A Marcopolo (POMO4) divulgou um novo pacote de proventos que chega a 12,1% de dividend yield em uma única tacada para ações ordinárias e 10,9% para preferenciais, reacendendo o entusiasmo dos investidores depois de uma queda expressiva de quase 30% na cotação nas últimas semanas. O anúncio veio acompanhado de um conjunto de resultados operacionais robustos, impulsionados sobretudo pelo desempenho internacional da companhia.
Fundada em 1949 e listada na B3 desde 1978, a Marcopolo é líder absoluta no segmento de carrocerias de ônibus no Brasil e mantém presença relevante no exterior. A empresa atravessou diversas crises ao longo de mais de 70 anos de história e, atualmente, opera com baixa alavancagem, margens sólidas e receita diversificada, fatores que reforçam sua resiliência em um setor historicamente cíclico.
Receita avança com força no exterior, apesar da fraqueza no mercado brasileiro
No 3T25, a Marcopolo registrou crescimento de 8,2% na receita líquida, alcançando R$ 2,5 bilhões. O destaque absoluto foi a expansão das operações internacionais, cuja receita subiu impressionantes 51% em relação ao 3T24.
Em contraste, a receita no mercado brasileiro recuou 15%, reflexo do menor volume de vendas e do cenário de juros elevados, que encarece o financiamento de ônibus e reduz a demanda doméstica.
O cenário brasileiro também se reflete na produção:
Produção nacional caiu 8,2%;
Exportações cresceram 18%;
Produção nas unidades internacionais avançou 26%, com destaque para:
África do Sul: +43%
Argentina: +280%
México: +38%
China: +29%
Austrália: +11%
A diversificação geográfica tem sido crucial para o desempenho recente da companhia. Historicamente, a produção brasileira já chegou a superar 40 mil ônibus por ano (entre 2010 e 2014), mas hoje gira em patamar bem inferior — cerca de 20 mil unidades. Com juros altos e veículos mais caros, o mercado interno permanece travado.
Margens altas, lucro robusto e expansão acelerada
No trimestre, a Marcopolo apresentou:
Lucro líquido: R$ 330 milhões (estável vs 3T24)
Margem líquida: 13,2%
ROIC: 25%
Margem bruta: 26,7%
Lucro bruto: R$ 668 milhões
EBITDA: queda de 10%, mas ainda forte para o setor
Mesmo com pequenas oscilações, o nível atual de margens é considerado elevado para um segmento historicamente apertado, sinalizando ganhos de eficiência e melhor mix de produtos.
No acumulado de janeiro a setembro, o lucro líquido supera R$ 900 milhões, com margem de 13,8%. Para comparação, durante muitos anos a Marcopolo lucrou entre R$ 80 milhões e R$ 200 milhões anuais. Em 2024 e 2025, a empresa rompeu a barreira de R$ 1 bilhão — um salto histórico.
Receita diversificada por produtos e forte crescimento internacional
A composição da receita por tipo de veículo reforça o perfil diversificado da companhia:
Rodoviários: 40%
Urbanos: 8%
Micro-ônibus: 7%
Volare: 20%
Outros segmentos: restante
Além disso, a Marcopolo possui participações em unidades internacionais que respondem por parte relevante de seu faturamento:
México: 74%
Argentina: 100%
África do Sul: 100%
China: 100%
Austrália: 100%
Outras participações menores completam o portfólio
Essas operações, que até 2023 geravam prejuízo recorrente, agora entregam lucros crescentes. Em 2025, somente elas renderam R$ 267 milhões, superando todo o lucro internacional de 2024.
É um ponto positivo — mas que exige cautela. Como o segmento é cíclico, retornos elevados podem não se manter indefinidamente.
Estrutura financeira sólida: dívida praticamente zerada
Um dos grandes destaques é a alavancagem de apenas 0,05, indicando que o caixa disponível é praticamente equivalente à dívida bruta. Isso dá à companhia flexibilidade para atravessar ciclos mais fracos no Brasil e investir em expansão internacional sem pressionar sua saúde financeira.
Dividendos: yield agressivo reacende ânimo do mercado
A Marcopolo aprovou:
R$ 0,09 por ação em JCP
R$ 0,69 por ação em dividendos
Após imposto no JCP, o total líquido por ação chega a R$ 0,76, resultando em:
12,1% de dividend yield para POMO3
10,9% de dividend yield para POMO4
Datas importantes:
Data-com: 24 de novembro
Pagamento: 15 de dezembro
A empresa também mantém a prática de distribuir proventos trimestrais, com pagamentos regulares em fevereiro, abril, agosto e novembro, reforçando seu perfil de companhia geradora de caixa.
Avaliação e perspectivas
Mesmo com a recente queda de quase 30% na cotação, o desempenho operacional e o anúncio de proventos robustos trazem nova perspectiva para o papel. O histórico mostra que:
O lucro por ação multiplicou por 10 nos últimos anos;
O retorno total em 10 anos é de 408%;
A empresa tem margens elevadas, baixa alavancagem e forte geração de caixa;
A exposição internacional é crescente e compensa a fraqueza do mercado doméstico.
Apesar disso, analistas alertam que o setor é cíclico e resultados excepcionalmente altos podem representar um pico de performance, exigindo cautela para quem compra apenas para “capturar dividendos”.
Quer saber tudo
o que está acontecendo?
Receba todas as notícias da A Revista no seu WhatsApp.
Entre em nosso grupo e fique bem informado.






