A Vale voltou a ganhar destaque entre as grandes empresas da Bolsa depois que o J.P. Morgan elevou o preço-alvo de VALE3 de R$ 99 para R$ 104. O banco manteve a recomendação overweight, equivalente à compra, por considerar que a mineradora ainda negocia com um desconto elevado em relação às concorrentes internacionais.
Na data de publicação do relatório, em 22 de maio, o preço-alvo representava um potencial de valorização próximo de 26%. Essa estimativa não significa garantia de retorno, pois o desempenho de VALE3 depende principalmente dos preços das commodities, da economia chinesa, do câmbio e dos resultados operacionais da companhia.
| Indicador | Informação atualizada |
|---|---|
| Preço-alvo para VALE3 | R$ 104 |
| Preço-alvo anterior | R$ 99 |
| Recomendação | Compra |
| Potencial estimado na data do relatório | Cerca de 26% |
| EV/Ebitda projetado | 4,9 vezes |
| Dividend yield estimado pelo banco | 6,2% |
Vale está mais barata que as concorrentes
Segundo o J.P. Morgan, a Vale negocia a aproximadamente 4,9 vezes o indicador EV/Ebitda, abaixo da média de 6,9 vezes das grandes mineradoras globais consideradas pelo banco.
Os analistas avaliam que esse desconto não representa corretamente a qualidade dos ativos, a capacidade de execução, as vantagens de custo e o potencial de crescimento do portfólio da companhia.
O banco também destacou a geração de caixa e o retorno aos acionistas. Em seu cenário baseado nos preços das commodities no mercado à vista, a Vale apresentaria retorno de geração de caixa livre de 7% e dividend yield estimado em 6,2%. As médias calculadas para os pares globais seriam de 4,4% e 4,1%, respectivamente.
Os percentuais são projeções do banco e não representam dividendos garantidos. Os pagamentos podem variar conforme a geração de caixa, os investimentos, a dívida e os preços do minério de ferro, cobre e níquel.
Produção de minério cobre e níquel avançou
Os números operacionais do primeiro trimestre de 2026 reforçaram parte da avaliação positiva. A Vale produziu 69,7 milhões de toneladas de minério de ferro, crescimento de 3% em relação ao mesmo período do ano anterior.
A produção de pelotas alcançou 8,2 milhões de toneladas, alta anual de 14%. Já as vendas de minério de ferro cresceram 4% e chegaram a 68,7 milhões de toneladas.
Nos metais básicos, a produção de cobre aumentou 13% e atingiu 102,3 mil toneladas. A produção de níquel avançou 12%, para 49,3 mil toneladas. O resultado foi favorecido pelo desempenho das operações de Salobo, Sossego, Onça Puma e Voisey’s Bay.
Geração de caixa melhorou no primeiro trimestre
O Ebitda pro forma da Vale somou US$ 3,9 bilhões no primeiro trimestre, avanço anual de 21%. O fluxo de caixa livre recorrente chegou a US$ 813 milhões, aumento de US$ 309 milhões na comparação com o mesmo período do ano anterior.
A companhia investiu US$ 1,1 bilhão no trimestre. O valor permanece compatível com a projeção de investimentos entre US$ 5,4 bilhões e US$ 5,7 bilhões ao longo de 2026.
A dívida líquida expandida, entretanto, encerrou março em US$ 17,8 bilhões, aumento de US$ 2,2 bilhões frente ao trimestre anterior. A elevação ocorreu principalmente após o pagamento de US$ 2,7 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio.
Cobre ganha importância na estratégia da Vale
Embora o minério de ferro continue sendo o principal negócio, o cobre tornou-se um dos maiores vetores de crescimento da Vale. O metal é utilizado em redes elétricas, veículos eletrificados, data centers e projetos de geração de energia.
A expansão das operações de Salobo e Sossego e o desenvolvimento de novos projetos podem aumentar a participação do cobre nos resultados. Essa diversificação reduz parcialmente a dependência do minério de ferro, mas exige investimentos elevados e longos períodos para implantação das minas.
No níquel, a prioridade recente foi melhorar a eficiência. O custo total do segmento caiu 48% na comparação anual, para US$ 8.184 por tonelada, beneficiado pela redução de despesas e pelas receitas geradas com outros metais presentes nas operações.
VALE3 vale a pena agora
A tese de investimento em VALE3 reúne preço descontado, ativos competitivos, dividendos e crescimento no cobre. A empresa também apresenta avanços operacionais em minério de ferro e metais básicos.
Por outro lado, a ação permanece sensível à desaceleração da China, ao aumento da oferta mundial de minério, às oscilações cambiais e aos riscos ambientais e operacionais.
O preço-alvo de R$ 104 indica uma visão positiva do J.P. Morgan, mas não elimina a volatilidade. VALE3 tende a ser mais adequada para investidores que aceitam oscilações e buscam exposição a commodities, geração de caixa e dividendos no longo prazo.
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