Continuar pilotando depois dos 60 anos não significa abandonar motocicletas de maior cilindrada ou aceitar um modelo sem desempenho. Para muitos motociclistas experientes, a prioridade muda: entram em cena a facilidade de apoiar os pés no chão, o conforto durante horas de viagem e a confiança para movimentar a moto em baixa velocidade.

É nesse cenário que seis modelos vendidos no Brasil merecem atenção. A lista reúne motocicletas de diferentes estilos, desde uma urbana de 250 cilindradas até uma custom bicilíndrica de 451 cilindradas.

A diferença entre elas impressiona. Enquanto a Honda NX500 apresenta banco a 834 milímetros do solo, a Kawasaki Eliminator 500 reduz essa medida para apenas 735 milímetros. São 99 milímetros de diferença, suficientes para alterar significativamente a sensação de segurança nas paradas.

Mas existe um detalhe: a motocicleta com o banco mais baixo não é a mais barata. E a mais leve nem sempre será a melhor para enfrentar longas viagens.

Confira as seis motos e suas principais diferenças

ModeloAltura do bancoPeso informadoPotência
Yamaha Fazer FZ25795 mm151 kg*21,3 cv
Royal Enfield Hunter 350790 mm181 kg20,2 cv
Triumph Speed 400790 mm170 kg40 cv
Honda NX500834 mm183 kg*49,6 cv
Royal Enfield Meteor 350765 mm191 kg20,2 cv
Kawasaki Eliminator 500735 mm176 kg51 cv

Os 151 kg da Yamaha correspondem ao peso líquido divulgado, enquanto os 183 kg da Honda são peso seco. As demais utilizam medidas em ordem de marcha ou equivalentes. Portanto, os pesos não são diretamente comparáveis.

As alturas de banco e especificações centrais foram confrontadas com informações das fabricantes.

6. Yamaha Fazer FZ25: uma escolha prática para a cidade

A Yamaha Fazer FZ25 aparece como alternativa para quem procura uma motocicleta de manutenção relativamente simples, comportamento previsível e facilidade para deslocamentos urbanos.

Seu motor de 250 cilindradas entrega 21,3 cavalos de potência. Não é uma moto projetada para grandes acelerações, mas oferece desempenho adequado para deslocamentos cotidianos e passeios ocasionais.

O banco de 795 milímetros representa uma posição intermediária nesta comparação. O conjunto relativamente estreito pode facilitar o apoio dos pés, dependendo da altura e do comprimento das pernas do piloto.

Outro ponto favorável é o sistema ABS nas duas rodas, acompanhado de iluminação em LED e conectividade com smartphones.

A limitação surge especialmente nas rodovias. Com garupa, bagagem e trechos de subida, o motor exige maior planejamento nas ultrapassagens.

Na consulta realizada para esta reportagem, a Yamaha anunciava a FZ25 Connected 2026 a partir de R$ 25.290, sem frete, e garantia de quatro anos.

Para quem faz sentido: motociclistas que circulam principalmente na cidade e valorizam uma moto relativamente leve, sem necessidade de grande potência.

5. Royal Enfield Hunter 350: estilo clássico e facilidade nas manobras

A Hunter 350 segue uma proposta diferente. Ela combina visual retrô, dimensões compactas e um motor de funcionamento tranquilo, pensado principalmente para passeios e uso urbano.

Seu monocilíndrico de 349 cilindradas desenvolve 20,2 cavalos. A entrega de torque favorece saídas suaves e deslocamentos sem necessidade de acelerar constantemente.

O banco fica a 790 milímetros do chão e o peso em ordem de marcha é de 181 quilos.

Apesar de não ser especialmente leve, sua geometria compacta, distância entre eixos de 1.370 milímetros e rodas de 17 polegadas contribuem para a agilidade urbana.

A Hunter também se destaca pelo preço: a Royal Enfield divulga versões com valores a partir de R$ 19.990, conforme as condições comerciais da linha.

É importante considerar, porém, que a suspensão traseira tem curso limitado e pode transmitir impactos em ruas muito irregulares. A potência modesta também exige cautela ao planejar viagens com garupa.

Para quem faz sentido: quem deseja voltar a pilotar, prefere motos clássicas e busca uma alternativa mais acessível para passeios tranquilos.

