A Méluiz (CASH3), conhecida inicialmente como uma empresa de cashback e serviços financeiros, passou por sua maior transformação desde o IPO. Agora, a companhia se declara oficialmente como a primeira Bitcoin Treasury Company do Brasil e da América Latina, adotando como estratégia central acumular Bitcoin para compor seu caixa e gerar valor aos acionistas.
Além da mudança visual na área de Relações com Investidores — substituindo o estilo “divertido” por um formato mais corporativo — a empresa passou a exibir publicamente seu total de bitcoins e o preço médio de aquisição. Segundo divulgação, o preço médio atual da posição está em aproximadamente R$ 103 mil por unidade, indicando que, a partir desse patamar, o ativo já gera potencial lucro para o caixa da companhia.
Recompra de até 10% das ações: outra frente de valorização
A empresa também anunciou um programa robusto de recompra de ações, mostrando duas vertentes claras de criação de valor:
✔ Acúmulo crescente de Bitcoin
✔ Redução da base acionária com recompra de papéis
O plano autoriza a recompra de até 9,1 milhões de ações, equivalente a 10% das ações em circulação, em um período que vai até abril de 2027. A Méluiz destacou que a decisão se apoia em:
caixa excedente, com cerca de R$ 70 milhões à época do anúncio;
mais de 604 bitcoins, avaliados em cerca de R$ 400 milhões no momento da divulgação;
ausência de endividamento;
expectativa de que a redução de ações eleve o valor por papel no futuro.
Entrada de nova investidora relevante
Junto ao anúncio de recompra, a empresa recebeu comunicado da RPS Capital, que passou a deter 5,6% das ações da Méluiz. A gestora informou que a participação é apenas de investimento, sem pedido de vaga em conselho ou diretoria — reforçando o interesse do mercado no novo posicionamento da companhia.
CASH3: queda de 90%, mas com expectativa de reação
Apesar da transformação estratégica, as ações CASH3 acumulam queda superior a 90% desde a máxima histórica, além de atualmente serem negociadas abaixo do preço equivalente de IPO (cerca de R$ 10 ajustado).
Desvalorização desde o topo de 2021: mais de 90%
Queda desde o início de 2025: cerca de 57%
Mesmo assim, o mercado técnico mostra tentativas recentes de reversão, com aumento de volume comprador e formação de topos e fundos ascendentes. Caso rompa a faixa próxima de R$ 5, a próxima região relevante de resistência está em R$ 6,15, que corresponde à VAP anual, ponto médio de negociação em 2025.
BTG segue otimista com Méluiz e prevê resultado acima do esperado
Segundo análise recente, o BTG tem visão otimista sobre a empresa. Os analistas acreditam que:
O EBIT deve vir acima das projeções do mercado
A valorização do Bitcoin deve inflar os ativos e melhorar o balanço
O negócio “não Bitcoin” deve valer hoje cerca de R$ 30 milhões
Vale lembrar que o BTG participou do IPO da Méluiz, reforçando histórico de proximidade com a companhia.
Mudança polêmica, mas com estratégia clara
A Méluiz surpreendeu o mercado ao abandonar parte de sua tese original, que incluía expansão em cartões, aquisições de fintech e até compra de banco — ativo que posteriormente foi vendido antes do reposicionamento em Bitcoin.
Embora a troca de estratégia tenha sido considerada “drástica” por investidores, a empresa não apresenta fragilidade financeira: possui caixa forte, zero dívida, operação saudável e nova tese de geração de valor baseada em ativos digitais e recompra de ações.
A Méluiz hoje não é mais uma “empresa de cashback”: tornou-se um veículo corporativo de alocação em Bitcoin, com estrutura de negócio paralela e recompra agressiva de ações. Apesar do passado de forte desvalorização, o cenário atual traz:
solidez de caixa
potencial de valorização via Bitcoin
recompra de papéis que favorece acionistas
Assim, CASH3 se posiciona como empresa de risco, mas com tese clara e potencial de recuperação, especialmente se o Bitcoin continuar em tendência de alta.
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