O Banco do Brasil apresentou lucro líquido ajustado de R$ 3,8 bilhões no terceiro trimestre de 2025, o que representa uma queda de 60% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado manteve-se praticamente estável frente ao segundo trimestre, refletindo o impacto direto da elevação do custo do crédito e do aumento da inadimplência em vários segmentos.
Nos primeiros nove meses do ano, o lucro acumulado soma R$ 14,9 bilhões, com retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) na casa de 11,2%, bem abaixo dos níveis observados nos últimos anos.
Inadimplência segue em alta e pressiona resultados
A inadimplência acima de 30 dias subiu para 6,75%, enquanto os atrasos superiores a 90 dias chegaram a 4,93%, apontando deterioração generalizada da carteira. O destaque negativo veio da carteira de pessoa física, que superou a marca de 8% de inadimplência, reflexo do maior endividamento das famílias e da seletividade mais rígida na concessão de novos empréstimos.
O agronegócio, tradicional motor de crescimento do banco, também registrou piora expressiva. A inadimplência acima de 30 dias atingiu 7,78%, e a de 90 dias ultrapassou 5,3%, impulsionada pelo aumento de clientes em recuperação judicial e pelos efeitos do clima e dos preços das commodities sobre o fluxo de caixa dos produtores.
Custo do crédito atinge R$ 44 bilhões e projeção sobe para até R$ 62 bilhões
O custo do crédito acumulado no ano já alcança R$ 44 bilhões, um avanço de 66% em comparação a 2024. O banco revisou a projeção para 2025, elevando a faixa estimada de R$ 59 bilhões a R$ 62 bilhões, diante da necessidade de reforçar provisões para perdas e do cenário de inadimplência persistente.
A instituição também manteve suas metas de carteira de crédito total e margem financeira bruta, indicando que o foco continua voltado para a preservação da rentabilidade e o controle das despesas operacionais.
Lucro anual projetado é reduzido e ROE recua
Com o aumento das provisões e o enfraquecimento das receitas, o lucro líquido projetado para 2025 foi revisto para a faixa entre R$ 18 bilhões e R$ 21 bilhões, ante estimativa anterior de R$ 21 a 25 bilhões.
O ROE trimestral ficou em 8,4%, o menor nível em mais de dois anos, refletindo a menor eficiência do capital próprio diante do aumento dos custos de crédito e da estagnação das margens.
Distribuição de proventos e perspectivas
O Banco do Brasil aprovou o pagamento de juros sobre capital próprio no valor de R$ 0,07 por ação, com data-com em 1º de dezembro e pagamento previsto para 11 de dezembro, totalizando cerca de R$ 410 milhões.
Mesmo com a retração no lucro, o banco manteve o compromisso com a remuneração aos acionistas, sinalizando estabilidade de caixa e disciplina financeira. Novas distribuições devem ser avaliadas conforme a evolução dos resultados do quarto trimestre.
Cenário e expectativas
O resultado do trimestre confirma um momento de transição para o Banco do Brasil, pressionado pela inadimplência crescente e pela necessidade de readequar suas projeções. O desafio para 2026 será restaurar a rentabilidade em meio à desaceleração econômica e ao aumento das restrições de crédito no campo e nas famílias.
A instituição aposta em seleção mais criteriosa de clientes, controle de custos e fortalecimento das provisões para superar o ciclo adverso. Com a estabilização da economia e eventual alívio nas taxas de juros, o banco poderá retomar gradualmente seus indicadores de rentabilidade e crescimento sustentável.
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