alta geração de caixa. Mesmo assim, dividendos acima de 10% dependem de um cenário otimista, com lucro elevado e distribuição de grande parte do resultado.
Para uma análise mais segura, os próximos balanços serão fundamentais. Eles mostrarão se o lucro atual é recorrente e se a nova companhia realmente poderá se consolidar como uma das maiores pagadoras de dividendos da Bolsa.
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