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Início » Últimas Notícias » Por que a Marcopolo decidiu pagar dividendos tão altos agora? A resposta surpreende
Dividendos

Por que a Marcopolo decidiu pagar dividendos tão altos agora? A resposta surpreende

Com dívida praticamente zerada, expansão internacional acelerada e margens elevadas, a Marcopolo entrega um dos melhores trimestres da década e confirma dividendos robustos aos acionistas.
Carlos MenezesPor Carlos Menezes18 de novembro de 20254 minutos lidos
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A Marcopolo (POMO4) divulgou um novo pacote de proventos que chega a 12,1% de dividend yield em uma única tacada para ações ordinárias e 10,9% para preferenciais, reacendendo o entusiasmo dos investidores depois de uma queda expressiva de quase 30% na cotação nas últimas semanas. O anúncio veio acompanhado de um conjunto de resultados operacionais robustos, impulsionados sobretudo pelo desempenho internacional da companhia.

Fundada em 1949 e listada na B3 desde 1978, a Marcopolo é líder absoluta no segmento de carrocerias de ônibus no Brasil e mantém presença relevante no exterior. A empresa atravessou diversas crises ao longo de mais de 70 anos de história e, atualmente, opera com baixa alavancagem, margens sólidas e receita diversificada, fatores que reforçam sua resiliência em um setor historicamente cíclico.

Receita avança com força no exterior, apesar da fraqueza no mercado brasileiro

No 3T25, a Marcopolo registrou crescimento de 8,2% na receita líquida, alcançando R$ 2,5 bilhões. O destaque absoluto foi a expansão das operações internacionais, cuja receita subiu impressionantes 51% em relação ao 3T24.
Em contraste, a receita no mercado brasileiro recuou 15%, reflexo do menor volume de vendas e do cenário de juros elevados, que encarece o financiamento de ônibus e reduz a demanda doméstica.

O cenário brasileiro também se reflete na produção:

  • Produção nacional caiu 8,2%;

  • Exportações cresceram 18%;

  • Produção nas unidades internacionais avançou 26%, com destaque para:

    • África do Sul: +43%

    • Argentina: +280%

    • México: +38%

    • China: +29%

    • Austrália: +11%

A diversificação geográfica tem sido crucial para o desempenho recente da companhia. Historicamente, a produção brasileira já chegou a superar 40 mil ônibus por ano (entre 2010 e 2014), mas hoje gira em patamar bem inferior — cerca de 20 mil unidades. Com juros altos e veículos mais caros, o mercado interno permanece travado.

Margens altas, lucro robusto e expansão acelerada

No trimestre, a Marcopolo apresentou:

  • Lucro líquido: R$ 330 milhões (estável vs 3T24)

  • Margem líquida: 13,2%

  • ROIC: 25%

  • Margem bruta: 26,7%

  • Lucro bruto: R$ 668 milhões

  • EBITDA: queda de 10%, mas ainda forte para o setor

Mesmo com pequenas oscilações, o nível atual de margens é considerado elevado para um segmento historicamente apertado, sinalizando ganhos de eficiência e melhor mix de produtos.

No acumulado de janeiro a setembro, o lucro líquido supera R$ 900 milhões, com margem de 13,8%. Para comparação, durante muitos anos a Marcopolo lucrou entre R$ 80 milhões e R$ 200 milhões anuais. Em 2024 e 2025, a empresa rompeu a barreira de R$ 1 bilhão — um salto histórico.

Receita diversificada por produtos e forte crescimento internacional

A composição da receita por tipo de veículo reforça o perfil diversificado da companhia:

  • Rodoviários: 40%

  • Urbanos: 8%

  • Micro-ônibus: 7%

  • Volare: 20%

  • Outros segmentos: restante

Além disso, a Marcopolo possui participações em unidades internacionais que respondem por parte relevante de seu faturamento:

  • México: 74%

  • Argentina: 100%

  • África do Sul: 100%

  • China: 100%

  • Austrália: 100%

  • Outras participações menores completam o portfólio

Essas operações, que até 2023 geravam prejuízo recorrente, agora entregam lucros crescentes. Em 2025, somente elas renderam R$ 267 milhões, superando todo o lucro internacional de 2024.

É um ponto positivo — mas que exige cautela. Como o segmento é cíclico, retornos elevados podem não se manter indefinidamente.

Estrutura financeira sólida: dívida praticamente zerada

Um dos grandes destaques é a alavancagem de apenas 0,05, indicando que o caixa disponível é praticamente equivalente à dívida bruta. Isso dá à companhia flexibilidade para atravessar ciclos mais fracos no Brasil e investir em expansão internacional sem pressionar sua saúde financeira.

Dividendos: yield agressivo reacende ânimo do mercado

A Marcopolo aprovou:

  • R$ 0,09 por ação em JCP

  • R$ 0,69 por ação em dividendos

Após imposto no JCP, o total líquido por ação chega a R$ 0,76, resultando em:

  • 12,1% de dividend yield para POMO3

  • 10,9% de dividend yield para POMO4

Datas importantes:

  • Data-com: 24 de novembro

  • Pagamento: 15 de dezembro

A empresa também mantém a prática de distribuir proventos trimestrais, com pagamentos regulares em fevereiro, abril, agosto e novembro, reforçando seu perfil de companhia geradora de caixa.

Avaliação e perspectivas

Mesmo com a recente queda de quase 30% na cotação, o desempenho operacional e o anúncio de proventos robustos trazem nova perspectiva para o papel. O histórico mostra que:

  • O lucro por ação multiplicou por 10 nos últimos anos;

  • O retorno total em 10 anos é de 408%;

  • A empresa tem margens elevadas, baixa alavancagem e forte geração de caixa;

  • A exposição internacional é crescente e compensa a fraqueza do mercado doméstico.

Apesar disso, analistas alertam que o setor é cíclico e resultados excepcionalmente altos podem representar um pico de performance, exigindo cautela para quem compra apenas para “capturar dividendos”.

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Carlos Menezes
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Carlos Menezes é economista e analista de mercado, com MBA em Finanças pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e mais de 15 anos de experiência acompanhando indicadores econômicos e políticas públicas. Na A Revista, analisa juros, inflação, câmbio, economia e mercados, com atenção às fontes dos dados, ao período de referência e aos efeitos para empresas e investimentos.

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