A Taesa (TAEE11) encerrou o terceiro trimestre de 2025 com lucro líquido de R$ 323 milhões, um crescimento de 5,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. A companhia também anunciou a distribuição de R$ 0,87 por unit em dividendos e juros sobre capital próprio, equivalentes a 2% de rendimento sobre a cotação atual.
A empresa reforça seu histórico de previsibilidade e solidez, com desempenho operacional consistente e alto índice de disponibilidade de suas linhas de transmissão. No entanto, o mercado observa com cautela o preço das ações, que seguem acima da média histórica e próximas do topo registrado em 2022.
Controle estatal e estrutura societária sólida
A Taesa é controlada por duas grandes companhias do setor elétrico: Cemig, que detém 21,7% do capital, e ISA Investimentos, com 14,9%. Ambas possuem participação estatal, o que garante estabilidade, mas também reforça a natureza pública indireta da empresa.
Essa estrutura oferece segurança institucional, embora crie limitações para decisões mais ágeis de alocação de capital e expansão, especialmente em períodos de juros elevados.
Eficiência operacional recorde e custos sob controle
O índice de disponibilidade das linhas de transmissão atingiu 99,93%, um dos melhores do setor, o que reduziu a parcela variável da receita a apenas 0,28%, demonstrando alta eficiência operacional.
A receita líquida regulatória alcançou R$ 650 milhões, alta de quase 10% sobre o 3T24, impulsionada por reajustes inflacionários e novos projetos energizados. No acumulado do ano, a receita operacional cresceu 7%, atingindo R$ 1,9 bilhão.
Os custos e despesas recuaram 3%, mantendo-se abaixo da inflação, e o EBIT permaneceu estável em R$ 417 milhões. O crescimento do lucro líquido, no entanto, foi favorecido por uma alíquota negativa de IR, resultado pontual da contabilização de JCP.
Investimentos agressivos e endividamento elevado
De janeiro a setembro, a companhia investiu R$ 1,3 bilhão, totalizando R$ 8,4 bilhões desde 2015. O ritmo acelerado de aportes visa compensar a perda de cerca de 30% a 35% da receita projetada para o período entre 2030 e 2032, quando parte das concessões será encerrada.
A dívida bruta atingiu R$ 10,4 bilhões, com alavancagem de 4,1 vezes o Ebitda. Apesar do aumento da despesa financeira em 16%, a Taesa manteve a política de distribuição integral do lucro, priorizando remuneração ao acionista mesmo com custo de capital elevado.
Projeções indicam retorno inferior à renda fixa
Para o ciclo regulatório 2025/2026, a Taesa projeta crescimento de 8,7% na receita operacional, com reajustes de 7% em contratos atrelados ao IGP-M e 5,3% no IPCA. A tendência é de estabilidade operacional, mas com retorno esperado de IPCA + 5,5% ao ano, inferior ao de alguns títulos públicos e CDBs.
Com dividend yield estimado em 7,5% bruto, a empresa entrega uma boa remuneração, porém o valor depende da distribuição integral dos lucros — o que pode limitar o crescimento futuro. No atual patamar de R$ 42 por unit, o papel negocia acima do preço justo estimado em R$ 35, com margem de segurança negativa de 21%.
Risco de sobrevalorização e pressão de vendidos
Cerca de 26% das ações em circulação estão vendidas a descoberto, colocando a Taesa entre os papéis mais alvos de apostas contra da Bolsa. Apesar disso, a ação segue valorizada, impulsionada pelo fluxo estrangeiro e pela busca de empresas com histórico de dividendos consistentes.
O cenário cria uma combinação de pressão especulativa e fundamentos sólidos, o que mantém o papel em evidência, mas com risco de correção caso o mercado volte a priorizar empresas menos alavancadas.
A Taesa segue como uma das companhias mais eficientes e estáveis do setor elétrico brasileiro, com gestão previsível, margens elevadas e proventos regulares. No entanto, o valuation elevado, a dívida crescente e o retorno ajustado inferior à renda fixa exigem cautela para novos investidores.
A ação continua atraente para quem busca renda passiva e previsibilidade, mas o momento indica que o potencial de valorização está limitado, e novos aportes devem aguardar uma correção de preço.
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