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Início » Últimas Notícias » BBAS3 cai para R$ 19 e desconto chama atenção
Ações

BBAS3 cai para R$ 19 e desconto chama atenção

Queda do lucro e aumento do custo do crédito pressionam as ações do Banco do Brasil apesar do valuation mais baixo
Mariana DuartePor Mariana Duarte15 de junho de 20264 minutos lidos
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As ações do Banco do Brasil voltaram a negociar próximas de R$ 19 após o mercado reagir à queda do lucro e à piora dos indicadores de crédito. O preço mais baixo aumentou a percepção de desconto em BBAS3, mas também reflete os riscos que continuam presentes no balanço da instituição.

No primeiro trimestre de 2026, o Banco do Brasil registrou lucro líquido ajustado de R$ 3,4 bilhões. O resultado representa uma queda de 53,5% na comparação com o mesmo período do ano anterior e recuo de 40,2% diante do quarto trimestre de 2025.

A rentabilidade sobre o patrimônio líquido também diminuiu para 7,3%, ficando distante dos níveis apresentados pelo banco antes do aumento dos problemas na carteira de crédito.

Crédito mais caro derruba projeção de lucro

O ponto mais preocupante do balanço não está na capacidade de geração de receitas, mas no avanço do custo do crédito. Esse indicador reúne principalmente as despesas relacionadas às provisões para possíveis perdas com clientes que podem não pagar seus empréstimos.

Após divulgar o resultado trimestral, o Banco do Brasil reduziu sua projeção de lucro ajustado para 2026. A estimativa passou de uma faixa entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões para um intervalo de R$ 18 bilhões a R$ 22 bilhões.

Ao mesmo tempo, a projeção de custo do crédito aumentou de R$ 53 bilhões a R$ 58 bilhões para R$ 65 bilhões a R$ 70 bilhões.

Indicador para 2026Projeção anteriorProjeção atual
Lucro líquido ajustadoR$ 22 bi a R$ 26 biR$ 18 bi a R$ 22 bi
Custo do créditoR$ 53 bi a R$ 58 biR$ 65 bi a R$ 70 bi
Crescimento da carteira0,5% a 4,5%0,5% a 4,5%
Crescimento da margem financeira4% a 8%7% a 11%

A elevação da margem financeira esperada mostra que as receitas com juros podem crescer. Entretanto, parte relevante desse avanço deverá ser consumida pelas provisões e pelas perdas esperadas na carteira.

Agronegócio ainda representa um risco importante

O Banco do Brasil possui forte presença no financiamento do agronegócio, segmento que atravessa um período de maior inadimplência e renegociação de dívidas.

Além do campo, o banco também acompanha uma piora em algumas linhas voltadas às pessoas físicas. Cartão de crédito e empréstimos com juros mais elevados exigem atenção porque podem apresentar aumento dos atrasos em períodos de orçamento familiar pressionado.

A carteira ampliada encerrou março perto de R$ 1,3 trilhão, com crescimento de 2,2% em 12 meses. O avanço demonstra que o Banco do Brasil continua concedendo crédito, mas o crescimento precisa ocorrer sem provocar uma nova deterioração da qualidade dos empréstimos.

Dividendos de BBAS3 devem continuar menores

Os dividendos também foram afetados pelo cenário mais difícil. O Banco do Brasil definiu payout de 30% para 2026, percentual que representa a parcela do lucro destinada aos acionistas por meio de dividendos e juros sobre capital próprio.

No primeiro trimestre, o banco aprovou aproximadamente R$ 465,7 milhões em juros sobre capital próprio complementares, equivalentes a cerca de R$ 0,08 por ação. O pagamento ocorreu em junho.

Como o lucro projetado para o ano foi reduzido, o total de proventos também tende a ficar abaixo dos valores observados nos períodos de maior rentabilidade.

Isso não significa que o Banco do Brasil deixará de pagar dividendos. Contudo, o investidor não deve utilizar os elevados pagamentos do passado como garantia de que o mesmo rendimento será repetido em 2026.

BBAS3 está barata?

A queda da cotação deixou BBAS3 negociando abaixo do seu valor patrimonial, situação que pode despertar o interesse de investidores de longo prazo. Entretanto, um múltiplo baixo não representa, isoladamente, uma oportunidade segura.

O desconto atual reflete a menor rentabilidade, a elevação das provisões, o risco de inadimplência e a redução dos dividendos. Para uma recuperação mais consistente, o mercado deverá observar melhora na qualidade da carteira e sinais de estabilização do custo do crédito.

O próximo resultado será divulgado em 12 de agosto e poderá mostrar se a pressão aumentou ou se o banco começou a controlar os problemas. Até lá, BBAS3 permanece como uma ação descontada, mas acompanhada de riscos relevantes.

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Mariana Duarte
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Mariana Duarte é jornalista formada pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com mais de 10 anos de experiência em redações de portais nacionais e especialização em jornalismo digital. Na A Revista, acompanha economia, empresas, mercados e tecnologia ligada a negócios. Trabalha com linguagem acessível, atribuição de fontes e verificação de dados e documentos.

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