O IPCA-15, considerado a prévia oficial da inflação, apresentou desaceleração e registrou alta de 0,24% em outubro, acumulando 4,9% nos últimos 12 meses. O resultado ficou abaixo das projeções de mercado, indicando um cenário de alívio temporário no custo de vida.
A principal contribuição para o índice mais baixo veio da redução nas tarifas de energia elétrica, com o retorno de bandeiras tarifárias mais baratas, e da deflação em alguns alimentos, o que compensou parcialmente a alta nos transportes, ainda pressionados pelos preços de passagens aéreas e combustíveis.
Energia e alimentos aliviam o índice, mas transportes seguem pressionando
A energia elétrica foi o grande destaque positivo da prévia, contribuindo para conter a alta do índice geral. A mudança na bandeira tarifária reduziu o custo médio das contas de luz, impactando diretamente o IPCA-15.
Já no grupo de alimentação, itens importantes como frutas, verduras e alguns grãos registraram queda de preços, refletindo o bom desempenho da safra e o aumento da oferta interna.
Por outro lado, o setor de transportes ainda apresentou pressão, puxado por passagens aéreas e pela gasolina, que ainda não incorporou plenamente a recente redução de preços da Petrobras.
Juros devem continuar altos até 2025
Apesar do resultado positivo, não há expectativa imediata de corte na taxa Selic, que atualmente segue em patamar elevado para conter as expectativas inflacionárias de médio prazo.
O Banco Central tem sinalizado que o foco agora está nas projeções para 2027, avaliando se o atual nível de juros será suficiente para garantir a convergência da inflação à meta.
Ou seja, mesmo com a desaceleração recente, o efeito dos juros altos deve continuar sendo sentido ao longo de 2025, com impactos sobre crédito, consumo e investimentos.
Alerta para o fim do ano: carnes e produtos da ceia devem encarecer
Embora a prévia traga boas notícias, analistas alertam que o alívio pode ser passageiro. O ciclo do boi pode pressionar o preço das carnes nas próximas semanas, e a demanda sazonal de fim de ano tende a elevar o custo de itens típicos da ceia, além de gastos com matrículas escolares e material didático em janeiro.
Esses fatores sazonais devem gerar novas pressões inflacionárias no curto prazo, podendo levar o IPCA fechado de dezembro a um patamar ligeiramente acima da prévia.
Perspectivas para os próximos meses
A trajetória da inflação segue considerada “benigna”, com expectativa de estabilidade até o fim do ano, mas sob monitoramento atento do Banco Central. O mercado ainda observa com cautela as flutuações no preço do petróleo, que podem alterar o comportamento dos combustíveis e, consequentemente, a tendência da inflação no início de 2026.
Enquanto isso, a recomendação é de cautela financeira: o momento favorece renegociações de dívidas e investimentos em renda fixa indexada ao IPCA, que ainda oferecem boa proteção contra variações inflacionárias.
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