4. Triumph Speed 400: potência de sobra em um conjunto compacto

A Triumph Speed 400 chama atenção por oferecer desempenho consideravelmente superior ao das motocicletas de 350 cilindradas sem exigir um conjunto muito maior.

O motor monocilíndrico de 398,15 cilindradas entrega aproximadamente 40 cavalos, enquanto o peso em ordem de marcha é de 170 quilos.

A altura do assento, de 790 milímetros, é igual à da Hunter 350. Entretanto, a Speed 400 oferece praticamente o dobro da potência.

Isso proporciona maior reserva de desempenho em rodovias, especialmente durante retomadas e ultrapassagens.

A posição de pilotagem mantém o tronco relativamente ereto, com guidão largo e pedaleiras posicionadas de maneira próxima ao centro da motocicleta.

Entre os recursos estão ABS, controle de tração e embreagem assistida.

O intervalo programado de manutenção pode chegar a 16 mil quilômetros ou 12 meses, o que ocorrer primeiro, conforme a especificação oficial. A Triumph anuncia a Speed 400 2026 a partir de R$ 29.990, valor que pode variar conforme condições comerciais.

O principal cuidado está na ergonomia: por ser uma naked, pode não oferecer o mesmo conforto para os joelhos de uma custom com pedaleiras mais avançadas.

Para quem faz sentido: pilotos experientes que querem reduzir o tamanho da moto, mas não desejam abrir mão de um motor forte e ágil.

3. Honda NX500: conforto para quem gosta de viajar

A Honda NX500 atende um perfil diferente de motociclista. Seu destaque não está no banco baixo, mas na combinação de motor bicilíndrico, proteção aerodinâmica e posição de pilotagem favorável às viagens.

O propulsor de 471 cilindradas desenvolve 49,6 cavalos e entrega funcionamento mais suave que o de muitos motores monocilíndricos, especialmente em velocidades de cruzeiro.

A posição de pilotagem é ereta, o guidão fica relativamente próximo ao condutor e o para-brisa ajuda a reduzir a exposição ao vento.

O tanque de 17,7 litros também favorece deslocamentos mais longos.

Entretanto, existe uma característica que exige atenção: o assento está a 834 milímetros do chão, a maior altura entre as seis motos analisadas.

Para motociclistas de menor estatura, apoiar os dois pés pode ser difícil, especialmente em terrenos inclinados ou estacionamentos irregulares. A largura do banco e o comprimento das pernas também influenciam essa situação.

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A Honda informa 183 quilos de peso seco, medida que não deve ser confundida com o peso em ordem de marcha de outros modelos.

Na página oficial consultada, a NX500 2026 aparece com preço sugerido a partir de R$ 46.260, sem frete.

Para quem faz sentido: motociclistas que viajam com frequência, priorizam proteção contra o vento e conseguem lidar confortavelmente com um banco mais alto.

2. Royal Enfield Meteor 350: banco baixo e posição relaxada

Entre as motos desta seleção, a Royal Enfield Meteor 350 é uma das opções mais interessantes para quem coloca a facilidade de apoiar os pés no chão entre as prioridades.

O banco fica a apenas 765 milímetros do solo, enquanto a posição de pilotagem apresenta características típicas das motocicletas custom.

As pedaleiras ficam mais à frente, o guidão permite manter o tronco relativamente ereto e o assento largo favorece uma postura relaxada.

Seu motor de 349 cilindradas produz aproximadamente 20,2 cavalos e 27 Nm de torque. A proposta é de uma pilotagem tranquila, sem necessidade de explorar rotações elevadas.

O tanque comporta 15 litros de combustível, e a motocicleta conta com freios ABS de dois canais.

Há, porém, uma desvantagem importante: seus 191 quilos em ordem de marcha representam o maior peso entre os cinco modelos da lista com essa medida ou peso líquido informado, excluída a Honda, cujo peso consultado é seco.

Isso significa que, embora o banco seja baixo, empurrar a Meteor de ré ou movimentá-la em uma garagem inclinada pode exigir mais esforço.

Sua potência também limita a desenvoltura nas ultrapassagens, principalmente com passageiro e bagagem.

A fabricante confirma a altura do assento, o peso e as características do conjunto na ficha brasileira.

Para quem faz sentido: quem prefere estradas tranquilas, gosta do estilo custom e valoriza uma posição de pilotagem relaxada mais do que acelerações fortes.

