O mercado financeiro brasileiro encerrou o dia em forte tensão nesta quarta-feira, 13 de maio de 2026. O dólar comercial disparou mais de 2% e voltou a fechar acima de R$ 5, enquanto o Ibovespa caiu 1,80%, perdendo força na reta final do pregão e encerrando próximo da faixa dos 177 mil pontos.
A piora ocorreu após a repercussão de uma reportagem do Intercept Brasil sobre supostas negociações envolvendo o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência, e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Segundo a publicação, as tratativas envolveriam repasses para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A CNN Brasil informou que Flávio Bolsonaro confirmou a negociação com Vorcaro para financiar o projeto, classificando o caso como uma busca por patrocínio privado. A emissora também publicou que um empresário confirmou ter intermediado a negociação, citando valor de R$ 134 milhões para o financiamento do filme.
Mercado reage com fuga de risco
O impacto foi imediato nos ativos brasileiros. O dólar, que vinha operando em trajetória mais controlada, acelerou os ganhos durante a tarde e fechou em forte alta. Já a Bolsa brasileira ampliou as perdas, pressionada por um movimento de saída de risco dos investidores.
| Indicador | Fechamento do dia | Variação |
|---|---|---|
| Dólar comercial | Acima de R$ 5 | +2,27% |
| Ibovespa | Cerca de 177 mil pontos | -1,80% |
| Principal fator doméstico | Repercussão política | Alta aversão a risco |
| Fator externo monitorado | Oriente Médio | Cautela global |
A reação mostra como temas políticos podem afetar diretamente o câmbio e a Bolsa, especialmente em períodos de maior sensibilidade eleitoral. Para investidores, notícias que aumentam incertezas sobre a disputa presidencial tendem a elevar a demanda por proteção, favorecendo o dólar e pressionando ações locais.
Caso envolvendo Flávio Bolsonaro e Banco Master entrou no radar dos investidores
A reportagem do Intercept apontou mensagens e áudios que indicariam uma interlocução direta entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro em torno do financiamento do filme. O caso ganhou força porque Vorcaro está associado ao Banco Master, instituição que já vinha sendo acompanhada pelo mercado e por autoridades após problemas financeiros e investigações.
Segundo a CNN, Flávio afirmou que se tratava de uma iniciativa privada para viabilizar a produção do filme e negou irregularidades. A defesa de Vorcaro e representantes citados foram procurados pela imprensa, de acordo com os veículos, mas nem todos haviam se manifestado até a publicação das reportagens.
O episódio adicionou pressão ao ambiente político porque Flávio Bolsonaro é tratado como possível nome do PL para a disputa presidencial de 2026. A incerteza aumentou justamente em um momento em que pesquisas eleitorais já vinham sendo monitoradas de perto pelo mercado.
Pesquisa Genial/Quaest também pesa no cenário
Além da notícia envolvendo Banco Master, investidores também acompanharam a nova pesquisa Genial/Quaest, que mostrou um cenário competitivo entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro em eventual disputa presidencial. Levantamentos divulgados nesta semana indicaram empate técnico ou diferença numérica estreita entre os dois em simulações eleitorais.
Para o mercado, pesquisas eleitorais funcionam como termômetro de risco. Quando o cenário fica mais incerto, cresce a volatilidade em ativos como dólar, Bolsa e juros futuros. Esse movimento não significa uma avaliação definitiva sobre candidatos, mas reflete a tentativa dos investidores de precificar possíveis mudanças na política econômica a partir de 2027.
Oriente Médio amplia cautela global
O ambiente externo também contribuiu para o tom negativo. O conflito no Oriente Médio segue no radar dos investidores, especialmente pelo impacto potencial sobre petróleo, inflação global e fluxo de capitais para mercados emergentes.
Em dias de tensão internacional, moedas de países emergentes costumam sofrer mais pressão. Isso ocorre porque parte dos investidores busca ativos considerados mais seguros, como o dólar americano. No Brasil, esse movimento externo se somou à turbulência política doméstica, ampliando a alta da moeda.
Por que o dólar subiu tanto?
A alta do dólar foi provocada por uma combinação de fatores:
Aversão a risco político: a notícia envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro aumentou a incerteza sobre o ambiente eleitoral.
Busca por proteção: investidores compraram dólar diante da instabilidade doméstica e externa.
Pressão global: o conflito no Oriente Médio manteve cautela nos mercados internacionais.
Queda da Bolsa: a saída de recursos de ativos brasileiros pressionou o real e reforçou a valorização da moeda americana.
O que observar agora
Nos próximos pregões, o mercado deve acompanhar três pontos principais: novos desdobramentos da reportagem, eventuais manifestações dos envolvidos e a reação dos investidores ao cenário eleitoral. Também seguem no radar os movimentos do petróleo, dos juros nos Estados Unidos e da percepção de risco para países emergentes.
A forte alta do dólar e a queda do Ibovespa mostram que o mercado brasileiro entrou em uma fase de maior sensibilidade política. Com a eleição presidencial se aproximando e o cenário externo ainda instável, qualquer notícia com potencial de alterar expectativas tende a provocar movimentos bruscos nos preços dos ativos.
Quer saber tudo
o que está acontecendo?
Receba todas as notícias da A Revista no seu WhatsApp.
Entre em nosso grupo e fique bem informado.