1. Kawasaki Eliminator 500: a combinação que chama atenção

A Kawasaki Eliminator 500 reúne características que raramente aparecem juntas em motocicletas de média cilindrada: banco muito baixo, peso relativamente contido e um motor bicilíndrico com potência suficiente para rodovias.

São apenas 735 milímetros de altura do assento, a menor medida entre os seis modelos analisados.

Além disso, a moto pesa 176 quilos em ordem de marcha, ficando 15 quilos abaixo da Meteor 350, apesar de oferecer mais que o dobro da potência.

O motor de 451 cilindradas desenvolve 51 cavalos, segundo a Kawasaki Brasil, com câmbio de seis marchas e refrigeração líquida.

Essa combinação pode ser especialmente interessante para pilotos que procuram estabilidade ao parar, mas não querem uma motocicleta limitada às velocidades moderadas.

A geometria mantém características de custom, porém com uma posição menos extrema que a de algumas cruisers tradicionais. As pedaleiras ficam relativamente próximas ao corpo, favorecendo uma postura natural para muitos motociclistas.

Outro destaque é a suavidade oferecida pelo motor de dois cilindros, que pode resultar em menos vibração em determinados regimes de funcionamento.

Mas a Eliminator também apresenta limitações.

O tanque de 13 litros exige atenção à autonomia nas viagens. A ausência de uma proteção aerodinâmica expressiva deixa o piloto mais exposto ao vento, e a posição das pedaleiras pode limitar a inclinação em curvas.

O preço é outro fator decisivo. Em oferta consultada no site da Kawasaki Brasil, a Eliminator 500 foi anunciada por R$ 39.990, com frete incluso, sujeito às condições comerciais.

Ainda assim, para quem procura uma motocicleta de banco baixo sem abrir mão de potência, a Eliminator merece estar entre as primeiras opções a serem testadas.

Qual dessas motos vale mais a pena depois dos 60 anos?

Não existe uma resposta universal. Cada modelo atende um tipo diferente de utilização, e a idade, isoladamente, não determina a motocicleta ideal.

PrioridadeModelo que merece atenção
Uso urbano e facilidade de conduçãoYamaha Fazer FZ25
Preço mais acessível entre as opçõesRoyal Enfield Hunter 350
Desempenho e dimensões compactasTriumph Speed 400
Viagens longas e proteção contra o ventoHonda NX500
Pilotagem tranquila com banco baixoRoyal Enfield Meteor 350
Banco mais baixo com motor potenteKawasaki Eliminator 500

O detalhe que muitos motociclistas esquecem antes de comprar

É comum comparar potência, preço e consumo antes de escolher uma motocicleta. No entanto, outros fatores merecem atenção, sobretudo para quem deseja continuar pilotando por muitos anos.

O primeiro é conseguir movimentar a moto desligada, sem depender da força do motor. O segundo é alcançar o chão de forma segura quando o terreno não é plano.

Também vale observar o esforço necessário para acionar a embreagem, a posição dos joelhos e a facilidade para subir e descer da motocicleta.

Uma moto com banco de 790 milímetros pode parecer mais acessível que outra de 765 milímetros, dependendo da largura do assento, da suspensão e da ergonomia.

Por isso, o teste em concessionária deve incluir manobras em baixa velocidade, frenagens controladas e uma avaliação da posição de pilotagem.

Para viagens, é importante considerar ainda o custo das revisões, a distância até a concessionária autorizada e a facilidade de encontrar peças.

Afinal, qual é a melhor escolha?

Para quem utiliza a moto principalmente na cidade e quer controlar os gastos, a Yamaha Fazer FZ25 e a Royal Enfield Hunter 350 surgem como alternativas interessantes.

Quem deseja maior potência em um conjunto compacto pode encontrar na Triumph Speed 400 uma solução equilibrada.

Já a Honda NX500 faz mais sentido para motociclistas que privilegiam longas distâncias e não enfrentam dificuldades com a altura do banco.

A Meteor 350 atende quem procura uma custom tranquila, enquanto a Kawasaki Eliminator 500 se destaca pela combinação de banco de 735 milímetros, peso de 176 quilos e motor de 51 cavalos.

A principal conclusão é que escolher uma moto depois dos 60 anos não significa necessariamente optar pela menor cilindrada. Significa encontrar um conjunto que proporcione confiança, conforto e prazer em cada quilômetro.